EDUCAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Defendemos uma política educacional multidisciplinar integrando os conhecimentos científico, artístico, desportivo e técnico-profissional, capaz de identificar habilidade, talento, potencial e vocação. A Educação é uma bússola que orienta o caminho, minimiza dúvidas, reduz preocupações e fortalece a capacidade de conquistar oportunidades e autonomia, exercer cidadania e civismo e propiciar convivência social com qualidade, dignidade e segurança. O sucesso depende da autoridade da direção, do valor dado ao professor, do comprometimento da comunidade escolar e das condições oferecidas pelos gestores.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ENSINO FUNDAMENTAL FOI DESIGUAL


ZH 08 de setembro de 2014 | N° 17916


EDUCAÇÃO. RESULTADOS DO IDEB

Escolas gaúchas superam a meta do Ministério da Educação nos anos iniciais, seguindo a tendência nacional, mas os finais ficaram abaixo da expectativa no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, calculado a cada dois anos



O Ensino Fundamental gaúcho obteve desempenhos diferenciados na avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do governo federal.

Nos anos iniciais, do primeiro ao quinto, foi superada a meta de 5,3 pontos, conquistando- se 5,6. E, nos anos finais, do sexto ao nono, foram alcançados 4,2 pontos – 0,5 abaixo do objetivo.

Divulgado na sexta-feira, o Ideb mostrou que o Rio Grande do Sul avançou como um todo na educação, passando da nona para a segunda posição no país – empatado com São Paulo e atrás apenas de Goiás. Sobre os rendimentos desiguais no Ensino Fundamental, há explicações. O secretário estadual da Educação, Jose Clovis de Azevedo, diz que foi possível investir de forma intensa nos anos iniciais.

Basicamente, foram duas intervenções entre o primeiro e o quinto ano do Fundamental. Azevedo afirma que foi ampliada a formação dos professores e reformulado o currículo, com ênfase na construção do conhecimento. O Ministério da Educação ajudou com a parceria Alfabetização na Idade Certa, via universidades federais.

O segmento dos anos finais do Ensino Fundamental não atingiu a meta, mas cresceu de 4,1 para 4,2 pontos. Azevedo anuncia que o plano, agora, é mudar o currículo da última etapa e reforçar o treinamento dos professores. A proposta está sendo preparada para vigorar a partir do próximo ano, independente das eleições.

– Não fizemos uma intervenção mais intensa nos anos finais, digamos que por falta de pernas – observa o secretário.

A expectativa é de que o investimento nos anos finais do Ensino Fundamental irá beneficiar os alunos do Ensino Médio, onde o Rio Grande do Sul cresceu de 3,7 para 3,9 pontos. Ficou abaixo da meta, que era de 4,3.

– Mudanças na educação têm os melhores frutos a médio e longo prazo. Se não houver descontinuidade, o ritmo será melhor – prevê Azevedo.


O desempenho dos municípios

Picada Café, situada na região da Encosta da Serra, destacou-se no ranking do Ideb, na categoria anos finais do Ensino Fundamental, com 6,1 pontos. Um dos educandários de Picada Café, a Escola Municipal Vinte e Cinco de Julho, conquistou 6,9 pontos. Ficou acima da meta estabelecida para 2021, que era de 6,4 pontos. Com 5,1 mil habitantes, a cidade investe em educação básica como condição para acelerar o desenvolvimento. Nova Petrópolis, que fica ao lado, ficou em segundo lugar entre as melhores nos anos finais.

Outro destaque na educação municipal, mas no segmento dos anos iniciais do Ensino Fundamental, foi Aratiba, localizada no extremo Norte, quase na divisa com Santa Catarina. Alcançou nota 7,4, superando o 6,7 da edição anterior no Ideb.


sábado, 6 de setembro de 2014

ENSINO MÉDIO PIORA EM 16 ESTADOS




Divulgado pelo Ministério da Educação, índice que mede a qualidade do ensino ficou abaixo da meta do governo federal

CAMILA GUIMARÃES
REVISTA ÉPOCA 05/09/2014 16h22 




O estado que obteve a melhor nota foi Goiás, com 3,8, uma melhora de 0,2 em relação a 2009 (Foto: Divulgação)

O ensino médio, a etapa mais problemática do ensino básico brasileiro, teve desempenho medíocre no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Entre 2011 e 2013, o índice recuou em 16 estados e ficou abaixo da meta do governo federal. O índice nacional do ensino médio ficou em 3,7 e a meta era de 3,9. Em 2011, o Ideb já apontava estagnação no avanço da qualidade em relação a 2009. Os governos estaduais são responsáveis por 97% das matrículas nesta etapa de ensino.

Divulgado a cada dois anos pelo Ministério da Educação, o Ideb avalia o desempenho dos alunos da educação básica em português e matemática, além da progressão escolar. É a prova aplicada pelo governo para medir a qualidade da educação em cerca de 190 mil escolas. A nota do Ideb varia de 0 a 6.

Em 2013, o Ideb do ensino médio recuou em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Ceará, Roraima, Tocantins, Amazonas, Pará, Rio Grande do Norte e Mato Grosso.

O Estado que obteve a melhor nota foi Goiás, com 3,8, uma melhora de 0,2 em relação a 2009. Os outros Estados que melhoraram foram Rio de Janeiro (foi o maior avanço, passou de 15º no ranking estadual para 4º lugar), Pernambuco, Rondônia, Espírito Santo, Distrito Federal, Piauí e Paraíba. Acre e Alagoas ficaram estagnados.

O AVANÇO DO ESTADO NO IDEB



ZH 06 de setembro de 2014 | N° 17914


EDITORIAL





As notas médias do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica caíram em 16 Estados, mas o Rio Grande do Sul saltou da 10ª para a segunda posição.

