EDUCAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Defendemos uma política educacional multidisciplinar integrando os conhecimentos científico, artístico, desportivo e técnico-profissional, capaz de identificar habilidade, talento, potencial e vocação. A Educação é uma bússola que orienta o caminho, minimiza dúvidas, reduz preocupações e fortalece a capacidade de conquistar oportunidades e autonomia, exercer cidadania e civismo e propiciar convivência social com qualidade, dignidade e segurança. O sucesso depende da autoridade da direção, do valor dado ao professor, do comprometimento da comunidade escolar e das condições oferecidas pelos gestores.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

EDUCAÇÃO E IDEOLOGIA

MARIA LUIZA KHALED, JORNALISTA, MESTRE EM LETRAS E ESCRITORA - ZERO HORA 20/10/2011


Recentemente, o Chile realizou uma consulta popular para perguntar sobre eventuais mudanças no ensino do país. Uma iniciativa digna de aplauso. Afinal, esta deveria ser uma prerrogativa dos cidadãos nos regimes democráticos, o que nem sempre ocorre.

No Brasil, a educação formal foi desde sempre determinada politicamente e de forma quase arbitrária, ou seja, os governos, invariavelmente, decidiram os rumos da educação e até mesmo dos currículos, com base nos princípios da ideologia política que representavam. Nada mais esclarecedor que analisar o passado. A ditadura militar de 64, por exemplo, alterou currículos, incluindo disciplinas como educação moral e cívica, e, ao mesmo tempo, eliminou o ensino de filosofia, entre outras de base humanística que promovem o pensamento, a reflexão e o senso crítico. Vale dizer, deixou uma lacuna no ensino e causou prejuízos à formação cultural de várias gerações. Desarticulou ainda os movimentos estudantis.

Os governos democráticos que se seguiram procuraram recuperar a formação que a ditadura suprimiu. Mas, da mesma forma, deixaram sua marca na educação mais do que em qualquer outra área. Tal determinação pelo controle do ensino evidencia-se nas mudanças pedagógicas a cada governo, bem como na veiculação das ideologias políticas, através da publicação de cartilhas e da distribuição de livros didáticos.

Com a ascensão da esquerda ao poder, a ideologia política ganhou maior visibilidade. Assim como ocorreu na ditadura, de direita, atualmente são inequívocos na educação os princípios socialistas. Tais pressupostos evidenciam-se na opção pela defesa das minorias, entre outras. Resulta daí a discutível e ainda polêmica implantação do sistema de quotas raciais nas universidades.

No plano da pedagogia, não é diferente. Por exemplo, há pouco tempo, nos meios de comunicação surgiu uma polêmica sobre o português padrão e seu uso correto, a propósito de um livro didático. Na verdade, a questão vai além da ciência da linguística. A tolerância aos erros de linguagem é um conceito profundamente ideológico. Nesse sentido, Paulo Freire, teórico e educador de esquerda, entendia que a linguagem padrão representava uma forma de dominação da elite.

Sem dúvida, a educação deveria ser um campo de conhecimento que se sobrepõe às influên- cias político-ideológicas, e não estar submetida às intervenções do poder público. Mas isso acontece porque nós, enquanto sociedade, abdicamos de exercer um direito constitucional que enfatiza: “A educação (..) dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”.

Sendo assim, compreende-se que um governo eleito tenha o direito de administrar, porém a sociedade não pode outorgar-lhe a tarefa de decidir os rumos da educação de forma arbitrária. Fica a pergunta: quando exigiremos medidas de maneira a garantir a mais ampla participação da sociedade nas decisões do Estado?

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