BOLETIM VERMELHO - ÂNGELA RAVAZZOLO, EDITORA DE EDUCAÇÃO, zero hora 24/03/2012
As estatísticas, as pesquisas e as propostas pedagógicas para combater a reprovação e a evasão escolar compõem um quadro analítico importante e uma abordagem ampla sobre o problema. São dados e informações que, de forma concreta, auxiliam a enfrentar essas dificuldades. Mas há também um universo não menos importante, aquele que pontua o burburinho dos estudantes, os cochichos e muitas vezes deboches agressivos.
A repetência tem sido entendida por especialistas como um último recurso pedagógico, a ser combatido com esforço monumental ao longo do ano letivo. Mas essa compreensão teórica ainda não faz parte necessariamente da cultura do cotidiano que se perpetua nos corredores escolares: o “aluno repetente” ainda assusta colegas e professores.
Para Denise Soares Miguel, pesquisadora em violência escolar e professora da Universidade do Estado de Santa Catarina, o cenário tradicional das escolas, que privilegia o processo de ensino em detrimento do aprendizado, a cultura da meritocracia no lugar das experiências individuais, reforça esse processo de exclusão.
Ao mesmo tempo em que há um esforço dos estudiosos em qualificar o debate, é fundamental também estabelecer estratégias práticas para alterar esse cenário que expõe o repetente como se o fato de não atingir determinados objetivos pudesse determinar o futuro de uma criança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário