EDUCAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Defendemos uma política educacional multidisciplinar integrando os conhecimentos científico, artístico, desportivo e técnico-profissional, capaz de identificar habilidade, talento, potencial e vocação. A Educação é uma bússola que orienta o caminho, minimiza dúvidas, reduz preocupações e fortalece a capacidade de conquistar oportunidades e autonomia, exercer cidadania e civismo e propiciar convivência social com qualidade, dignidade e segurança. O sucesso depende da autoridade da direção, do valor dado ao professor, do comprometimento da comunidade escolar e das condições oferecidas pelos gestores.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

PEDAGOGIA MILITAR

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COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -
Quem não conhece as ações cívico-sociais implementadas pelas Forças Armadas em época de PAZ, não conhece a força institucional das Forças Armadas quando ela assume seu papel de protagonismo social numa Democracia, num  Estado Democrático de Direito. Mesmo nas guerra, estas ações cívico-sociais determinam vitórias e conquista de coração e mentes pela força solidária que carrega. É falacioso e preconceituoso afirmar que militares representam o horror da guerra e que só pensam em guerra, extermínio e inimigo. Não, os militares pensam, se preparam e se estruturam para a paz de olho nas ameaças à PAZ. A disciplina, o espírito de corpo, a preparação espartana, a virtude da solidariedade, o planejamento, a busca por metas, o civismo e o patriotismo, inerentes aos militares, são matérias importantes para jovens e adultos cidadãos comprometidos com o sucesso pessoal, com a família, com os interesses da comunidade e com a nação.


ZERO HORA 29 de Julho de 2017
 


PROA. HISTORIADOR CONTESTA PROJETO DESENVOLVIDO PELO COMANDO MILITAR DO SUL E PELA SECRETARIA ESTADUAL DA EDUCAÇÃO, QUE PRETENDEM IMPLEMENTAR ATIVIDADES DAS FORÇAS ARMADAS NAS ESCOLAS GAÚCHAS



É preciso aprofundar o debate sobre o projeto Exército Vai às Escolas, lançado pela Secretaria Estadual da Educação (leia mais no quadro abaixo). Para mim, trata-se de questionar o motivo da iniciativa: que tipo de educação os militares querem levar para as escolas neste momento?

O Exército já vinha dando pistas de que algo está ocorrendo. No blog do Exército (sim, há um), o coronel Alessandro Visacro afirma que ?transformações na conduta da guerra são, antes de tudo, decorrentes de transformações sociais? e defende um ?ambiente estratégico do futuro? que permita às instituições militares ?expandir seu repertório de missões para fazer frente a complexas e difusas ameaças?. A que ameaças ele se refere?

O que ocorre é que o Exército está abandonando a concepção de guerra como conflito entre países para substituí-la pela ideia de enfrentamento das ?pequenas guerras?, contra atores armados não estatais, ?como, por exemplo, bandoleiros, salteadores, guerrilheiros, insurretos e terroristas (que) sempre fizeram parte da história?. Frente às situações de conflito interno, a entrada dos militares na escola sugere a tentativa de inculcar a mentalidade de defesa na juventude. Por essa razão, o Exército vem promovendo a criação de fóruns de debate para professores, alunos, servidores e servidores públicos sobre temas como a defesa e a segurança nacional. E fala, desde 2015, na criação de uma Universidade de Defesa Nacional.

Se a logística é o início da economia de guerra, o projeto Exército Vai às Escolas é sua pedagogia ? uma nova forma de comunicação entre civis e militares. Se, na instalação da economia de guerra, o discurso político e a economia dissolvem-se, suplantados pela estratégia, na instalação da pedagogia de guerra o discurso pedagógico se dissolve na estratégia militar.

Se logística, segundo Eisenhower, é ?o procedimento segundo o qual o potencial de uma nação é transferido para as suas forças armadas, tanto em tempos de paz como de guerra?, qual o potencial maior de uma nação do que os jovens? ?Sem o saber, já somos todos soldados civis. E alguns de nós sabem disso. O golpe de sorte, para o terrorismo da classe militar, é que ninguém o reconhece. As pessoas não reconhecem a parte militarizada de sua identidade, de sua consciência?, diz o filósofo Paul Virilio. É esse o projeto: militarizar a consciência dos jovens.

Mas isso tem um efeito colateral: o de considerar a racionalidade unicamente a partir de sua eficiência, espécie de ?inteligência desenfreada cuja ausência de limites provém da tecnologia, da ciência?, conforme Virilio. Ou seja, trata-se de outra forma de reforçar a instalação de uma mentalidade neoliberal na juventude.

Agora, a guerra não é mais a política por outros meios ? é a pedagogia por outros meios. O que é novo? O exército já enfrenta situações de guerra sem guerra com sua participação nas grandes cidades. Agora, volta sua atenção aos movimentos sociais. A impressão que dá é que os militares estão indo às escolas para evitar a guerra política, antecipar-se a ela, prevenir-se antes do surgimento de conflitos. Ainda que possam dar aulas, o problema é que, se permitirmos que os militares interfiram na escola, eles poderão fazer isso em qualquer lugar.

A iniciativa é lançada no mesmo momento em que impera a lei antiterrorismo, que dá amplo poder ao Estado na repressão dos movimentos sociais. Se muitos desses movimentos são protagonizados por jovens, é de se perguntar que tipo de Corte superior poderá impedir que o Estado faça atos de guerra sem guerra contra a juventude. Ao que parece, o acesso dos militares às salas de aula serve para colocar as novas regras do jogo para os jovens.

A colaboração do Exército com as escolas nunca é inocente. Ela expressa a mutação das condições de exercício do poder pelo Estado sobre suas instituições de guerra em situações de paz. Não são as palestras sobre a pátria que me assustam; é, isso sim, a possibilidade de nossos novos professores militares insistirem com os alunos em certa pedagogia, de que devem manter um olhar constante sobre um suposto inimigo a partir da sala de aula. Ensinaremos nossas crianças a ?ver tudo o tempo todo?? Ensinaremos o princípio do arquivamento total com a sugestão de uso de celulares para a gravação de tudo o que for considerado suspeito? Temo que a inclusão da escola responda a um processo de substituição de uma ?guerra global contra o terror? por uma ?guerra local contra o terror? ? não a guerra para sempre, mas a guerra por toda a parte, que transforma o mundo inteiro num campo de batalha, lembrando o raciocínio de Bertrand Chamayou.

Não é o que ocorre com a iniciativa do Comando Militar do Sul, de que as salas de aula são também parte da estratégia militar, e que isso só pode ser feito exercendo um poder invasivo, que a classe militar se arroga para si, de ir onde queira, passando, inclusive, por cima da soberania da escola?

Já vemos as escolas de periferia como zonas de conflito armado. Amanhã, drones estarão nessas escolas exercendo vigilância. Por que essas instituições se tornaram alvos militares? Porque as zonas de combate, para os militares, são extensíveis ao infinito. A visão oculta no projeto é de que a escola é um campo de batalha, e o futuro imaginado pelos militares é aquele no qual alunos denunciam a existência de atividades subversivas ? no grêmio estudantil, entre os professores etc. ? visando a autorizar o uso da força militar baseada na lei antiterrorismo, agora, na escola. Estudantes cooptados pela direita já não filmam aulas de professores de esquerda para denunciá-los junto ao movimento Escola Sem Partido? Não precisa ir tão longe: é só mostrar ao militar de plantão.

Os militares dizem falar em nome da paz, mas sua farda está ali para lembrar-nos do horror da guerra. Os tanques exercem sedução sobre os jovens: apresentam o militar de forma suave, como se fosse algo lúdico, alimentando-se do desejo de invulnerabilidade juvenil. Mas a escola é justamente o lugar de ensinar a esse jovem que ele precisa... ter limites.

Os militares deixaram de ir à escola para difundir o ethos militar tradicional; agora seu desejo secreto é ir à escola para exercer controle numa eventual situação de guerra interna. Não podemos esquecer que, desde 2013, são os jovens que têm ido às ruas, ocupado as avenidas e, de certa forma, constituindo-se como força subversiva. O projeto Exército Vai às Escolas é mais do que uma forma de conquista das suas consciências pelos militares: é sua luta para estabelecer as bases para um novo campo de batalha.


JORGE BARCELLOS

OS GOVERNOS ESTÃO AUSENTES NA QUESTÃO DA VIOLÊNCIA?

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ZERO HORA 29 de Julho de 2017 . CAPA


LAURO ALVES


ENTREVISTA: Marlova Jovchelovitch Noleto, coordenadora da área de ciências humanas e sociais e representante interina do escritório da Unesco no Brasil


A Unesco tem acompanhado as situações de violência em escolas do Rio Grande do Sul?

Vi ações em governos anteriores (entre 2003 e 2011), quando tinha um comitê estadual de prevenção da violência. Fizemos o Escola Aberta, tivemos alguns programas com a prefeitura de Porto Alegre, e agora a Unesco voltou a falar com o prefeito Nelson Marchezan.

O que a Unesco entende por violência na escola?

Vai desde o entorno até a escola propriamente dita e engloba não só a violência física, mas também a psicológica, o abuso verbal, a violência sexual, o assédio, o bullying e o cyberbullying. É um tema complexo para não ser abordado nas suas múltiplas facetas. Noto ausência completa dos governos na questão da violência na escola.

Três casos recentes chamaram a atenção. Quando uma aluna de 15 anos foi assassinada, professores de uma escola de Porto Alegre disseram que nada tinham a ver com a vida dela e que os alunos estão acostumados à violência. O segundo episódio foi em escola vandalizada por alunos após episódios de violência no entorno. Professores queriam resolver o problema com cerca elétrica e vigilância. O último caso foi a morte de Marta. Como avalia o posicionamento das escolas?

Não resta dúvida, pelos três casos que acabaste de me descrever, que é fundamental trabalhar ações de políticas de prevenção à violência. Nós estamos falando de uma menina assassinada, aliás, de duas. Se tu olhares para o Brasil, esse cenário se repete em todos os Estados. Isso que estás descrevendo, que os professores parecem inertes, representa também uma banalização das situações de violência. Ninguém deve se acostumar com a violência. A escola precisa ser um lugar seguro e protegido para que a educação prospere.

Os professores estão despreparados para lidar com a violência?


Eu acho que não podemos generalizar. O que se vê é pouco investimento na capacitação. Em alguns programas que a Unesco desenvolveu em parceria com o MEC, houve investimento, inclusive em Porto Alegre. Mas não teve continuidade, e sabemos que esses programas precisam ser permanentes. Estamos trabalhando com a Secretaria de Educação Continuada (órgão ligado ao MEC) para desenhar um novo programa de prevenção, que será lançado até o final do ano.

O bullying mata. Apenas dois dias de aula no início do ano letivo bastaram para a intriga entre duas adolescentes terminar em uma tragédia que marcou a comunidade de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Marta Avelhaneda Gonçalves, 14 anos, nova na Escola Estadual de Ensino Básico Luiz de Camões, morreu após se envolver em uma briga com outra colega mais jovem, de apenas 12 anos, dentro da sala de aula. A agressão física foi consequência das provocações verbais iniciadas na véspera.

Intimidações, humilhações e ridicularizações entre alunos são frequentes em colégios, sejam públicos ou privados. Na falta de dados recentes e detalhados sobre bullying escolar, o que serve de termômetro, nas unidades estaduais, é o trabalho da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar (Cipave). A comissão foi criada por lei em 2012, mas só saiu do papel em 2015, quando uma professora e policial civil de carreira vislumbrou o potencial do projeto e decidiu colocá-lo em prática. Luciane Manfro implantou o programa em 2,3 mil das 2,5 mil escolas. Nomeou comissões regionais, conquistou a parceria de 30 instituições, como a Polícia Civil, o Conselho Tutelar e o Ministério Público, cujos especialistas compartilham conhecimento com os alunos, lançou um site (cipave.rs.gov.br) e desenvolveu apostilas de suporte. Um software projetado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) será aplicado por uma empresa especializada em pesquisa até o final do ano, para qualificar a coleta de dados. Até um mascote foi criado para auxiliar na divulgação: uma centopeia que representa a união de esforços.

? Eu acredito no que faço e que é possível mudar a realidade de uma escola. Para isso, é preciso envolvimento da equipe diretiva, dos professores, dos pais e da comunidade. A escola é de todo mundo, não só de quem trabalha nela. Mas o diretor é a alma da escola, ele tem de saber a parte de pedagogia, entender de recursos humanos, financeiros e precisa de inteligência emocional para saber lidar com as diferenças, coisa que os cursos de licenciatura não estão dando. O que é preocupante ? sublinha Luciane.

Ela instituiu o levantamento de dados no ano passado. Um questionário foi respondido pelas diretoras no início de cada semestre. A pesquisa sinalizou que o bullying é a violência mais difícil de combater. Se as provocações verbais não forem interrompidas, alerta Luciane, podem culminar em agressões físicas, como ocorreu com Marta na escola de Cachoeirinha.

? Não tem como prevenir a morte em uma agressão física, o que a gente tem que fazer é evitar que se chegue na agressão. Quando a escola aprende a trabalhar isso por meio do diálogo, diminui esse tipo de conflito ? afirma.

Como nem todas as escolas responderam ao questionário nos dois semestres e a estatística é feita manualmente por Luciane, a coordenadora optou por limitar-se a uma amostragem de cem escolas aleatórias do Interior. O relatório constatou que as ocorrências de bullying cresceram 40% de um semestre para o outro (de 74 para 104). Em Porto Alegre, onde, segundo Luciane, a resistência dos diretores em participar do programa é acentuada, principalmente nas escolas mais vulneráveis, o índice aumentou 150% (de 30 para 75). O dado da Capital é um recorte de 20 das 91 unidades que estão no projeto. Não significa necessariamente um aumento nos relatos, mas, talvez, reflita o aprimoramento dos profissionais em identificar as ocorrências.

Como o bullying costuma acontecer no horário do recreio, quando as crianças e os adolescentes estão sem a supervisão de um adulto, algumas escolas já estão desenvolvendo atividades que chamem a atenção dos alunos com brincadeiras, músicas e peças de teatro. Falar sobre o assunto e mostrar que o bullying pode estar atrelado a crimes como racismo, homofobia, ameaça e difamação é outra forma de conscientizá-los.

? Professores e monitores não percebem o bullying porque os alunos, já sabendo que aquilo não é legal, o praticam de forma velada ? comenta Luciane.

A morte de Marta foi a consequência mais grave registrada recentemente em escolas do Estado. No dia em que a adolescente completaria 15 anos, em 21 de junho, uma manifestação marcada para ocorrer diante do colégio foi substituída por uma visita ao túmulo. Foi a primeira vez que a mãe, Teresinha Avelhaneda, 43 anos, voltou ao cemitério. Em seu perfil do Facebook, ela deixou uma mensagem: ?Foi dos dias mais tristes da minha vida. Poderia estar comemorando os 15 anos da minha princesa. Só que ao invés de dar o anel (de aniversário) para ela, levei flores no cemitério. Será que existe coisa mais triste do que isso para uma mãe??.

 

terça-feira, 14 de março de 2017

CULTURA DE PAZ



ZERO HORA - 14 de março de 2017 | N° 18792



EDITORIAIS





Aabsurda morte de uma adolescente no interior de uma escola de Cachoeirinha, decorrente de uma briga com colegas, torna impositiva e inadiável a implantação de uma cultura de paz nas redes de ensino do Estado. Não é possível que crianças e adolescentes estejam expostos a tais riscos no horário escolar, quando as famílias os consideram em segurança. Brigas entre estudantes no interior das escolas são inadmissíveis, não podem ser toleradas.

As direções das escolas têm o dever de envolver as comunidades nas quais as instituições de ensino estão localizadas para colocar em prática projetos de cultura de paz e sistemas preventivos que evitem riscos de qualquer espécie para os alunos. O ambiente escolar precisa ser visto como um lugar de convívio não apenas com vistas ao futuro profissional dos alunos, mas também para a sua formação como cidadãos.

Mas é preciso ficar claro que a responsabilidade maior não é da escola. O problema central, revelado por esse caso específico, são a degradação de valores e a perda de referências na educação familiar. Num cenário de crise como o enfrentado pelo país, com famílias desestruturadas e seus integrantes mais preocupados com a sobrevivência financeira, essa é uma questão que precisa ser mais debatida no ambiente de aprendizado, envolvendo tanto educadores quanto alunos e familiares.

O diálogo franco e a incorporação do tema da violência como parte dos conteúdos ministrados em classe precisam ser intensificados como prevenção contra agressões entre alunos. As escolas não podem permitir que a violência em torno delas contamine um espaço nobre como o do saber.

domingo, 29 de janeiro de 2017

EDUCAÇÃO DESPORTIVA, DESCASO E IGNORANCIA









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Jorge Bengochea

















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Lula diz que tênis é 'esporte de burguês' e irrita ex-atletas. Declaração do presidente foi divulgada em um vídeo no You Tube. Para Meligeni, presidente deve desculpas

Por GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro 08/08/2010



Uma declaração dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva revoltou ex-tenistas como Fernando Meligeni e Vanessa Menga. Durante a inauguração de um projeto social na Favela da Maré, no Rio, um garoto da comunidade disse ao presidente que gostaria de praticar tênis. Lula respondeu dizendo que ele deveria tentar a natação e que tênis era um "esporte de burguês". O vídeo com a conversa do garoto com o presidente parou no YouTube.

No twitter, Fernando Meligeni foi o primeiro a criticar o presidente.

- Sei que vai repercutir. Mas que baita declaração infeliz do nosso presidente. Tenis é de burguesia? Deprimente declaração. Depois, quando os burgueses vencem torneios, eles politicos não acham isso e querem sair na foto do lado. Alem não deixar um menino ir atrás da sua vontade e sonho, ele diz para mudar de esporte. DEPRIMENTE exemplo. Deixe o menino sonhar. Muitos meninos que não são burgueses venceram no tenis. Guga não era rico. O pai do Oncins era cabelereiro. Querem mais? Acho que ele deve um pedido de desculpas aos tenistas. Sei que é nosso presidente e lhe devo o maior respeito. Mas ele pisou na bola.

Vanessa Menga, que tem um projeto social de tênis em Santa Catarina, também mostrou irritação.

- Olha que absurdo! Aí quando a gente ganha uma medalha eles colocam a gente pra andar de carro de bombeiro. É para deixar qualquer um de mal humor com essa declaração! Será que ele quer que eu enterre meu instituto e pare com os projetos sociais? Só pode ser isso que ele quer! Se ele soubesse quantos meninos e meninas temos jogando tão bem e alcançando seus sonhos! Me irritei!

Até o levantador Bruninho, da seleção brasileira de vôlei, apoiou os tenistas.

- Fininho mandou bem no desabafo! O presidente mandou malzão! É uma pena mesmo! Conheço projetos no Rio (na Lagoa) com criancas da favela. Vários que acabam jogando o circuito lá no rio. Mas ele mostrou muita ignorância! O que Guga, você (Meligeni) e o Oncins fizeram pra crescer o esporte e despertaram o sonho de tantas criancas de um dia serem tenistas! Qualquer tipo de crianca! Seja pobre ou rica!




quarta-feira, 27 de julho de 2016

QUEM VALE MAIS, DEPUTADO OU PROFESSOR?



ZERO HORA 27 de julho de 2016 | N° 18592


GILBERTO SCHWARTSMANN*




O bom político merece remuneração condizente. Mas quem assiste às sessões da Câmara dos Deputados não tem dúvida quanto à má qualidade de muitos deles. Falta-lhes preparo para o exercício do cargo. Têm baixa escolaridade. Pouca cultura. Alguns são réus ou condenados em processos por fraude ou corrupção.

Posso errar o cálculo, mas será por pouco. Cada um dos nobres deputados federais custa ao erário cerca de R$ 170 mil por mês. Isto mesmo. Façamos a conta. São R$ 34 mil por mês de salário, uns R$ 90 mil para cargos em comissão e R$ 45 mil para auxílio-moradia, alimentação, aluguel de carro etc.

Em resumo: o Brasil gasta mais de R$ 1 bilhão por ano com os 513 deputados federais. E cada deputado tem ainda direito ao ressarcimento de gastos médicos e outros serviços. Há ainda despesas com carros oficiais, em número de 11, para presidente, vice, presidente do conselho de ética, ouvidor e outros.

Os senadores da República custam até mais. Somados, deputados federais e senadores consomem mais de R$ 2 bilhões por ano de nosso dinheiro. Congresso caro, não? A título de comparação, tomemos apenas (apenas?) os R$ 34 mil que os deputados federais recebem de salário. Como esses valores se comparam aos salários dos professores?

Por que os professores? Muito simples. Os professores desempenham uma função essencial ao país. Sem ensino de qualidade, nunca teremos um país justo e desenvolvido. Na maioria das capitais brasileiras, o governo paga ao professor do Ensino Médio entre R$ 2 mil e R$ 3 mil mensais. No topo da pirâmide do Ensino Superior, o professor universitário titular de instituições federais, com dedicação exclusiva, recebe entre R$ 6 mil e R$ 17 mil.

Portanto, os deputados federais recebem salário 11 a 17 vezes maior do que o de um professor do Ensino Médio e duas a seis vezes maior do que o do professor universitário no ponto máximo da carreira.

Na comparação de custos totais ao erário, ou seja, salário mais extras, individualmente, é abismal a diferença no investimento público com professores e políticos. O professor do Ensino Médio custa 56 a 85 vezes menos ao Estado do que o deputado federal. E o professor titular, no ponto máximo da carreira universitária, 10 a 28 vezes menos.

No Brasil de Temer, não há o menor sinal de corte nos privilégios da classe política. Tampouco há evidência de uma maior valorização dos professores, por mais modesta que seja. Pelo andar da carruagem, o Congresso continuará incompetente e recebendo a peso de ouro. E o professor continuará mal pago e sem o menor reconhecimento. Mas não deixará de ensinar.

*Médico e professor

sexta-feira, 24 de junho de 2016

DESORDEIROS PRECOCES OU MILITANTE JUVENIL




ZERO HORA 24 de junho de 2016 | N° 18564. 
ARTIGOS


POR LUIZ CARLOS DA CUNHA*


DESORDEIROS PRECOCES OU AUTORIDADES INFANTIS


Assistimos nestes tempos tumultuados à irracionalidade avassaladora estrangular o bom senso. Escolas são invadidas por garotos, bloqueando colegas dispostos a frequentar as salas de aprendizado, desassistidos por seus pais, responsáveis legais por seus filhos, sob a inépcia das autoridades. Tanto as autoridades adstritas a educação e ensino, como as jurídicas focadas na infância. A tibieza das autoridades vem de longe, passo a passo, palmilhando a rota descensional da tolerância ao erro e ao crime. O secretário da Educação, ao invés de chamar os rebelados para debaterem pleitos em seu gabinete – o átrio legal de sua autoridade –, vai ao encontro dos invasores, parolar na escola violentada, dilapidada, agredida na postura acovardada de um refém. Consolida assim sua fragilidade perante a lei, ao mesmo tempo que alimenta os jovens na crença do desrespeito à ordem, à disciplina, aos princípios formadores da democracia. Constroem na atmosfera delinquente a inversão tolerada e estimulada dos valores legais e democráticos no rumo catastrófico da falta de limites.

Cabe aos adultos instruir as crianças, igual a outras espécies, na prática educativa e protetora dos limites necessariamente impostos aos filhotes em defesa da vida e integridade física; o Homo sapiens inclui os limites de ação prejudicial ao semelhante, à coletividade, na expressão peculiar e humana da moral. A consciência social. Impõe-se ao poder público e educacional a convocação dos pais e responsáveis pelos menores invasores da propriedade comunitária, esteada no juizado da infância e da juventude e no dever administrativo imposto pela Constituição.

Ou incute-se o império da lei, ou destrambelha-se o país pela dissolução social. Não há meios-termos a decidir. Flagramos um paradoxo irreprimível: uma infância precocemente revigorada no desrespeito à convivência social, por aqueles adultos, pais ou eleitos para o exercício da autoridade, anestesiados pelo infantilismo, irmanados na construção do desastre nacional.

*Escritor



POR FERNANDO FONTOURA*


OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER

O movimento estudantil protagonizou páginas heroicas ao longo da história de nosso povo. Inclusive, pode-se afirmar que a história do movimento estudantil confunde-se com a própria história das lutas populares no Brasil. E, obviamente, neste cenário de crise econômica e política, em tempo de golpe contra o Brasil, a estudantada se levanta, principalmente porque o golpe é também contra a educação.

E, no Rio Grande do Sul, a galera não fez feio! Ocupamos nossas escolas, fizemos diversas aulas e atividades, consertamos os problemas de nossos colégios abandonados, pintamos, arrumamos tudo, e ainda tivemos que resistir contra a voracidade reacionária daqueles estúpidos que quiseram nos expulsar à força, curiosamente os mesmos que querem uma escola que não tenha aula de história, geografia e demais ciências sociais, pois é isso mesmo que querem os que defendem o fascista projeto da “escola sem partido” (PL 190), que também são os mesmos que defendem a privatização da educação e demais serviços públicos (PL 44).

Porém, para choro deles, a gente venceu a surdez do governo Sartori quando tivemos a coragem de ocupar a Assembleia Legislativa do RS. E essa ocupação histórica garantiu R$ 40 milhões em repasse às escolas (antes o governo dizia não ter dinheiro), uma comissão estudantil fiscalizadora, a suspensão da tramitação do PL 44 neste ano e a configuração da vitória sobre o fascista PL 190, já que o mesmo está ridicularizado entre os deputados estaduais. Agora, é retomar as grandes mobilizações nas ruas para garantir o cumprimento da negociação feita com o governo Sartori, pois ele não costuma honrar o fio de seu volumoso bigode.

O comandante Carlos Marighella nos ensinou que é preciso ousar lutar, que é preciso ousar vencer. Hoje, a gurizada de luta aprendeu que, além da ousadia tão necessária, é preciso saber lutar e saber vencer também. Afinal, a guerra é feita de batalhas. E vencemos uma importante batalha contra o “sartorão”, agora precisamos avançar nas ruas pela vitória final. Porque ainda acreditamos que um dia a educação será realmente uma educação necessária ao Brasil e seu povo, será realmente uma educação popular.

*Estudante que ocupou sua escola (Escola Técnica Estadual Irmão Pedro), diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes)

sexta-feira, 20 de maio de 2016

ESCOLAS: OCUPAI!




ZERO HORA 20 de maio de 2016 | N° 18530


DELMAR BERTUOL*



Os grandes feitos da humanidade, artística, tecnológica e cientificamente, foram conquistados com transgressões. Nicolau Copérnico teve que enfrentar a ira de Deus, representada pela tardia Inquisição, pra provar que a Terra é redonda e que, por isso, não pode haver um único centro nela, tirando protagonismo divino. As melhores composições musicais e teatrais foram construídas a partir duma crítica social que, não raro, sofria perseguições e censuras dos governos respectivos. Construção, de Chico Buarque, faz parte de seu álbum O Político, censurado no Brasil pela ditadura militar – a mesma que alguns nostálgicos desvivenciados querem trazer de volta.

A transgressão é um pré- requisito pro sucesso. Só transpondo o estabelecido, os paradigmas, é que se consegue êxito em algo. Os limites existem pra serem transpassados. O status quo vigente só tem uma função, a de ser ininterruptamente desobedecido. Aliás, o status quo é tão obsoleto, que ainda se escreve em latim. Algo que ainda é escrito em latim, definitivamente, não deve ser obedecido.

Não defendo que todos têm que saber de cor o Código Civil, o Código Penal e a Constituição, só pra fazerem exatamente ao contrário. Mas um pouco de transgressão é salutar.

Leio que estudantes da rede estadual de ensino básico estão invadindo escolas. Eles acamparam e impedem o prosseguimento das aulas. Obrigam os professores a aderirem à greve. Colam cartazes no muro e gritam palavras de ordem. Um absurdo. Invasão de propriedade. Delito grave. Uma transgressão.

Os alunos fizeram suas as reivindicações dos professores. Os delinquentezinhos alegam que não é justo os professores ganharem tão pouco pra lhes aguentar a indisciplina cada vez mais frequente e ainda lhes ensinar. Alguns grupos mais ousados reclamam que não há papel higiênico nos banheiros e que as salas estão em péssimas condições. Os atrevidos resolveram pintar e limpar o pátio dos educandários, em regime de mutirão. Um horror antipedagógico. Os jovens devem saber sobre o Complexo de Golgi, e não sobre cooperativismo comunitário.

Fosse na época da ditadura, eles teriam seis meses de aula de Educação Moral e Cívica – tão útil – e cantariam o Hino Nacional em posição de sentido antes de dar o sinal, só pra aprenderem a ter amor à pátria.

Eu não sei o que meus colegas da rede estadual estão ensinando aos nossos alunos. Será que já não se decora a tabuada e se elenca o nome dos Estados e suas respectivas capitais pra ser cobrado na prova? Esses alunos estão contestando o status quo, que eles nem sabem o que é, pois se aprende diversidade linguística em detrimento do latim, pelo visto.

Esses transgressores são perigosos. Pensam demais. Não demora, quererão ser artistas. Era só o que faltava.

*Professor