EDUCAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Defendemos uma política educacional multidisciplinar integrando os conhecimentos científico, artístico, desportivo e técnico-profissional, capaz de identificar habilidade, talento, potencial e vocação. A Educação é uma bússola que orienta o caminho, minimiza dúvidas, reduz preocupações e fortalece a capacidade de conquistar oportunidades e autonomia, exercer cidadania e civismo e propiciar convivência social com qualidade, dignidade e segurança. O sucesso depende da autoridade da direção, do valor dado ao professor, do comprometimento da comunidade escolar e das condições oferecidas pelos gestores.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

VIOLÊNCIA: AMERICANOS PROPÕEM ARMAR E TREINAR PROFESSORES

ZERO HORA 28/12/2012 | 17h03

Após massacre. Americanos propõem armar e treinar professores contra a violência. Medidas surgem após massacre de Newtown e se contrapõem à restrição às armas que será defendida pela Casa Branca


Promotor do Arizona quer permitir porte de armas para diretores nas escolasFoto: AFP / George Frey


O debate sobre as armas de fogo nos Estados Unidos deu um novo giro esta semana com a decisão de dezenas de professores do Estado de Utah de fazer aulas de tiro e um promotor do Arizona propor uma lei permitindo o porte de armas para os diretores nas escolas.

A discussão sobre as armas nos Estados Unidos voltou à tona após a recente morte de 20 crianças e seis adultos em uma escola primária de Newtown, (Connecticut), vítimas de um jovem armado com um fuzil de assalto.

Entre as medidas propostas está armar funcionários das escolas e treinar professores no uso de armamento, o que tem o óbvio apoio do lobby a favor das armas.

Na quinta-feira, o Conselho de Tiro Esportivo de Utah (USSC) isentou os professores deste Estado da taxa de 50 dólares por aulas de tiro, apoiando a proposta de se armar os educadores.

Paralelamente, o procurador-geral do Arizona, Tom Horne, apresentou um projeto de lei para permitir que o diretor e outro funcionário designado de cada escola possam portar armas dentro da instituição, após o devido treinamento na polícia.

Tais propostas se somam ao projeto de lei apresentado na semana passada, no Missouri, para permitir que professores e pessoal administrativo possa portar armas nas escolas.

No momento, apenas os Estados de Utah e Kansas permitem o porte de armas dentro de instituições de ensino.

Estando armado, "o professor não apenas poderia enfrentar um atirador, mas desestimularia os alunos maus com a consciência de que os professores de Utah utilizam armas", disse à AFP Bill Scott, membro do USSC, que atraiu 400 educadores interessados em aulas de tiro.

"Não estamos querendo armar todos os professores, apenas defendemos que os que decidam fazê-lo e desejem treinamento tenham este direito em Utah. Queremos facilitar isto", destacou Scott.

Tom Horne disse ao apresentar seu projeto de lei que "a solução ideal seria um policial em cada escola", mas como isso é economicamente inviável, "o melhor é que cada escola tenha uma pessoa treinada no manejo de armas e na gestão de emergências".

Segundo o site do jornal Huffington Post, legisladores republicanos de ao menos seis estados planejam apresentar em 2013 projetos de lei que permitem o porte de armas de professores nas escolas.


AFP

EDUCAÇÃO REPETENTE

ZERO HORA 28 de dezembro de 2012 | N° 17296


EDITORIAL


Há pouco mais de quatro anos, num texto intitulado “No limiar do século 21”, o sociólogo Hélio Jaguaribe ressaltava que, depois da universalização do Ensino Fundamental, o desafio do país nessa área passava a ser o de garantir uma melhora significativa na qualidade da educação de base. Simultaneamente, ficava comprometido a aumentar também o nível e o acesso ao Ensino Médio. Em plena segunda década do novo século, há avanços discretos em relação a esses aspectos. O país, porém, mantém-se preso a padrões de ensino típicos do século 19 e segue sem conhecer as competências necessárias para um mercado de trabalho no qual o que conta é o conhecimento. Pior: além de reduzida, a média de anos de estudo dos brasileiros, de maneira geral, está associada a ensino de qualidade duvidosa, o que ajuda em muito a explicar os baixos índices de produtividade dos trabalhadores brasileiros e a insatisfação acentuada com os ganhos salariais. Essas, provavelmente, são as questões mais desafiadoras para um país que pretende expandir sua economia e figurar no ranking dos mais competitivos.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dão uma ideia clara da distância que ainda separa o Brasil de países adiantados. O mais preocupante deles é a média de apenas 7,3 anos de estudos, indicando que uma parcela expressiva da população brasileira não tem sequer o Ensino Fundamental completo. Entre os brasileiros que já estão no mercado de trabalho, apenas 46,8% cursaram o Ensino Médio e uma parcela muito menor – 12,5% – o Ensino Superior completo. Mesmo entre esses cidadãos privilegiados com um período mais longo de presença em sala de aula, a situação não é das mais favoráveis. O número reduzido de quem frequenta a pré-escola e a falta de qualidade do ensino de maneira geral fazem com que apenas um pequeno percentual, já na fase adulta, lide bem com as quatro operações no dia a dia e consiga interpretar um simples texto. Como imaginar o país em condições de competir com os que apostaram no conhecimento, numa situação dessas?

O Brasil deveria levar mais em conta os alertas de especialistas de que a pouca atenção ao ensino está na origem de crises econômicas como a registrada hoje em âmbito internacional ou de dificuldades de aproveitar o seu potencial para se desenvolver. Ruim para o país, o descaso com o ensino é péssimo para a população, pois há uma relação evidente entre tempo de estudo e desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Um ano a mais de aprendizado já é suficiente para ampliar em 15% a renda de um profissional. No caso de quem tem Ensino Superior completo, o impacto é estimado em 47%. Em consequência, a diferença em relação ao ganho de quem tem apenas Ensino Médio para quem foi além nos estudos alcança 167%, fator de peso para justificar a importância de um curso superior.

Os avanços do terceiro grau, principalmente depois da implantação de avaliações regulares, contrastam com os dos demais níveis de ensino. A universidade evoluiu, a ponto de algumas instituições brasileiras serem reconhecidas internacionalmente. Os universitários, como bem lembrou a presidente Dilma Rousseff na sua mensagem de final de ano aos brasileiros, vêm sendo contemplados com programas como o ProUni, que concede bolsas para graduação, e o Ciência Sem Fronteiras, que já enviou 20 mil alunos para estudar no Exterior. Apesar da universalização, porém, o ensino básico se fragilizou de maneira preocupante. Uma das razões pode estar no fato de receber bem menos recursos do que o Ensino Superior, com repercussões também sobre os ganhos e a motivação dos professores.

O país subestimou o fato de que a educação básica, para a qual o sociólogo Hélio Jaguaribe defende mais qualidade, é decisiva para o aprendizado e para a formação de profissionais em todas as áreas. Há omissões comprovadas da União, dos Estados e dos municípios, que transferem responsabilidades uns aos outros quando o assunto é educação. O efeito danoso disso tudo, que precisa ser atacado, é claro: crianças e adolescentes sem a total compreensão do que estudam e, mais adiante, profissionais com formação deficiente, incapazes de se realizar pessoalmente, de conquistar boa parcela das vagas oferecidas pelo mercado e de contribuir para um país mais próspero e mais justo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

LEI DE CONSEQUÊNCIAS IMPREVISÍVEIS

JORNAL DO COMÉRCIO, 27/12/2012

Darcy Francisco Carvalho dos Santos


A Assembleia Legislativa aprovou a proposta do governo do Estado que concede 76,7% de reajuste nominal ao magistério, índice esse acumulado nos quatro anos, sendo a maior e última parcela, de 13,7%, em novembro de 2014. O piso nacional está em R$ 1.450,00 desde janeiro do corrente ano e o governo está oferecendo três anos depois, em novembro de 2014, R$ 1.260,00 (87%), tomando como base a variação do INPC aplicada sobre o valor inicial do piso quando da edição da lei em 2009. Segundo a lei, o piso deve ser reajustado com base na variação do Fundeb, no mês de janeiro de cada ano. Como a variação do Fundeb é muito maior que a da receita, o critério é impraticável, e nisso o governo tem razão. O que se lamenta, no entanto, é que o atual governador tenha assinado a lei em causa como ministro do governo Lula. Como retroceder agora para mudar o critério, se já houve dois reajustes e estamos próximos do terceiro?

Como os reajustes são devidos em janeiro, ao conceder a maior parcela em novembro de 2014, o governo também não cumpre o piso nem pelo critério do INPC, transferindo a conta para o governo seguinte, que receberá a folha de pagamento da categoria em 2015, considerando o reajuste devido em janeiro, acrescida de mais de 18%, portanto, em torno de R$ 1 bilhão a mais. Além disso, se os professores ingressarem na Justiça para receber a diferença entre o que o Estado está lhes pagando e o valor do piso nacional, será formado um passivo trabalhista de R$ 9 bilhões, que, certamente, se transformará em precatórios judiciais, dobrando a atual dívida com esse item. Esse cálculo levou em conta que a partir de 2013 o piso nacional fosse reajustado pelo INPC e já se sabe que será por um índice maior. A aprovação da lei referida, por não cumprir, nem buscar alternativas para o cumprimento do piso, provocará as piores consequências para as finanças estaduais. Quem viver verá!

Economista

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O PROFESSOR É O GRANDE SEGREDO

ZERO HORA 24/12/2012 e 25/12/2012 | N° 17293

A EDUCAÇÃO PRECISA DE RESPOSTAS

A Finlândia não atrai a atenção do mundo só por apresentar os melhores resultados em avaliações internacionais, mas por desprezar políticas colocadas em prática em outros países


MARCELO GONZATTO* | HELSINQUE, FINLÂNDIA

Um país pequeno, com metade da população do Rio Grande do Sul, ostenta um dos melhores sistemas educacionais do mundo. Na Finlândia, estuda-se menos horas do que no Brasil, o ensino enfatiza a arte e a criatividade, não há avaliação externa das escolas e a ideia de premiar professores por desempenho é considerada nociva.

Recentemente, o modelo nórdico foi eleito o melhor em um ranking no qual o Brasil ficou na 39ª posição e à frente apenas da Indonésia. Mas o paradoxo finlandês começou a chamar atenção quando ficou entre os líderes da primeira edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que mede o conhecimento de alunos desde 2000. A partir daí, o país europeu é o mais bem colocado em rankings educacionais junto a asiáticos como a Coreia do Sul.

Boa parte dos jovens coreanos, porém, estuda mais de 10 horas por dia. Os finlandeses, como ZH testemunhou ao circular por escolas daquele país, têm uma das menores cargas letivas do planeta, aprendem em colégios públicos gratuitos e descontraídos – onde tratam os professores pelo primeiro nome – e têm tempo generoso para lições de arte e trabalhos manuais. Instituições da capital Helsinque, como a Viikki ou a Helsingin Normaalilyseo, mais parecem galerias de arte onde se expõem obras produzidas por alunos.

Os professores colam fotos sorridentes nas portas de suas salas, e sentam ao lado dos alunos para a refeição diária a que todos têm direito. As aulas se baseiam em resoluções de problemas e na interatividade, como nas lições de inglês do professor Riku Mäkelä.

– Formem duplas. Um lê o texto que está no quadro, memoriza e dita para o colega escrever – orienta.

Mäkelä, que tem doutorado, conta com liberdade para planejar as aulas e fazer adaptações no currículo, podendo alterar a ordem ou a ênfase de conteúdos. Países orientados pelo modelo americano investem em um perfil mais próximo ao mundo dos negócios, com controle sobre a gestão escolar e o currículo, aposta em avaliações padronizadas de alunos, classificação de escolas e oferta de prêmios ou sanções aos professores. Os finlandeses seguem a crença de que não se cria um país bem-educado à força.

– Não desistimos das pessoas. Damos tempo aos professores para trabalharem e temos um bom sistema de apoio aos alunos – afirma o conselheiro do Ministério da Educação da Finlândia Aki Tornberg.

O pilar que sustenta o aparente milagre finlandês é a qualidade dos educadores. Os melhores alunos se candidatam aos cursos de formação igualmente públicos e gratuitos, onde devem alcançar o nível de mestrado. Com essas credenciais, não são submetidos a qualquer inspeção externa – embora sejam feitos testes por amostragem para monitorar a qualidade do sistema em geral. Alunos recebem atenção individualizada ao primeiro sinal de dificuldade.

A repetência caiu de 50% nos anos 1970 para menos de 2%. Na Finlândia, o investimento por aluno é 30% inferior ao dos americanos, por exemplo. Uma questão em aberto é o quanto do surpreendente modelo nórdico pode ser adaptado a outras culturas e dimensões nacionais. Essa pergunta, porém, cabe ao resto do mundo responder.

*O repórter viajou a convite da Embaixada da Finlândia no Brasil


Como aprender com o modelo finlandês

O governo gaúcho tem intenção de se aproximar da Finlândia para conhecer melhor o sistema nórdico. Embora ainda não exista um projeto formalizado de intercâmbio, a Secretaria Estadual da Educação (SEC) se interessa principalmente pela forma como os europeus lidam com as avaliações – utilizando-as como referência, mas não para estabelecer rankings ou pagar professores.

– Temos interesse em conhecer melhor o funcionamento desse sistema, principalmente a avaliação, que é muito diferente da nossa. Não valorizam os testes como elemento definidor da qualidade. O definidor é a capacidade do indivíduo de resolver problemas, enfrentar desafios e liderar – afirma o titular da SEC, Jose Clovis Azevedo.

O estímulo à iniciativa pode ser exemplificado por estudantes da escola Viikki como Ida Virta e Nelli Wiksten, 16 anos. A fim de custear um passeio escolar a Berlim (Alemanha), as colegas usam espaços do colégio secundário onde estudam como oficina para a produção de cartões natalinos que serão vendidos na comunidade. Com o recurso, pretendem fazer a viagem.

– Dá bastante trabalho, mas é bom – conta Nelli.

Criatividade, arte e trabalhos manuais fazem parte do currículo finlandês. Mas, para que o ensino das disciplinas mais tradicionais não seja comprometido, o modelo depende de figuras como a professora em treinamento Gutta Laaksonen, 25 anos. Ela já tem um mestrado e agora busca sua segunda pós-graduação para lecionar para as séries iniciais. Na adolescência, pensou em seguir outras carreiras, mas a admiração que a profissão de educador desperta na sociedade finlandesa e sua história familiar foram determinantes:

– Minha mãe, minha avó e uma tia escolheram ser professoras. O que me move não é o dinheiro, mas o fato de ser uma profissão muito admirada.

A representação diplomática do Brasil na Finlândia afirma que está em fase inicial um projeto para enviar alunos universitários de pedagogia brasileiros para complementar os estudos naquele país. Porém, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) se limita a informar de que ainda não foi tomada nenhuma iniciativa oficial.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Não considero segredo, a importância do professor na Educação. Em qualquer empresa ou organização, pública ou privada, os mais importantes são as PESSOAS que levam o negócio, a missão, o objetivo e as metas até o destino e resultados. Na educação são os professores, na polícia são os policiais, nas empresas os trabalhadores e na saúde os médicos, técnicos e agentes de saúde. No Brasil, os governantes só valorizam os altos cargos do serviço público, os com poder de retaliação e os apadrinhados com cargos comissionados, desvalorizando e discriminando os da linha, onde está realmente a imagem do poder governante junto à população. Não é a toa que ops serviços públicos no Brasil são de péssima qualidade, pois não há investimentos no pessoal de linha.

SALÁRIO DO MAGISTÉRIO: AUMENTA O ABISMO


ZERO HORA 24/12/2012 e 25/12/2012 | N° 17293

Abismo entre piso nacional e do RS. No início de 2013, por decisão do MEC, remuneração básica de professores será de R$ 1,7 mil contra R$ 977 do mínimo estadual

CARLOS ROLLSING

Uma das principais dores de cabeça do governo Tarso Genro, o piso nacional do magistério voltará a incomodar na primeira quinzena de 2013. Dias depois da virada do ano, o Ministério da Educação (MEC) deverá publicar a portaria que determina o reajuste do básico dos professores em 21%, o que elevará, a partir do contracheque de fevereiro, a remuneração dos atuais R$ 1.451 para R$ 1.755,51.

O ato irá aumentar o abismo entre o que é pago pelo governo estadual e o que é previsto pela legislação federal. Em fevereiro de 2013, com a incidência da última parcela de 6% de um reajuste aprovado em março de 2012, o Piratini terá salário inicial de R$ 977,05 para 40 horas semanais de trabalho. O valor é pouco mais da metade dos R$ 1.755,51 que passarão a vigorar no princípio do próximo ano.

O projeto de lei aprovado pelo governo na semana passada na Assembleia concede mais três parcelas de reajuste, totalizando 28,98%, que farão o básico pago pelo Estado alcançar R$ 1.260 em novembro de 2014. O cenário indica que, mantidas as atuais regras – que preveem a correção do mínimo da categoria pelo índice custo/aluno do Fundeb –, o governo gaúcho chegará ao final com uma defasagem de R$ 495 em relação ao salário de 2013.

– Hoje, estamos mais distantes do piso do que quando o Tarso assumiu – afirmou Neida de Oliveira, vice-presidente do Cpers.

O índice de 21% de reajuste ainda não foi oficializado pelo MEC, mas, nos bastidores, essa expectativa já está praticamente confirmada entre centrais sindicais, chefes de Executivo e parlamentares. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) publicou estudo que vai ao encontro da projeção.

Governo federal não quer abrir mão de atual política salarial

O Estado enfrenta dificuldades para alcançar o patamar do piso porque ele é o básico sobre o qual incidem as vantagens do plano de carreira do magistério. Em 2012, o Rio Grande do Sul precisaria ter acrescentado R$ 2 bilhões na folha do magistério para alcançar o mínimo de R$ 1.451.

O governo Tarso segue apostando em duas frentes: tentar tornar inconstitucional o reajuste pelo custo/aluno do Fundeb no Supremo Tribunal Federal (STF), adotando o INPC como índice de correção, ou articular um acordo no Congresso que modifique a lei e reduza o indexador salarial. Para desgosto do Piratini, o governo federal emite sinais de que não abrirá mão da atual política do piso, enquanto a base aliada no Congresso está dividida.


Polêmica salarial

- Atualmente, o Estado paga como salário básico – valor inicial, sem a incidência de vantagens do plano de carreira – R$ 921,75 para 40 horas semanais de trabalho.

- Em fevereiro, o valor será de R$ 977,05 devido à última parcela de 6% de reajuste de 23,5% aprovado pelo Piratini em março de 2012.

- Em 2012, o piso nacional foi de R$ 1.451. Sobre esse valor deveriam incidir as vantagens do plano de carreira, o que geraria um impacto financeiro extra de R$ 2 bilhões nas finanças estaduais.

- Na semana passada, o Piratini aprovou na Assembleia novo reajuste, desta vez de 28,98%, em três parcelas, divididas entre novembro de 2013, maio e novembro de 2014. Ao final do governo Tarso, com os reajustes, o básico estará em R$ 1.260.

- Como a correção de 21% pelo índice custo/aluno do Fundeb deve se confirmar no início de janeiro, o piso nacional irá saltar para R$ 1.755,51. Isso distanciará o Piratini do cumprimento da promessa de campanha eleitoral.

- Em seu favor, o governo Tarso argumenta que nenhum professor está recebendo menos do que os R$ 1.451 previstos pelo piso se for considerada a remuneração básica mais os penduricalhos do plano de carreira.

LIÇÃO DE FIM DE ANO

ZERO HORA 24/12/2012 e 25/12/2012 | N° 17293


EDITORIAIS


O norte-americano Mike Feinberg tem uma fórmula singela para que a educação formal seja eficiente, sem invenções e sem custos fora do normal. Sugere que as escolas acolham professores que dominem de fato os conteúdos, ensinem seus alunos com paixão e sejam recompensados, inclusive financeiramente, por suas performances. E defende que estudantes só aprendem mesmo se estiverem imersos no aprendizado de forma integral. Feinberg não é mais um teórico da educação, é o líder de uma experiência exitosa chamada Kipp Schools, uma rede de mais de cem escolas espalhadas por 20 Estados americanos, que começam a ser copiadas por outros países.

O Brasil deve ouvi-lo, não necessariamente para copiar tudo o que faz, mas para inspirar-se em suas iniciativas, no momento em que a educação precisa de respostas. Autoridades, educadores e pais aprenderão muito se prestarem atenção nas recomendações e nas ações do norte-americano, que não se baseiam em suposições, mas em práticas pedagógicas e de gestão que revolucionam pela simplicidade.

O educador esteve recentemente no Brasil, a convite do Instituto Fernand Braudel. Suas experiências se sustentam na certeza de que as escolas não podem terceirizar responsabilidades para governos, para comunidades e muito menos para os pais, geralmente acusados de baixo protagonismo.

Fracassos dentro do colégio, ensina Feinberg, devem ser contabilizados em sua maioria na conta da ineficiência da própria escola. É cômodo atribuir deficiências a famílias e a governos. Nas escolas lideradas por ele, muitas em periferias pobres e mantidas com recursos públicos e privados, os estudantes têm alto desempenho em testes de proficiência em escrita, leitura e matemática. Na visita ao Brasil, Feinberg lembrou que escolas do México, da África do Sul e da Índia já adotaram seus métodos e interrogou-se: por que não aqui?

Podemos responder que aqui, com raras e honrosas exceções, a educação ainda é orientada por erros que as equipes comandadas pelo americano já eliminaram. Para relembrar, vale a pena listar algumas das falhas, citadas em suas conferências: o corporativismo que inibe a adoção de critérios de recompensa de professores por meritocracia, a baixa carga horária e a proteção, exercida muitas vezes pelas próprias direções, que mantém nos educandários profissionais sem vocação ou sem habilitação para o que fazem.

Duas palavras resumem o que pensa Feinberg: tempo e esforço, numa referência à escola de período integral e à dedicação que fará com que os estudantes sejam cada vez melhores no que se dispõem a aprender. O Brasil ainda está distante, pelos fatores já listados, do ambiente ideal que o americano não só idealiza, mas vivencia. Para seguir o exemplo de suas escolas, é preciso bem mais do que simplesmente sair da inércia. Mudar a educação requer vontade, esforço, talento, tempo e paixão.

sábado, 22 de dezembro de 2012

INSEGURANÇA: ASSOCIAÇÃO DE RIFLES DOS EUA DEFENDE POLICIAIS ARMADOS NAS ESCOLAS

 REDAÇÃO ÉPOCA, O FILTRO, 21/12/2012




A National Rifle Association (NRA), o mais influente grupo de defesa do direito de portar armas dos Estados Unidos, se pronunciou nesta sexta-feira (21) sobre o novo plano do presidente dos EUA, Barack Obama, de restringir as armas de fogo no país.

Obama prometeu apresentar uma proposta em janeiro para controlar armas de fogo. A decisão ocorreu após o mais recente massacre envolvendo armas de fogo nos Estados Unidos, quando um atirador matou sua mãe e outras vinte crianças em uma escola primária em Newtown, Connecticut.

Wayne LaPierre, vice-presidente da associação, convocou a imprensa americana e leu uma nota onde a NRA argumenta que diminuir as armas não é uma política eficaz para acabar com massacres. Segundo a CNN, LaPierre disse que as escolas são alvos de atiradores porque não estão protegidas por policiais portando armas de fogo.

Segundo o The New York Times, LaPierre comparou as escolas com bancos e aeroportos, que são protegidos por agentes armados.

“Se armas são usadas para proteger bancos, aeroportos e políticos, por que é ruim quando elas são usadas para proteger nossas crianças nas escolas?”, perguntou. “Não temos apenas o dever de proteger as crianças, temos também o direito de que elas sejam protegidas”.


LaPierre defendeu medidas mais contundentes para lidar com pessoas com problemas mentais ou psicológicos, e culpou músicas, filmes, vídeo-games e a mídia por criar uma cultura de violências nos Estados Unidos. “Existe neste país uma indústria corrupta e sombria que vende violência contra o seu próprio povo por meio de games violentos, com nomes como Grand Theft Auto, Mortal Kombat, e atéKindergarten Killers [Assassinos do jardim de infância]“, disse.



A declaração do vice-presidente da associação foi interrompida duas vezes por manifestantes anti-armas, que levaram faixas com dizeres como “NRA está matando as nossas crianças” e “A NRA tem sangue nas mãos”. Estima-se que cerca de 4 milhões de americanos são afiliados à NRA.

Fotos: Evan Vucci/AP


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Concordo. Todas as Escola públicas deveriam ter um policial armado na segurança dos alunos e as Escolas privadas um segurança privado, além de equipamentos para monitorar e impedir entrada de armas. Já está na hora de proteger as crianças da violência e das drogas

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O ENSINO REPROVADO


ZERO HORA 20 de dezembro de 2012 | N° 17289

EDITORIAIS


Foi rápida e radical a reação do Ministério da Educação ao fato de que muitos cursos superiores do país não oferecem as mínimas condições de funcionamento. Determinou o MEC que sejam suspensos os vestibulares para admissão em 207 cursos, de 185 instituições, reprovados por indicadores que avaliam a qualidade das graduações. Pela primeira vez, o ministério adota uma medida com esse alcance, com base no Conceito Preliminar de Curso, e a determinação é uma punição exemplar, porque as entidades atingidas tiveram seus nomes divulgados.

As autoridades oferecem uma chance para que as instituições possam se recuperar. Pelo que se constatou na listagem recentemente divulgada, com as notas obtidas pelos cursos, essa é uma tarefa que exigirá grande esforço e certamente não será cumprida por boa parte dos reprovados. Serão cancelados, em alguns casos para sempre, os vestibulares de cursos com estrutura, práticas pedagógicas e corpo docente precários. Os próprios alunos já sabiam ou suspeitavam da situação que o MEC agora oficializa. É uma medida dura, de efeito imediato, que rompe com a inércia do Ministério da Educação, pois até então a proibição de recebimento de novos vestibulandos só acontecia depois de demorado processo administrativo.

Cursos mantidos a qualquer custo, alguns com o único objetivo de atender à crescente demanda de estudantes, induzem ao engano de que o acesso à universidade teria sido facilitado. A proliferação de faculdades públicas e privadas é um fenômeno recente, que prosperou pela fragilidade dos controles que só agora o MEC parece estar aperfeiçoando. Espera-se que a vigilância redobrada corrija as distorções e resulte na qualificação de uma formação universitária ainda deficiente em muitas áreas, o que impede o preenchimento de milhares de vagas oferecidas pela indústria. Faculdades precárias não podem continuar enganando a todos – os estudantes, as autoridades e o país.

SEM PISO, REAJUSTE NO FINAL DO GOVERNO TARSO


ZERO HORA 20 de dezembro de 2012 | N° 17289

MARATONA LEGISLATIVA. Assembleia aprova pacote do Piratini

JULIANA BUBLITZ

Em sessão tumultuada, a Assembleia apreciou ontem 42 projetos de lei, a maioria encaminhada em um pacote do Piratini. Dois provocaram mais polêmica: o reajuste para os professores e a criação de um regime simplificado de contratação de obras. Sobre o novo mínimo regional, também alvo de controvérsia, leia na página 22.

Recuperado da desarticulação que marcou a sessão da Assembleia Legislativa de terça-feira, o governo Tarso Genro garantiu ontem a aprovação do reajuste de 28,98% para os professores estaduais. Dividido em três parcelas, o aumento oferecido pelo Piratini será pago entre novembro de 2013 e novembro de 2014. O professor em início de carreira ganhará R$ 1.260,29.

As galerias ainda estavam vazias, às 9h20min de ontem, quando o debate em torno do projeto foi retomado. Bastaram 15 minutos para o clima esquentar, a ponto de dois deputados quase saírem no braço ao final da votação, diante das câmeras e de três dezenas de manifestantes do Cpers.

A discussão havia sido interrompida na terça-feira por falta de quórum. Ontem, o governo garantiu as presenças necessárias para fazer valer a proposta, à revelia da posição dos sindicalistas e da oposição.

Com a aprovação, por 26 votos a um, Tarso chegará ao final de seu governo ostentando um percentual de reajuste elevado (de 76%) para a categoria. O problema é que, mesmo assim, a remuneração básica ficará abaixo do piso nacional, se o atual índice de correção (pela variação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o Fundeb) for mantido.

– Tarso está dando um reajuste além das possibilidades financeiras do Estado. Ao mesmo tempo, o magistério está descontente, porque quer o piso. O resultado é uma confusão danada – resume a ex-secretária de Educação, Mariza Abreu, que sentiu na pele as pressões do Cpers no governo Yeda Crusius (PSDB).

Catarina votou contra o Piratini

Ontem, a contradição ganhou vida no plenário. Por convicção pessoal, deputados aliados optaram por não votar, como fez Cassiá Carpes (PTB), ou por votar contra o governo, a exemplo de Catarina Paladini (PSB). A oposição lavou as mãos, mas não se calou.

Em meio aos gritos dos professores, Jorge Pozzobom (PSDB) não se conteve. Caminhou em direção a Raul Carrion (PC do B), que deu aval à proposta e chegou a ser chamado de “traidor” e de “vendido” pelo Cpers, e ironizou:

– Depois o senhor vai pedir votos para eles, deputado?

Foi o suficiente para exaltar ânimos e irritar Carrion. Ambos tiveram de ser contidos por seguranças.

CLIMA QUENTE

Na votação do reajuste para o magistério, o tucano Jorge Pozzobom (à direita) resolveu provocar o comunista Raul Carrion (de gravata vermelha). O bate-boca quase terminou em briga. Mais tarde, Pozzobom disse que era “brincadeira”. Já Carrion chamou de “baixaria”.

Depois de garantir o reajuste para os professores, o governo Tarso também conseguiu aprovar um atalho para driblar a burocracia pública. Trata-se do regime diferenciado de contratações (RDC). O novo modelo promete reduzir a tramitação de uma licitação em 82%. Com isso, o Piratini planeja destravar obras pelo Estado.

Disposto a superar entraves burocráticos e a tirar obras do papel em 2013, o governador Tarso Genro conseguiu ontem uma vitória importante na Assembleia Legislativa: a aprovação do projeto que autoriza o Executivo a adotar o regime diferenciado de contratações (RDC).

A intenção é agilizar os trâmites para obras específicas, incluindo iniciativas ligadas à Copa e ao PAC no Estado. Por meio do RDC, é possível simplificar os processos.

Os argumentos, no entanto, não convenceram a oposição. Os parlamentares contrários à alteração temem que a mudança possa acabar gerando distorções e abrindo brechas para irregularidades.

– Votei contra, porque acredito que o projeto merecia mais debate. Mas o governo simplesmente nos patrolou – disse Frederico Antunes (PP).

Há também o receio de que, ao aprovar a alteração em nível estadual, a Assembleia esteja abrindo um precedente para que os municípios adotem a simplificação, multiplicando riscos.

– Esse projeto altera as normas de licitação, o que é proibido pela Constituição. O mais correto seria retirar da pauta e discutir melhor – alertou Jorge Pozzobom (PSDB).

A base governista não aceitou a sugestão por considerar a estratégia fundamental para destravar o desenvolvimento do Estado. A expectativa, segundo Marisa Formolo (PT), que defendeu a ideia na tribuna, é reduzir em pelo menos um quinto o tempo entre o lançamento do edital e a obra.

Procurador critica modelo

Com isso, os petistas esperam acelerar a capacidade de ação da atual administração e, embora não admitam publicamente, abrir caminho para a reeleição de Tarso em 2014.

– Temos 2,5 mil escolas que precisam de reformas e presídios necessitando de manutenção, sem contar o resto. Só isso já justifica a aprovação – disse Marisa.

Apesar do otimismo, o procurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo da Camino, é um crítico do modelo. Segundo ele, embora o RDC traga avanços, também tem pontos nocivos à transparência dos procedimentos envolvendo dinheiro público e pode abrir espaço para fraudes.

– Um dos pontos negativos do modelo é o sigilo do orçamento. O outro é a contratação integrada. É razoável supor que quem faz o projeto pode fazê-lo de forma a cobrar mais pela obra. E isso é um risco – pondera Da Camino.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

ESTUDANTE É FERIDO A CANIVETE POR COLEGA

ZERO HORA 11 de dezembro de 2012 | N° 17280


BRIGA DE GAROTOS


Um estudante de 16 anos foi ferido ontem com golpes de canivete em frente à escola em Passo Fundo, no norte do Estado. Segundo a polícia, ele e o agressor, de 14 anos, são colegas de sala de aula. 

Os estudantes do 7º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Guaracy Barroso Marinho, no bairro José Alexandre Záchia, teriam sido dispensados das aulas por volta das 11h. 

Até o final da tarde de ontem, o jovem seguia internado na emergência da casa de saúde, em estado estável. 

No local, testemunhas relataram à polícia que o agressor sofria bullying na escola.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

EDUCAÇÃO INFERIOR

ZERO HORA 10 de dezembro de 2012 | N° 17279

EDITORIAIS


Mesmo que tenha evoluído, entre 2008 e 2011, ainda é desconfortável a situação do Ensino Superior brasileiro, conforme recentes avaliações divulgadas pelo Ministério da Educação. Pelo chamado Índice Geral de Cursos, que analisou a qualidade de 2.136 universidades, faculdades e centros universitários, apenas 27 atingiram o conceito máximo, ou 1,3% do total. A maior preocupação está na base da pirâmide, onde mais de 500 instituições ficaram com notas abaixo do que o MEC considera o mínimo para que um curso possa funcionar. Isso quer dizer que pelo menos um quarto das escolas avaliadas não passou na prova. É um dado com poder de alarme.

O ministro Aloizio Mercadante entende que, apesar da performance geral ainda ter alto índice de insuficiência, é preciso reconhecer avanços. Baseia-se o ministro em indicadores de uma melhora quase imperceptível em relação a 2008. O que o MEC deve levar em conta é que, bem abaixo de uma elite de 15 universidades públicas, entre as quais a UFRGS, e 12 privadas, há no sistema universitário brasileiro um contingente de instituições sem a menor condição de ensinar.

São submetidos à avaliação, no Índice Geral e em outros indicadores, a titulação do corpo docente, o desempenho dos estudantes no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), as práticas pedagógicas e a infraestrutura das faculdades. Instituições com instalações razoáveis podem ser as mesmas com um quadro precário de professores, o que comprova um fenômeno recente do Brasil. Com a ampliação do alcance de programas oficiais de acesso à universidade e a ascensão econômica e social de boa parte da população, proliferaram cursos superiores.

A educação universitária transformou-se num bom negócio, para atender à demanda crescente de estudantes. O inchaço provocou um engano. Há muita gente frequentando faculdades que já deveriam ter sido impedidas de funcionar. O próprio ministro reconhece que, ao frequentar as salas de aula de tais entidades, um aluno corre o risco de pouco ou nada aprender. Recomenda o senhor Mercadante que os vestibulandos consultem o ranking do MEC, para que não corram riscos.

O MEC não pode, no entanto, resumir sua interferência a um alerta aos estudantes. É atribuição do ministério, a partir do que foi apurado, adotar medidas concretas de restrição às faculdades com deficiências, em especial as reincidentes. O que não pode ocorrer é deixar por conta dos vestibulandos a responsabilidade por decisões que, mais adiante, podem se mostrar desastrosas. Estudantes que, com sacrifício, conseguem vagas em instituições privadas não podem ser punidos pelo esforço representado por uma formação superior – considerando-se principalmente os aspectos financeiros da empreitada. Perdem os estudantes e o país pelo desperdício de recursos, de tempo e de projetos pessoais.

sábado, 8 de dezembro de 2012

BULLYING DOCUMENTÁRIO

Divulgação

Em 2011, cerca de 13 milhões de crianças americanas sofreram algum tipo de bullying, seja na escola, no ônibus, em casa, no bairro em que moram ou através de celulares e da internet. Este documentário faz uma análise dessa situação, levando em conta tanto as vítimas quanto quem pratica bullying, além de questionar o silêncio em torno do assunto.


Bullying (Bully)

Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 98 minutos
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos

Diretor: Lee Hirsch
País de Produção: EUA (2011)

Roteiro previsível com papel nobre

Alex é um menino de 12 anos que nasceu prematuro e possui uma deformação nos lábios que fez com que os colegas de escola o apelidassem de Boca de Peixe. A aparência que faz lembrar um Butt-Head de óculos somada ao jeito introspectivo tornam o garoto um alvo em potencial para manifestações de bullying contra ele. Alex vive no interior dos EUA, mas o bullying é praticado de forma semelhante em diversas partes do planeta. Um fenômeno que não é recente, mas só agora se resolveu prestar atenção nos efeitos que a discriminação violenta pode ter naqueles que outrora eram chamados singelamente de “peles” da turma.

O documentário enfoca o ponto de vista das vítimas, de suas famílias e das autoridades escolares e policiais, permitindo que se tire algumas conclusões: o diálogo escasso entre pais e filhos não permite aos adultos ter uma completa noção do que os jovens passam, e os diretores dos colégios pouco fazem em termos de medidas preventivas. Uma menina foi presa por se defender do bullying ameaçando as colegas com um revólver dentro do ônibus escolar, e o policial responsável pelo caso disse que só seria considerado legítima defesa “se ela fosse chicoteada todos os dias”.

Em um dos raros momentos do filme em que a presença da câmera não é notada, se consegue um flagrante bastante impressionante de violência. De resto, apesar da sua importância por suscitar o debate, falta cinema em “Bullying”, que fica parecendo mais um vídeo institucional de alguma ONG humanitária, seguindo um roteiro previsível, que cumpre seu nobre papel de despertar comoção e indignação.


FONTE: http://rioshow.oglobo.globo.com/cinema/eventos/criticas-profissionais/bullying-7503.aspx

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

UNIVERSIDADES GAÚCHAM AVANÇAM NO ENADE


ZERO HORA 07 de dezembro de 2012 | N° 17276

RANKING DO ENADE

Universidades gaúchas avançam. Doze instituições do Rio Grande do Sul estão entre as cem com os melhores desempenhos na avaliação realizada pelo MEC

ANDRÉ MAGS E THIAGO TIEZE

As instituições de Ensino Superior do Rio Grande do Sul obtiveram, no geral, uma avaliação melhor em 2011 do que no ano anterior no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Além de a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ter avançado do 13º para o 11º lugar no país – única do Estado a ocupar a principal faixa de desempenho, a 5 –, há oito instituições gaúchas a mais na faixa 4 do que em 2010. Além disso, a avaliação mostra 12 instituições do RS entre as cem com melhores desempenhos.

Oresultado do Enade foi divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC). Foram avaliados 2.136 universidades, faculdades e centros universitários públicos e privados, com notas de 1 a 5. A UFRGS obteve Índice Geral de Cursos (IGC) de 4,28, um pouco abaixo do valor de 2010, que foi de 4,30. O primeiro lugar coube à Escola Brasileira de Economia e Finanças, do Rio de Janeiro, privada, com IGC de 4,83. A pública melhor classificada é o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de São Paulo, em terceiro, com IGC 4,60.

Especialista diz que há um esforço por causa do exame Enquanto a faixa 4 (boa) inchou com instituições do Rio Grande do Sul – passou de 19 em 2010 para 27 em 2011 –, a faixa 3, considerada satisfatória, encolheu de 53 para 50. Já a faixa dois, insatisfatória, aumentou de 10 para 11 e as sem conceito (cujos alunos não fizeram o Enem, um dos fatores do cálculo, ou não tiveram concluintes no curso avaliado) caíram de 20 para 14. No nível 1, o pior, não há gaúchas.

Especialistas avaliam que o Enade tem incentivado a capacitação das instituições. Além do prestígio para as que apresentam maior desempenho, as punições às piores pressionam por uma melhoria nos índices. De acordo com a coordenadora-geral da Controladoria Acadêmica da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Silvia Costa Dutra, o Rio Grande do Sul avançou apoiado na tradição de suas instituições mais antigas e no bom desempenho das mais novas:

– É uma boa notícia que as universidades em geral estão se qualificando, e as gaúchas se destacam enquanto se mantêm no topo aquelas tradicionais. Todas estão fazendo um esforço maior por causa do Enade. A conclusão é de que o exame tem cumprido o seu papel, que é extrair subsídios para a melhoria das instituições.

O resultado gaúcho reflete em parte o que ocorre no Brasil. Segundo o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o número de instituições nos níveis 1 e 2 teve uma queda. Ao mesmo tempo, os grupos das melhores tiveram um aumento.

Entenda a avaliação

- Faixa 5 – Excelente
- Faixa 4 – Boa
- Faixa 3 – Satisfatória
- Faixa 2 – Insatisfatória
- Faixas 1 – Sofrível

O DESEMPENHO

- Numa escala de 1 a 5, mais de 60% dos cursos superiores das instituições públicas e privadas atingiram em 2011 nota 3 (50,6%), 4 (8,9%) e 5 (1,3%), na avaliação do Índice Geral de Cursos (IGC)

- A média ficou cerca de 30% acima da alcançada no primeiro ano avaliado (2008)

- No caso do CPC (Conceito Preliminar de Cursos), as notas predominantes foram também 3 (41,8% dos cursos), 4 (26,1%) e 5 (2,7%)

- A melhoria de desempenho foi ainda maior nas universidades públicas, onde a incidência de nota 4 praticamente dobrou em relação a 2008

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

CONTINGENTE DE DESOCUPADOS

06 de dezembro de 2012 | N° 17275

EDITORIAIS


Há um fenômeno preocupante em curso no país, que evolui na contramão da estabilização econômica e do pleno emprego. É o crescimento do número de jovens do sexo masculino que não têm nenhuma ocupação e tampouco estudam. O contingente cresceu em 1,1 milhão de pessoas em uma década, de 2000 a 2010. No mesmo período, o número de mulheres jovens na mesma situação caiu 389 mil. O que causa perplexidade e exige interpretação, para posterior interferência do setor público, é o fato de que os jovens de até 29 anos definidos como os “nem-nem” pela Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, um instituto do governo, estão desperdiçando oportunidades.

Há perdas pessoais e para o país, quando homens em idade de produzir e de estudar não fazem nem uma coisa nem outra, quando poderiam se dedicar às duas atividades – como fazem milhões de brasileiros. O Ipea, que analisou os dados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, percebeu uma mudança no perfil do desocupado voluntário. Mesmo que o maior número dos que não trabalham nem estudam ainda seja de mulheres, vem caindo o índice de jovens do sexo feminino nessas circunstâncias. Uma explicação óbvia é a de que, ao contrário do que ocorria até as últimas décadas do século 20, as mulheres estão cada vez mais no mercado de trabalho.

O crescimento de desocupados homens ainda depende de estudos mais aprofundados. Sabe-se apenas que a maior parte mora em periferias e é sustentada por famílias de baixa renda. O fenômeno exige a abordagem de políticas públicas, que os resgatem para uma vida produtiva. O argumento de que cada um determina suas vontades é precário quando estão envolvidas graves questões sociais. Um país com carência de mão de obra qualificada, que atrai cada vez mais profissionais estrangeiros, que se moderniza e oferece oportunidades de emprego em várias frentes não pode aceitar passivamente que parcela de sua população desperdice a juventude na ociosidade.

OURO NEGRO PARA A EDUCAÇÃO

ZERO HORA 06 de dezembro de 2012 | N° 17275. ARTIGOS

Carlos Alexandre Netto*



A divisão dos royalties dos contratos de exploração de petróleo, especialmente dos blocos do pré-sal, tem atraído a atenção de políticos, governadores, prefeitos e da opinião pública. É compreensível tamanho interesse, pois se trata de uma receita que somou R$ 25 bilhões em 2011, R$ 9 bilhões dos quais amealhados pelos Estados produtores.

O veto parcial da presidenta Dilma ao projeto de lei aprovado no Congresso Nacional, desejado por alguns e antecipado por muitos, mantém o tema em pauta. Mas é a Medida Provisória 592/2012, assinada no último dia 3 e que destina a totalidade dos royalties distribuídos para a União, Estados e municípios provenientes de futuros contratos de exploração para a educação, que merece especial reflexão. Os reitores das instituições federais de Ensino Superior já haviam publicado carta defendendo a vinculação desses recursos para a formação das novas gerações; foi uma vitória política da educação e define compromisso com o futuro do país.

O petróleo é uma das importantes riquezas naturais do Brasil e uma das fontes de energia não renovável que contribuíram para configurar o mundo como hoje conhecemos. Logo, é preciso que os lucros auferidos pela sua exploração sejam investidos em educação, uma área estratégica para o desenvolvimento social e sustentável da nação. A propósito, a descoberta das reservas no intervalo do pré-sal é resultado do investimento nacional da Petrobras em ciência e inovação e dos avanços realizados pelos geólogos, engenheiros e demais pesquisadores formados em nossas universidades.

O investimento de 100% dos royalties do petróleo fornecerá a energia para a estruturação e a implantação do sistema educacional que o Brasil não pode mais postergar. É inaceitável, e paradoxal, que uma das maiores economias do planeta, que em breve estará entre os 10 países que mais produzem ciência, apresente índices muito aquém dos desejados quando se trata de educação básica. A recente experiência do projeto Reuni, que expandiu e mudou o patamar do Ensino Superior público, demonstra que é possível executar uma política educacional de sucesso. Mas o investimento de elevadas somas de recursos para custeio e expansão é apenas uma das condições necessárias. É fundamental coordenar as ações federais, estaduais e municipais, melhorar a formação dos professores, modernizar as escolas, revolucionar a sala de aula e estabelecer mecanismos e metas de gestão de médio e longo prazos. Há um bom acúmulo sobre este fazer nas universidades, que desde já estão prontas para atender ao chamado.

Há 70 anos, a campanha do “petróleo é nosso” levou à criação da Petrobras; hoje, é preciso mobilizar o país para que a riqueza do ouro negro seja investida na real riqueza do país: a juventude brasileira.*REITOR DA UFRGS

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ANISTIA AOS BOLSISTAS QUE NÃO VOLTAM AO BRASIL



Governo poderá anistiar dívida de bolsistas que não voltam ao Brasil. Lei brasileira determina que, terminado o prazo da bolsa, o beneficiado retorne ao País em 90 dias

FERNANDA BASSETTE - O Estado de S.Paulo, 05/12/2012


Brasileiros que fazem pós-graduação em outros países com bolsas do governo federal poderão permanecer no exterior após a titulação, sem ter a obrigação de devolver o dinheiro investido à União, caso uma comissão de especialistas entenda que eles estão vinculados a pesquisas "técnico-científicas de relevância para o País ou para a humanidade".

A legislação brasileira determina que, terminado o prazo da bolsa de estudos no exterior, o beneficiado volte para o Brasil dentro de 90 dias. Aqui, ele deverá permanecer pelo mesmo período de anos de duração da bolsa para assegurar que o investimento traga retorno ao País. A ideia é que o ex-bolsista continue as pesquisas aqui, aplicando o conhecimento adquirido fora do Brasil.

A portaria que regulamenta a desoneração dos ex-bolsistas que justificarem o motivo do não retorno ao País foi publicada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no Diário Oficial da União no final de setembro e já está em vigor. Ainda não há dados sobre bolsistas que poderiam se beneficiar da medida.

"A ideia não é facilitar a permanência do bolsista no exterior. É criar mecanismos mais afinados para entender e avaliar por que esse estudante não voltou", diz Denise de Menezes Neddermeyer, diretora de relações internacionais da Capes. "Até então, quando recebíamos um pedido de permanência, automaticamente dizíamos não. Agora, vamos examinar com cuidado."

Não retorno. Nos últimos dez anos, 19.758 brasileiros foram fazer pós-graduação no exterior com bolsas da Capes. Desses, 380 não retornaram para o País dentro do prazo exigido - o que representa quase 2% do total.

Os pedidos de ex-bolsistas para permanecerem no exterior vão para uma auditoria interna na Capes. Os processos encerrados na coordenação são enviados à Controladoria-Geral da União (CGU) e depois ao Tribunal de Contas da União (TCU), que inicia outro processo de investigação das contas.

Segundo Denise, atualmente há 52 processos em fase de apuração relativos a bolsistas que não cumpriram o termo de compromisso assumido com a Capes. Desses, 6 estão em fase de cobrança judicial e, nesses casos, o valor da dívida é R$ 1,3 milhões.

Não existe um cálculo exato do valor que esses ex-bolsistas devem à União - é necessário consultar cada processo no TCU individualmente -, mas estima-se que cada dívida gire em torno de R$ 400 mil (considerando juros e correções). "Essa dívida é com o erário, com a sociedade, com a União. São cidadãos que devem ao Estado", diz Denise.

Ainda assim, para Denise, o número de bolsistas que não retorna é pequeno em comparação com o de bolsas concedidas. "Não é comum os bolsistas ficarem no exterior. A taxa de permanência é baixíssima. Eles voltam, especialmente agora que o mercado brasileiro está aquecido."

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Ao anistiar os estudantes que se beneficiam de recursos públicos para se formar no Exterior é um ato político que saqueia os cofres públicos e prejudica a nação que pagou as custas deste estudo. Há muito tempo defendemos neste blog que todo recurso público usado para custear o ensino público superior deveria ter contrapartidas do beneficiado. Desta forma, o Brasil garantiria mão de obra qualificada pelo Estado pronto para ser usada em proveito da nação por um período de dois a três anos obrigatoriamente. Assim, é injusto, imoral e ímprobo o uso de verbas arrecadadas de impostos suados e abusivos do povo para proveito particular sem a obrigação de devolver em moeda ou serviços.

FUTURO INCERTO

ZERO HORA 05 de dezembro de 2012 | N° 17274


Mais jovens no Brasil sem trabalho ou estudo


Em 10 anos, o número de jovens que não estudam, não trabalham e não procuram emprego aumentou em 708 mil pessoas. A proporção passou de 16,9% para 17,2% das pessoas entre 15 e 29 anos de 2000 a 2010.

Em nota técnica divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), as pesquisadoras Ana Amélia Camarano e Solange Kanso alertam para as implicações sociais dessa constatação do Censo 2010:

– Isso (os dados) coloca a necessidade de políticas públicas que contribuam para uma inserção desses jovens, seja na escola ou no mercado de trabalho.

Entre os homens da faixa etária, 11,2% estavam nessa situação em 2010, enquanto entre as mulheres o percentual foi de 23,2%, sendo que dois terços das mulheres que não estudavam e não trabalhavam eram casadas e 61,2% tinham filhos.

A grande maioria dos homens vivia com os pais, mesmo com a queda de 71,8% em 2000 para 62,6%, em 2010. A proporção de chefes de domicílio subiu de 10,8% para 11,2%. Enquanto a renda familiar média nas residências com jovens que não estudam nem trabalham era R$ 1.621,86, nas famílias com jovens que estudam e trabalham o valor sobe para R$ 3.024,34.

Quanto à escolaridade, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2011 mostra que os homens nessa condição tinham em média sete anos de estudo, enquanto as mulheres tinham oito anos. A escolaridade do chefe do domicílio na faixa estudada era mais baixa, o que aponta, segundo as pesquisadoras, que a escolaridade da pessoa de referência na família influencia na frequência escolar do jovem e na renda familiar.

EDUCAI AS CRIANÇAS PARA NÃO PUNIR OS ADULTOS



ZERO HORA 05 de dezembro de 2012 | N° 17274. ARTIGOS


Joal Teitelbaum*


“Educai crianças para não punir adultos.” Esta afirmação é do matemático grego Pitágoras e tem mais de 2 mil anos. E a lição permanece sem que tenha sido aprendida. Alfabetizar somente não é suficiente. Inserir o aprendizado do ABCD e o OBDC em um processo de qualidade é que permitirá que sejam alcançadas as demais etapas que através de disciplina no pensamento trará a educação, a instrução e a capacidade de transformar conhecimento em criatividade e sabedoria, que é a meta a ser conquistada. Este é o círculo virtuoso da educação.

Conta a história que Rui Barbosa, em sua campanha para presidente, chegou a uma cidade da Bahia e deparou com o nome de uma alfaiataria: “A Agúia de Ouro”. Não se conteve e falou ao dono que gostara muito do nome mas que o acento na palavra águia era na letra “a” e não no “u”. Este lhe respondeu que estava certo o “escrito”, pois o nome de sua alfaiataria era aquele mesmo, “A Agúia (Agulha) de Ouro”. Rui perdeu a eleição, e o Brasil, a oportunidade de ter tido um de seus mais notáveis presidentes.

A incômoda posição do nosso país no ranking mundial da educação tornou-se notícia diária. Os níveis de governo, os segmentos do setor privado e a sociedade sabem que é preciso uma “onda pró-educação”. Mas esta onda não pode ter as mesmas soluções tentadas até hoje. Copiar o que foi utilizado em outros países sem que seja “tropicalizado” para a cultura do Brasil não apresentará os mesmos resultados.

Esta onda deve começar na alfabetização, atravessar todos os níveis de ensino até a formação profissionalizante e universitária focada em educar incentivando a criatividade, a capacidade de inovar e ser agente de mudanças.

Mais uma vez o Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP) traz uma oportunidade concreta e com amplitude de Brasil para um dos elos da corrente do bem educar. A aliança e a joint venture firmada pelo PGQP com a Sociedade Americana da Qualidade (ASQ), proporcionará a partir de março de 2013 o treinamento e a capacitação para que brasileiros possam ser certificados em qualidade pela ASQ, com todo o material de aprendizado e os exames em língua portuguesa.

Desta forma, a certificação da qualidade e com qualidade passará a ser com chancela internacional, proporcionando crescimento significativo de brasileiros entre os 120 mil certificados pela ASQ que hoje existem em nosso planeta.

*Vice-presidente internacional do Conselho Superior do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP)

domingo, 2 de dezembro de 2012

ARMA NA SALA DE AULTA

ZERO HORA 02 de dezembro de 2012 | N° 17271

ARMA


O Ministério Público pediu à Justiça licença para realizar buscas na residência de um adolescente de 15 anos em Nova Prata, na região serrana. 

O jovem postou, no Facebook, uma foto de um revólver calibre 38 dentro de uma das salas de aula de uma escola. A postagem ocorreu dia 28, mas já foi retirada. 

Quando chegou ao conhecimento de um soldado que ministra aulas do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, o Proerd, o militar procurou a direção da escola e solicitou que fosse feita uma ocorrência policial para investigação.

Os pais do adolescente não foram localizados para comentar o episódio. O estudante excluiu seu perfil na rede social.

sábado, 1 de dezembro de 2012

TUDO PELA EDUCAÇÃO


ZERO HORA 01 de dezembro de 2012 | N° 17270

PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA

Tudo para a educação

Ninguém pode dizer que foi surpreendido com a decisão da presidente Dilma Rousseff de vetar parcialmente o projeto de redistribuição dos royalties e da participação especial na exploração do petróleo. Dilma optou por não mexer nos contratos atuais e assim não entrar em guerra com o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, que perderiam uma gorda fatia de suas receitas. Acatou a divisão aprovada no Congresso para os contratos futuros de concessão de áreas para exploração de petróleo, beneficiando os Estados não produtores, mas algemou os recursos à educação. Neste ponto, palmas para a presidente da República.

Se todos temos consciência de que o Brasil carece de investimentos em educação, nada melhor do que empregar os royalties do pré-sal na área que pode fazer a diferença no futuro do país. A medida provisória que amarra os royalties futuros do petróleo terá de ser apreciada pelo Congresso, o que deixará os parlamentares numa saia justa: quem terá coragem de organizar uma mobilização contra a destinação de mais recursos para a educação?

Ao vincular os recursos, Dilma está protegendo Estados e municípios da chamada maldição do petróleo: a gastança sem critério de um dinheiro que chega sem esforço para os governos. O país está repleto de exemplos de municípios que não souberam aproveitar a riqueza obtida com royalties ou com grandes investimentos. Basta ir a Campos e Macaé, no Rio de Janeiro, ou Triunfo, no Rio Grande do Sul, para constatar que são cidades ricas com serviços de péssima qualidade e histórico de desvios de dinheiro público. Gravataí, que enriqueceu com a GM, não soube aproveitar o aumento da arrecadação na preparação da infraestrutura para suportar o aumento da demanda por serviços públicos e hoje é um dos piores do Estado em gestão fiscal.

Com o veto parcial de Dilma, o Estado do Rio Grande do Sul e a maioria dos municípios gaúchos perdem o que esperavam ganhar de imediato com a mudança nos critérios. Perder o que nunca se teve é muito diferente de sofrer um corte nas receitas às quais se está acostumado, caso do Rio e do Espírito Santo. Para a maioria dos Estados, a distribuição prevista no projeto parcialmente vetado era mais justa, mas não se pode chamar de ilegítimo o movimento do Rio e do Espírito Santo. Qualquer um que estivesse ameaçado de perder receita faria o mesmo.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Entre entregar este recurso para o município aplicar da forma que lhe convier e a União para ser utilizado na educação fico com a União. Porém, é preciso ter em mente que impostos foram criados para atender especificamente a saúde e, com justificativas e artifícios incoerentes e falaciosos tiveram outro destino. Assim, prefiro o meio termo - estes recursos deveriam ser destinados às creches e ao ensino fundamental de responsabilidade dos municípios, onde está o cerne do problema educacional brasileiro. Só assim, não haveria desvio de recursos e a educação básica estaria muito bem atendida. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

FIM DA FILA


ZERO HORA 29 de novembro de 2012 | N° 17268


EDITORIAIS


Rankings sobre a educação sempre constrangem o Brasil, como ocorre agora com a divulgação de uma lista com a performance de estudantes de 40 países, preparada pela Pearson Internacional, a partir de indicadores de respeitadas instituições mundiais. Ficamos na penúltima posição nos índices comparativos que levam em conta habilidades cognitivas e desempenho escolar de alunos dos ensinos Fundamental e Médio. Os organizadores da pesquisa afirmam, quase como consolo, que o Brasil pelo menos foi incluído numa relação de 40 países, enquanto muitos ficaram de fora da amostragem. Não há com o que se consolar, pois o ranking traz em melhores posições nações sem o mesmo potencial econômico, como Chile, Turquia, Argentina, Tailândia e Colômbia.

Um dos efeitos de estudos sobre educação é exatamente o de confrontar o Brasil da economia forte com a sua outra face, a das carências e omissões que sobrevivem a governos, a discursos e a prioridades apenas protocolares. A pesquisa agora divulgada se baseia na avaliação de quem está em sala de aula, ou seja, revela uma de nossas deficiências, ao apontar falhas de aprendizado. Em outros rankings mais amplos, que consideram o déficit de educação de quem nunca teve acesso a uma escola ou a abandonou sem concluir o ensino básico, a situação brasileira é ainda mais vexatória. O Brasil ensina mal e não oferece educação a todos, discriminando socialmente os que já enfrentam outras dificuldades decorrentes da sonegação, pelo Estado, de serviços públicos essenciais.

O movimento Projeto Popular para a Educação oferece alguns dados dessa realidade: 3,8 milhões de crianças não frequentam a escola, 63% dos moradores de áreas rurais não têm acesso a um colégio, especialmente no Norte e Nordeste, e 31% dos adultos não entendem o que leem. Estudantes que tiveram passagens meteóricas pela escola interrompem o aprendizado, por incontáveis fatores, e passam a sobreviver como trabalhadores com sérias limitações. As consequências, para cada um deles, são as dificuldades de ascensão social. Para a sociedade e o país, são os atrasos que se manifestam das mais variadas formas, como a falta de mão de obra especializada e o risco de se perderem mais adiante os avanços econômicos das últimas décadas.

Não há conquistas duradouras sem educação, como comprovam os líderes do ranking – Finlândia, Coreia do Sul, Hong Kong, Japão, Cingapura e Reino Unido. É uma obviedade respeitada pelos países da ponta e ignorada pelos que ficaram no fim da fila por não levar a sério uma lição tão elementar. Nações asiáticas, por exemplo, mostraram nas últimas décadas que investimentos em educação produzem efeitos quase imediatos. No Brasil, algumas ações no setor público parecem indicar que finalmente o ensino foi incluído na agenda de prioridades. Movimentos de organizações não governamentais, debates e campanhas também põem a educação em pauta e reforçam as expectativas de que estaremos em melhores posições nos próximos rankings.

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domingo, 25 de novembro de 2012

RS ABAIXO DA MÉDIA E LONGE DO TOPO




25 de novembro de 2012 | N° 17264

BOLETIM VERMELHO. Enem acende alerta para a sala de aula. Mais de 60% das escolas do Estado ficaram abaixo da média nacional

MARCELO GONZATTO

Oresultado das escolas gaúchas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011, divulgado esta semana, coloca em xeque o ensino praticado em salas de aula públicas e privadas no Estado.

A listagem de desempenho mostra que 65,8% dos colégios de todas as redes ficaram abaixo da média geral nacional de 519. Especialistas avaliam que, embora a prova não seja utilizada oficialmente para comparações entre regiões, a performance rio-grandense revela deficiências preocupantes.

Enquanto quase sete em cada 10 estabelecimentos gaúchos não alcançaram a média do país, em outros Estados a situação é inversa. No Rio de Janeiro, por exemplo, que apresentou o melhor resultado neste quesito, 70% dos colégios superaram o patamar médio brasileiro.

O Ministério da Educação e o governo gaúcho sustentam que, por ser voluntário e permitir a participação de egressos do Ensino Médio formados em qualquer época, o Enem não é o melhor instrumento para comparar a qualidade vigente de sistemas de ensino.

No entanto, especialistas como Roselane Costella, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora do Enem, sustentam que os resultados anunciados quinta-feira escancaram imperfeições do ensino gaúcho. Uma das principais é a filosofia de ensino baseada em um modelo que o exame nacional despreza: disciplinas estanques, com muita memorização e pouquíssima aplicação prática.

– Em outros Estados brasileiros, que têm escolas com as melhores médias do Enem, há algum tempo essa filosofia já vem sendo substituída por uma educação mais voltada para o desenvolvimento de habilidades e a resolução de problemas – avalia Roselane.

O Rio Grande do Sul tende a ir mal no teste do Ensino Médio, segundo ela, porque as questões propostas muitas vezes apresentam conteúdo das disciplinas ao participante em vez de solicitá-lo, mas exige que o aluno cruze essas informações com outras, raciocine e encontre a resposta para um problema.

– Nossa educação, o que inclui as escolas privadas, ficou muito voltada para o tradicional modelo de vestibular, em que havia até macetes para decorar fórmulas. Não há mais macetes no Enem – complementa a especialista.

Investimento é um obstáculo

Essa é a mesma avaliação da professora da UFRGS Elizabeth Krahe, para quem as escolas gaúchas são mais fiéis ao ensino isolado de disciplinas e com pouca referência à vida real. O secretário estadual da Educação, Jose Clovis Azevedo, afirma que a reforma do Ensino Médio em andamento tem como um de seus objetivos diminuir essas barreiras.

– A escola, que sempre foi lugar de repetição, hoje tem de ser lugar de criação – avalia Jose Clovis.

Esse desafio esbarra em outros nós do ensino rio-grandense, como a formação de professores. Embora cerca de 90% do magistério estadual tenha formação superior, segundo Roselane os cursos universitários seguem formando educadores com perfil tradicional. Na rede pública, o Rio Grande do Sul ainda enfrenta outros obstáculos para melhorar. Por exemplo:

1) Dificuldade de investimento: a proporção de inativos, o abismo entre os maiores e os menores salários e os parcos recursos do governo reduzem a verba para a educação. A fração do PIB gaúcho aplicada em educação, que já foi de 1,5%, em 2011 ficou em 0,3%.

2) Baixos salários: com poucos recursos e uma folha de pagamento que já consome perto de 90% do orçamento, o governo tem dificuldade para cumprir a Lei do Piso.

3) Polarização política: temas como plano de carreira, meritocracia e reorganização de turmas costumam envolver opositores ferrenhos, e o Estado não consegue definir uma política de longo prazo.

O presidente do Sindicato do Ensino Privado, Osvino Toillier, admite que outros Estados têm uma média diária de horas de aula superior. Mas acredita que o fato de o Estado não ter nenhum estabelecimento particular entre as cem melhores instituições do país também se explica por outras razões:

– Os demais Estados têm uma maior preocupação com o Enem, programam-se e se estruturam para preparar os alunos com o objetivo de alcançar uma boa média.

Roselane Costella, professora e pesquisadora da UFRGS

O aluno gaúcho está desanimado porque o conteúdo ensinado não dá mais conta dessa geração. Precisa estabelecer relações, compreender o mundo de outra forma. Do jeito que está, vamos cair ainda mais posições no Enem. Não é uma prova excepcional, mas cobra coisas que devem ser cobradas.

Jose Clovis Azevedo, secretário estadual da Educação

O Enem não é um indicativo seguro para se discutir qualidade de ensino, mas temos vários indícios de que precisamos mudar (...). Não é fácil sair dessa visão tradicional em que se estuda o conteúdo pelo conteúdo para uma visão de que ele é uma ferramenta para aplicar e ter novas percepções de ciência, cultura.

sábado, 24 de novembro de 2012

O DESAFIO DA ESCOLA PÚBLICA

ZERO HORA 24 de novembro de 2012 | N° 17263

EDITORIAIS


Repete-se e amplia-se, na última edição do Exame Nacional do Ensino Médio, a conclusão de que a realidade das escolas públicas é desalentadora. O desempenho dos colégios mantidos pelos Estados piorou no ano passado em relação a 2010. Dos 50 melhores educandários do país, apenas três são públicos, e todos são federais – na edição anterior, eram seis. É uma disparidade grande demais, que não se explica apenas pelo conjunto de distorções do programa encarregado de avaliar a performance de estudantes e escolas do Ensino Médio. Entre as deficiências apontadas, denuncia-se com frequência que o Enem faz o confronto da escola pública com instituições privadas que selecionam seus alunos.

O exame seria assim um duelo desigual de estudantes de colégios muitas vezes precários – e em condições socioeconômicas inferiores – com alunos de escolas de elite. Há dados que comprovam algumas falhas, como o fato de que, entre as 10 melhores escolas, em sete eram menos de cem os alunos que estavam concluindo o Ensino Médio e fizeram o teste. Essa seletividade não é suficiente, no entanto, para alterar o conjunto dos resultados e sustentar pretextos desqualificadores do exame. O Enem deve ser mantido e aperfeiçoado, com a correção de eventuais falhas. Seria um desserviço continuar a atacá-lo, como tática diversionista, para esconder as limitações da educação pública.

Os números divulgados pelo MEC são incontestáveis: 92% das escolas estaduais tiveram nota abaixo da média geral do país, que já é insatisfatória. E esse não é um problema localizado nas regiões mais pobres. Nenhum Estado conseguiu registrar mais de 20% das escolas com notas acima da média nacional. A precariedade revelada pela amostragem exige, há muito tempo, reações do setor público. Mas a capacidade de articulação dos governos federal e estaduais tem se mostrado insuficiente para que aconteça uma virada na educação brasileira. Como apenas 12% dos estudantes estão na rede privada, isso significa que 88% do contingente do Ensino Médio continua à espera de investimentos em estrutura, em equipamentos e em pessoal.

Os avanços proporcionados pelo próprio Enem, que buscam a melhoria das práticas pedagógicas e procuram ampliar o acesso de egressos da rede pública ao Ensino Superior, não são suficientes para compensar os erros das políticas públicas e as omissões de comunidades e pais alheios ao que se passa nas escolas. O descaso do Brasil com a formação básica assumiu, como têm alertado os especialistas, a conotação de desprezo com parcela da população que mais depende do suporte dos governos. Alunos de escolas mantidas pelos Estados são, em sua maioria, de famílias de baixa renda. Privá-los de um bom ensino é também uma forma de ampliar suas privações e negar-lhes a chance de crescer econômica e socialmente através da educação.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

PROGRAMA PROMISSOR

 
20 de novembro de 2012 | N° 17259

EDITORIAIS

Entre as iniciativas esporádicas adotadas pelo governo federal para qualificar a educação, nenhuma é tão promissora, para a formação de profissionais de ponta sintonizados com o que de melhor se produz hoje no mundo, quanto o programa Ciência sem Fronteiras. Da parceria entre Estado e empresas, o Brasil poderá dispor em pouco tempo de milhares de talentos, cujas vocações estão sendo potencializadas por intercâmbios em algumas das melhores universidades. O programa, que já viabilizou a presença de 18 mil jovens no Exterior, é a prova de que o país tem excelentes projetos no setor público, em colaboração com a iniciativa privada, em meio a um justificado desencanto com os rumos do ensino. Trata-se de uma ideia que até 2015, em quatro anos de execução, pretende formar no Exterior 100 mil estudantes brasileiros nas mais variadas áreas da ciência e da tecnologia.

É preciso reconhecer que se trata de bem mais do que uma premiação a alunos de exceção, escolhidos por seus desempenhos em cursos superiores e pelas notas obtidas no Enem. É um prêmio ao próprio país, pelo amplo alcance de seus resultados. Frequentando os mais competitivos ambientes universitários da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia, os brasileiros absorvem conhecimento técnico, cultura e novos conceitos em relação a um ensino que está vários níveis acima da média mundial. Ressalte-se que o Ciência sem Fronteiras, mencionado pela senhora Dilma Rousseff ontem, no programa Café com a Presidenta, copia práticas de outros paí-ses, entre os quais a China e a Coreia do Sul, que sustentam a permanência de universitários no Exterior. Iniciativas como essas somente se viabilizam com o suporte financeiro do setor público se forem consideradas, como devem, políticas permanentes de Estado e não só de quem eventualmente estiver ocupando o governo.

O efeito dos programas é a multiplicação interna de referências internacionais, geralmente sustentadas por virtudes ainda escassas no ensino brasileiro. Além do conteúdo, os bolsistas trarão, no retorno a atividades acadêmicas, noções de inovação, disciplina, empenho e cooperação que ainda não frequentam a maioria das instituições nacionais. Recente reportagem da revista Veja mostrou como os estudantes reagem aos impactos positivos do confronto com as realidades locais. A primeira lição é a de que ninguém estará entre os melhores, num ambiente universitário, sem dedicação integral ao que pretende fazer e sem certa dose de sacrifício. A sobrecarga de estudos, que caracteriza os programas, com a cobrança de metas, é o custo a ser pago pelos que pretendem fazer parte de uma elite.

Há, como parte do programa, o esforço para que pesquisadores já consagrados em suas atividades sejam atraídos pelo Brasil, igualmente com o apelo das bolsas de estudos. O país tenta particularmente trazer de volta cientistas que foram para o Exterior e não mais voltaram. É um desafio e tanto, considerando-se que estamos muito aquém do que se faz em universidades, órgãos públicos e empresas estrangeiras. Se o ambiente interno for contagiado pelos bolsistas e pelos cientistas que decidem retornar, já teremos dado um passo seguro no sentido de inspirar o Brasil a imitar tudo o que explica o sucesso de sistemas de educação e de países.

 


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

DISCIPLINA "CIDADANIA MORAL E ÉTICA"

 
Livro de 1940.


FOLHA.COM 14/11/2012 - 20h06

Senado aprova inclusão da disciplina 'Cidadania Moral e Ética' no currículo escolar


GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

O Senado aprovou nesta quarta-feira (14) projeto que obriga as escolas da educação básica a oferecerem as disciplinas de Ética e Cidadania Moral e Ética Social e Política. O projeto altera a Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira ao tornar as duas disciplinas obrigatórias nas escolas brasileiras.

Instituída durante a ditadura militar (1964-1985), a disciplina de "Moral e Cívica" deixou de ser obrigatória no país em 1993. No decreto de sua criação, o governo militar dizia que a disciplina tinha entre outros objetivos "a preservação dos valores espirituais e éticos da nacionalidade" e o "fortalecimento da unidade nacional".

O MEC (Ministério da Educação) é contrário ao projeto por considerar que a inclusão de duas novas disciplinas vai promover um "inchaço" nos currículos escolares. Em nota técnica enviada a senadores para criticar o projeto, o ministério diz que o calendário de 200 dias letivos fixado pela Lei de Diretrizes e Bases da educação não comporta novas disciplinas.

A proposta havia sido aprovada em caráter terminativo pela Comissão de Educação do Senado em setembro, mas o líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), pediu sua votação em plenário.

Autor do projeto, o senador Sérgio Souza (PMDB-PR) aproveitou o esvaziamento do plenário nesta quarta-feira, véspera de feriado, e conseguiu incluir a matéria na pauta de votações. O senador disse que tinha o apoio dos líderes partidários para votar a matéria. O projeto segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

Em defesa da proposta, Souza afirmou que a inclusão das disciplinas tem o objetivo de fortalecer o sistema educacional brasileiro ao priorizar a "formação moral e ética das nossas crianças".

"Queremos fortalecer a formação de um cidadão brasileiro melhor: pela formação moral, ensinando conceitos que se fundamentam na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos; por outro lado, pela formação ética, ensinando conceitos que se fundamentam no exame dos hábitos de viver e do modo adequado da conduta em comunidade", afirmou o senador.

Relator da proposta e ex-reitor da Universidade de Brasília, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu o projeto ao afirmar que os problemas "cruciais" da sociedade só serão solucionados com políticas educacionais voltadas para a formação moral e ética das crianças e jovens.

"Dada a presente desagregação social pela qual passamos, representada pela atual crise de valores humanos, faz-se necessário que a escola oriente a formação do caráter dos nossos jovens, fortalecendo a formação dada no núcleo familiar", disse.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Faltou o "CÍVICO" nesta disciplina, justamente pela necessidade do retorno do objetivo que preserva os valores éticos da nacionalidade como a defesa da pátria, o respeito às instituições democráticas, a autoridade do professor e devoção ao interesse público como o clamor por segurança pública e paz social, a responsabilidade administrativa dos gestores públicos, o voto consciente, o zelo do erário público e do patrimônio público, justamente aquilo está faltando no aculturamento do povo brasileiro. A denominação da disciplina deveria ser "Cidadania e Civismo" que abrange tudo.


SIGNIFICADOS:

CIVISMO - s.m. Dedicação à pátria; devoção ao interesse público; patriotismo
CIDADANIA - s.f. Qualidade do cidadão, defesa de direitos.
ÉTICA - s.f. Ciência da moral: que significa um comportamento delimitado por regras fixadas por um grupo social específico; que explica, disciplina, ensina; que é próprio para favorecer os bons costumes; preceitos e regras para dirigir as ações do homem, segundo a justiça e a equidade natural; a parte da filosofia que trata dos costumes, dos deveres e do modo de proceder dos homens nas relações com seus semelhantes, ética; as leis da honestidade e do pudor, moralidade. Informal. Qualidade do que se impõe, que influência ou exerce certa soberania sobre outrem.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O BOM EXEMPLO MINEIRO

 
12 de novembro de 2012 | N° 17251

EDUCAÇÃO

Um município de 13 mil habitantes no Triângulo Mineiro chama a atenção por liderar o ranking nacional para o 9º ano do Ensino Fundamental de rede municipal, no último Ideb. A cidade de Nova Ponte é exemplo em um país onde a educação se arrasta, especialmente a pública.

Ao atingir 6,8 na avaliação, superou em 84% a meta estipulada pelo MEC e dobrou em relação à nota 3,2, obtida dois anos antes. Satisfeita com o resultado, a secretária de Educação Maria Regina Silva sabe que o êxito é consequência de uma revolução no ensino, grandiosa, mas não muito complicada.

A receita reúne ideias inovadoras, mas grande parte do sucesso vem de medidas simples como a prática do reforço escolar no contraturno ou 20 minutos antes e depois das aulas. Além disso, professores podem contar com uma gratificação de R$ 200 no término do mês. O merecimento é medido por meio de avaliações pedagógicas e administrativas da escola juntamente com o parecer do educador.

Conforme a necessidade das turmas, até dois professores podem lecionar a mesma disciplina em classe. E nesse pacote, que ainda inclui programas de incentivo à leitura e ensino de matemática, também está o estímulo para que pais participem do processo de aprendizagem dos filhos.

– No início deste ano, trouxemos o projeto Família na Escola, no qual todos os professores visitaram as casas dos alunos para saber dos pais o que esperavam da escola, quais eram suas propostas, os interesses e as dificuldades presentes na família – explica a secretária.

Divididos em duas turmas, 70 alunos frequentam o 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental São Miguel – a 15ª colocada no ranking nacional para os anos finais do Fundamental, entre públicas e privadas. Este salto mais do que satisfatório é a prova, da qual a comunidade escolar de Nova Ponte pode se orgulhar: seus estudantes estão adiantados no processo que visa a aprimorar a Educação Básica no Brasil.

APRENDIZADO INADEQUADO



ZERO HORA 12 de novembro de 2012 | N° 17251

EDUCAÇÃO. Por que a maioria dos alunos matriculados no último ano do Ensino Fundamental não aprende o mínimo considerado adequado?

BRUNA SCIREA


Eles deixam de ser crianças, mas ainda estão distantes da idade adulta. O momento de ruptura caracteriza a etapa da vida em que se encontram os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental. Essa transição, no entanto, ultrapassa a questão comportamental e os novos interesses revelados por esses estudantes. É verificada também, de forma brusca, na mudança da rotina escolar, na indefinição sobre como organizar essa fase da aprendizagem e em preocupantes números – indicadores que refletem um período esquecido entre a primeira fase do Fundamental e o Ensino Médio.

Como resposta a uma combinação de falhas que se arrastam do 6º ao 9º ano – entre elas um incentivo à leitura sem sucesso, um limbo escolar enfrentado por alunos que não recebem e precisam de acompanhamento pedagógico e um currículo desinteressante e limitador –, 85,3% dos jovens matriculados no último ano do Ensino Fundamental não sabem o mínimo esperado em matemática e 73,8% em língua portuguesa.

Especialistas consultados por Zero Hora interpretaram o fraco desempenho revelado pelo Relatório De Olho nas Metas 2011, do movimento Todos Pela Educação, baseado em dados da Prova Brasil e do Saeb 2009 (MEC/Inep).

Nestas páginas, conheça possíveis causas e exemplos inspiradores.


1. ACOMPANHAMENTO - Acostumados com o apoio e cuidados de poucos ou até mesmo de apenas um professor, os alunos ingressam na pluralidade que caracteriza os anos finais do Ensino Fundamental. As disciplinas tornam-se ainda mais específicas e, para cada uma delas, há um professor diferente. Se por um lado a diversidade de educadores possibilita aprofundamento e maior dedicação ao conteúdo que deve ser lecionado, por outro, acarreta uma dispersão na atenção conferida ao aluno. A partir do 6º ano, o conhecimento do histórico, dos avanços e dos recuos de cada estudante em sala de aula deveria ser tarefa de um coordenador pedagógico, função raramente ocupada em escolas públicas e particulares do país.

– Nos anos finais, eles passam a ser mais um dentro de um universo de alunos para o qual cada professor se dedica. A ausência de um projeto pedagógico, que acolha essas crianças e adolescentes e mostre a importância e o porquê dessa pluralidade, impede a interdisciplinaridade e dificulta a atração do aluno pelo ensino – acredita Mozart Neves Ramos, conselheiro do Todos Pela Educação.


Tema de casa
- Apoio contínuo: as dificuldades de aprendizagem têm de ser trabalhadas assim que aparecem em sala de aula, evitando que se acumulem para o fim do ano.
- Aulas no contraturno ou turmas flexíveis podem ser uma boa solução para alunos da mesma série ou ciclo que precisem de reforço em conteúdos de determinada disciplina.
- Outra alternativa é a monitoria aluno-aluno, em que os próprios colegas atuam como monitores, prática que, além de eficiente, estimula a cooperação entre os estudantes.
- Exemplo: o sistema adotado na Finlândia, país de destaque nos rankings educacionais, prevê que cada escola tenha um professor especializado em reforço escolar para cada sete turmas regulares (os docentes costumam encaminhar em média 30% dos matriculados para aulas no contraturno).
- A escola deve entender quem é e o que pensa o adolescente e desenvolver uma visão do estudante pautada nas necessidades específicas da faixa etária.



2. FALTA LEITURA - Na opinião de Ocimar Munhoz Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP, as dificuldades com leitura explicam, em parte, por que a maioria dos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental não aprende o mínimo considerado adequado:

– As dificuldades começam nos primeiros anos de escolarização. E como faltam profissionais com capacidade para desenvolver tal competência, o problema acaba sendo cumulativo e tende a dificultar o aprendizado dos alunos. É como se eles não tivessem as condições necessárias para aprender.


Tema de casa
- Algumas atitudes na família podem melhorar a relação da criança com a leitura:
- A leitura deve ser estimulada desde os primeiros anos de alfabetização.
- Leia com o seu filho, pergunte como ele compreendeu o livro e estimule que conte a história a outros colegas.
- Adquira livros com assuntos de interesse da criança, sempre atento à faixa etária.


3. CURRÍCULO CHATO - Plugada na tecnologia, a geração que chega à escola está mais ativa, rápida e informada. No entanto, na definição de João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, o currículo das escolas ainda é muito “chato”. O adjetivo explicaria a queda no índice que reflete o rendimento em sala de aula no caminho percorrido entre os nove anos do Ensino Fundamental. Ao ingressar na etapa final, por volta dos 11 anos, o alunado vive uma fase de transição, de novos interesses e curiosidades que quase nunca são contemplados pela escola. Soma-se a isso, a falta de liberdade. Se frequentar escolas em busca de educação não é uma opção tomada pelo alunos, mas imposta a eles desde os primeiros anos de vida, o ensino tornaria-se mais atraente se pudesse ser direcionado, ainda que minimamente, aos interesses particulares de cada um.

– É preciso fazer um currículo interessante, estruturado e organizado, com articulações interessantes. É necessário que se dê o mínimo de liberdade. Com ela, o aluno acaba investindo naquilo que gosta – defende Oliveira.

Tema de casa - É preciso reinventar a escola: 40% dos jovens entre 15 e 17 anos que deixaram de estudar o fizeram por considerar a escola desinteressante, segundo o estudo Motivos da Evasão Escolar, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (RJ) em 2009. Como chegar lá? Além da infraestrutura tecnológica, também se exige das escolas uma veloz revolução nas metodologias de ensino capazes de sedimentar uma estrada sólida para a Educação 3.0 – termo amplamente disseminado por pensadores como o americano Jim Lengel, professor da Universidade de Nova York. Confira algumas características da Educação 3.0:
- Os alunos têm autonomia para buscar aprender. Cabe ao professor propor desafios.
- Ler e escrever são habilidades básicas nesta nova educação. É preciso conectar ideias, explorar possibilidades e prever.
- É essencialmente interdisciplinar, por isso os professores devem conversar e discutir os temas a serem abordados.
- Instiga os alunos a pesquisarem na internet. Com isso, a capacidade de discernir sobre a autenticidade de uma informação é desenvolvida.
- Aproveita os dispositivos móveis. Por meio do smartphone, o estudante pode ouvir podcasts.

Fonte: Educar para Crescer (educarparacrescer.abril.com.br)

A SEXTA PERGUNTA

 
ZERO HORA 12 de novembro de 2012 | N° 17251

EDITORIAIS



A sexta e última questão da campanha institucional A Educação Precisa de Respostas, do Grupo RBS – “Por que a maioria dos alunos matriculados no último ano do Ensino Fundamental não aprende o mínimo considerado adequado?” – tem muito a ver com as dificuldades enfrentadas posteriormente no Ensino Médio. Os resultados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) demonstram que, nos primeiros nove anos de aprendizado, o país vem superando as metas do Ministério da Educação (MEC). Ainda assim, as falhas de quem chega a esse estágio são tantas, que a continuidade do ensino, muitas vezes, fica irremediavelmente prejudicada. A alternativa vai depender da capacidade da sociedade de encontrar uma resposta à altura para esta indagação da campanha por mais qualidade no ensino.

É preocupante e ao mesmo tempo inaceitável que, como demonstram as avaliações oficiais, um percentual tão expressivo de alunos chegue ao final da primeira etapa de ensino, equivalente ao antigo ginásio, sem dominar questões elementares de português e matemática no dia a dia. Como é possível imaginar que um estudante alcance o Ensino Médio sem conseguir resolver problemas com números inteiros e racionais? Ou, então, sem condições de identificar os elementos que constroem a narrativa de um texto, por exemplo? Um ponto de partida importante para a resposta pode estar numa simples constatação: de maneira geral, há avanços nas séries iniciais, que infelizmente não se repetem nas demais. Entre as tentativas de explicação, portanto, estará sempre a dificuldade de motivar os alunos e de mantê-los interessados pelos conteúdos ministrados.

Independentemente de origem ou condição social, a maioria das crianças e adolescentes demonstra hoje mais interesse por smartphones do que por livros e, diante de uma dúvida, costuma consultar mais sites de busca na internet do que o próprio professor. Por melhor preparado que seja o educador, como motivar uma geração impactada pelos avanços tecnológicos a absorver conteúdos nem sempre interessantes com base em cadernos, enciclopédias em papel, informações rabiscadas a giz no quadro-negro? E isso sem falar em grande parte do conteúdo, que, apesar das aceleradas transformações, pouco difere do apreendido por gerações anteriores à revolução digital.

A adequação do aprendizado à série cursada no Ensino Fundamental é um desafio que o país não tem como adiar, pois se constitui num pressuposto para a melhoria da qualidade da educação. Essa missão depende de determinação por parte do poder público, que só será bem-sucedido se puder contar com uma colaboração decisiva dos pais e, obviamente, dos educadores.

domingo, 11 de novembro de 2012

LIVRO DERRUBA MITOS DA EDUCAÇÃO

REVISTA VEJA 11/11/2012 - 09:08

Livro de Gustavo Ioschpe derruba mitos da educação. Obra reúne artigos em que o autor usa pesquisas e argumentação coerente para mostrar o que vai mal na escola. Leia resenha de VEJA desta semana

Monica Weinberg




À LUZ DOS NÚMEROS - Ioschpe: “Dar mais dinheiro às escolas não fará o Brasil subir no ranking do ensino” (Fabiano Accorsi)



As escolas brasileiras permaneceram por séculos como uma caixa-preta inviolável. Não se sabia nem quantas delas havia no país, muito menos o nível do ensino que ofertavam. Esses tempos de escuridão ficaram para trás desde que começou a surgir no Brasil uma profusão de termômetros para medir a qualidade da educação - tão numerosos que um cidadão comum até se perde em meio a tantos indicadores. Não se pode culpar a pobreza estatística, portanto, pela falta de objetividade que ainda domina as discussões sobre as grandes questões da sala de aula. O problema é outro: boa parcela dos educadores prefere manter-se aferrada a bandeiras ideológicas do passado a encarar os fatos mesmo quando eles contrariam suas velhas convicções. O economista e articulista de VEJA Gustavo Ioschpe bate nessa tecla em seu novo livro, O que o Brasil Quer Ser Quando Crescer? (Editora Paralela; 250 páginas; 29,90 reais). O que o distingue da maioria dos que enveredam por essa área é justamente a disposição de encarar os temas mais espinhosos sem se deixar cegar pelas certezas absolutas.

No livro - que reúne 34 artigos publicados em VEJA entre 2006 e 2012 -, Ioschpe se vale de um arsenal de pesquisas e de uma argumentação coerente para desconstruir um a um os mitos que pairam como uma camisa de força sobre o ensino brasileiro. Um deles diz respeito à escassez de dinheiro para a educação - a raiz de nossos males, diria a esmagadora maioria. Pois os números apresentados por Ioschpe demonstram que o Brasil despende para a sala de aula quase tanto quanto o clube dos países mais desenvolvidos da OCDE (5,7% em relação ao PIB nós X 5,8% eles, se comparados os gastos públicos). Mas só se o investimento subir será possível dar o grande salto de que precisamos, muitos ainda insistiriam. Talvez não saibam que, mesmo quando países como China e Coreia do Sul se lançavam em sua exitosa corrida rumo à excelência, não excederam os atuais gastos brasileiros. E, ainda que o Brasil destine mais dinheiro à área, como está previsto, não há garantia de sucesso, alerta Ioschpe. Na última década, o país foi vice-campeão em aumento de recursos para a educação, mas continuou na rabeira do ensino. Os reajustes no salário dos professores tampouco se traduziram em avanços relevantes na sala de aula - nem mesmo nas escolas particulares. Um dos artigos expõe um dado que derruba a crença de que elas são um oásis de bom ensino: os alunos mais ricos do Brasil têm desempenho pior do que os mais pobres dos países que estão no topo.

Não há nada de mirabolante nem de tão dispendioso nas saídas sugeridas por Ioschpe. Trata-se, antes de tudo, de uma mudança de mentalidade - a começar pelos cursos de pedagogia, que preferem perder-se em teorias obsoletas a ensinar aos futuros mestres estratégias para a sala de aula. A experiência internacional indica que os caminhos para o êxito acadêmico passam pelo mais básico: metas de aprendizado, dever de casa, meritocracia. Foi assim que a China alçou seus alunos ao pódio da educação mundial, como mostra um capítulo em que Ioschpe conta o que viu em sua investigação in loco. Aos 35 anos e também autor do livro A Ignorância Custa um Mundo, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti, ele diz atrair mais detratores do que simpatizantes às suas ideias. Não arrefece o tom ácido que permeia seus artigos. “Quero romper com a ideia de que está tudo bem na escola. Os pais têm o papel de cobrar avanços.”