EDUCAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Defendemos uma política educacional multidisciplinar integrando os conhecimentos científico, artístico, desportivo e técnico-profissional, capaz de identificar habilidade, talento, potencial e vocação. A Educação é uma bússola que orienta o caminho, minimiza dúvidas, reduz preocupações e fortalece a capacidade de conquistar oportunidades e autonomia, exercer cidadania e civismo e propiciar convivência social com qualidade, dignidade e segurança. O sucesso depende da autoridade da direção, do valor dado ao professor, do comprometimento da comunidade escolar e das condições oferecidas pelos gestores.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

QUALIDADE DE ENSINO

ZERO HORA 20 de fevereiro de 2014 | N° 17710


ARTIGOS


Danilo Gandin*




As aulas do ensino básico recomeçam. Muitas esperanças são renovadas. Professoras e professores, quais fênix do século 21, renascem e, cheios de novo entusiasmo, esquecem as agruras do ano anterior e encaram esta nova aventura com dedicação.

Mas não é o sentimento que determina o resultado; nem o querer sem fundamento. É preciso refletir, planejar e ser coerente para ajudar os alunos e a sociedade na busca de novas conquistas civilizatórias.

Todos falam, todos os dias, que deve haver qualidade de ensino. Mas poucos tentam conceituar esta qualidade. Certamente ela não consiste em que os alunos ganhem boas notas porque decoraram alguns fatos, algumas fórmulas e alguns (mais raros) conceitos. Embora a sociedade aceite que isto é qualidade de ensino, todos sabemos que as crianças e adolescentes vão esquecer isto muito rapidamente, como, aliás, todos nós, adultos, fizemos, sem prejuízo algum para nossas vidas.

Os melhores autores (Paulo Freire, Capra, Morin, Saviani, Fernando Hernández, a recente Diane Ravitch, que nos mostra o fracasso da proposta estadunidense, e muitos outros, entre os quais se inclui a Unesco) convergem para a grande proposta dos dias de hoje: que o foco da qualidade não é o “educar”, mas o “educar-se”. Isto significa que a escola não deve ser um lugar para dar limites – a disciplina em busca de algo significativo é sempre necessária – mas para abrir horizontes; não deve ser um espaço para “domesticar”, mas uma ajuda para que crianças e adolescentes se eduquem.

O que é uma pessoa educada? Em que consiste o educar-se? Qual é, enfim, a tarefa da escola para a qualidade?

Em resumo e supondo a resposta às duas perguntas anteriores a escola de qualidade é aquela que cria condições para que o aluno: defina e busque sua própria identidade, onde o principal é a construção de sua hierarquia de valores; se aproprie de ferramentas para participar na sociedade, sobretudo com condições de usufruir dos bens materiais e espirituais que a sociedade produz; assuma um compromisso social, fazendo parte de grupos e tendo consciência dessa participação; viva algum tipo de transcendência, pelo menos sendo capaz de ações além de interesses imediatos próprios ou dos grupos a que pertence; seja capaz de ter abertura para o contínuo crescimento, ou seja, o contínuo educar-se.

Professoras e professores dizem que não podem buscar este tipo de qualidade porque não lhes é permitido. Parece chegado o tempo em que autoridades educacionais e educadores construam novos processos pedagógicos que escolas esparsas e municípios já estão experimentando.

*PROFESSOR, ESCRITOR, ESPECIALISTA EM PLANEJAMENTO

Nenhum comentário:

Postar um comentário