Visto por educadores como a etapa mais desafiadora do ensino, pelos reflexos que tem na formação profissional, o Ensino Médio registrou uma piora no país de maneira geral, ficando abaixo da meta definida pelo Ministério da Educação (MEC) e com um desempenho muito aquém do registrado em nações desenvolvidas. Nesse quadro, ganha particular importância o salto registrado pelo Ensino Médio estadual no Rio Grande do Sul, que, ao passar de 3,4 pontos em 2011 para 3,7 pontos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2013, subiu do 10º para o segundo lugar no ranking, figurando ao lado de São Paulo. O resultado, promissor, precisa motivar os responsáveis pela formulação de políticas de ensino, para que o Estado continue perseguindo níveis de excelência nessa área.

Com poucas exceções, o Ideb de 2013 vai exigir ações imediatas da parte de governadores. Em nada menos de 16 Estados, as notas médias caíram em relação às de 2011. De maneira geral, o levantamento demonstra que o país superou as metas oficiais no ciclo inicial do Ensino Fundamental (do 1º ao 5º ano). Mas, assim como ocorreu no Ensino Médio, ficou abaixo das pretensões também no final do Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano). O resultado apressa a necessidade de providências voltadas tanto para a rede pública (estadual e municipal) quanto para a rede privada. Um dos aspectos relevantes desse indicador é justamente o de facilitar o planejamento e a execução de políticas educacionais com base em metas bianuais definidas até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil.

A vantagem do Ideb é a de simplificar a aferição das políticas educacionais por parte de gestores estaduais e municipais. O trabalho é objetivado porque são levados em conta dois fatores com interferência direta na qualidade da educação: rendimento escolar, com base em taxas de aprovação, reprovação e abandono, e médias de desempenho na Prova Brasil. Isso significa que, para uma escola ou rede alcançar resultado melhor, é preciso que o aluno aprenda a lidar satisfatoriamente com a língua portuguesa e a matemática, mantenha a frequência em sala de aula e não precise repetir o ano. Bons resultados, porém, não dependem unicamente dos estudantes, mas sobretudo de políticas públicas adequadas.

Ensino de qualidade, como o que o país precisa assegurar a todos os brasileiros, exige o aprofundamento de ferramentas como o Ideb e a adoção das correções necessárias. Envolve também a formação, a avaliação constante e a valorização dos educadores.

RS AVANÇA NO ENSINO MÉDIO, MAS NÃO ATINGE METAS

RS tem melhora em todos os níveis de ensino, aponta Ideb Tadeu Vilani/Agencia RBS

ZERO HORA 06 de setembro de 2014 | N° 17914



ITAMAR MELO NILSON MARIANO


IDEB EVOLUÇÃO DO RS. UM ALENTO PARA A EDUCAÇÃO

ESCOLAS GAÚCHAS MELHORAM nos três níveis de avaliação de desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, mas meta estabelecida para anos finais do Fundamental e Ensino Médio não foi atingida



As escolas do Rio Grande do Sul melhoraram entre 2011 e 2013, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgados ontem pelo governo federal. A pontuação total das redes pública e privada subiu nos três níveis avaliados, fazendo o Estado galgar posições do ranking nacional. Apesar desse avanço, as metas estabelecidas para o Ensino Médio e para os anos finais do Ensino Fundamental não foram atingidas.

O Ideb avalia a qualidade do ensino no país, de dois em dois anos, com base em dados sobre aprovação e desempenho escolar obtidos por meio de avaliações do MEC. Um ponto de destaque nos números divulgados ontem foi o desempenho do Ensino Médio gaúcho. Em um cenário geral de deterioração da qualidade – 13 Estados recuaram no Ideb e cinco ficaram estagnados –, o Rio Grande do Sul viu seu conceito subir de 3,7 para 3,9.

Esse crescimento deveu-se à rede estadual. Enquanto os colégios privados gaúchos retrocederam (o Ideb deles caiu de 5,9 para 5,7 – leia mais na página 24), as escolas estaduais melhoraram a pontuação (de 3,4 para 3,7). Mesmo sem terem atingido a meta (4), saíram do nono posto no ranking nacional de 2011 para o segundo no deste ano, atrás apenas de Goiás e empatadas com São Paulo.

O resultado foi festejado pelo secretário estadual da Educação, Jose Clovis de Azevedo, que atribuiu a evolução à reformulação implantada no Médio a partir de 2012. Segundo o secretário, houve reforma no currículo, incentivo à pesquisa, motivação dos estudantes, formação dos professores e melhorias nos prédios escolares. Outra medida de impacto, para o secretário, foi o acréscimo de 600 horas no ano escolar, o que aumentou o tempo de estudo.

– Implantamos uma pedagogia ativa, em que os alunos não são pacientes – afirmou.

Azevedo minimizou o fato de a rede estadual não ter alcançado a meta que estava fixada:

– O importante é que estamos crescendo e melhorando, não só em relação a nós mesmos, mas em relação a outros Estados – argumentou.

Especialistas foram mais contidos na avaliação. Fernando Becker, professor de Psicologia da Educação na UFRGS, avalia que o avanço não é “tão significativo assim”, em termos estatísticos. Disse que outros Estados estagnaram ou decaíram, o que facilitou a progressão gaúcha. No Ensino Médio público, 16 Estados pioraram.

– Pode-se considerar que houve uma melhora, mas não uma melhora absoluta. Deve ser comparada ao que está acontecendo com os outros – observou.

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental (do 1º ao 5º), o Rio Grande do Sul como um todo também melhorou, passando de oitavo para sétimo lugar no ranking. Houve avanços na rede pública (de 5,1 para 5,4) e na rede privada (6,7 para 7,2), que conseguiram suplantar a meta (respectivamente de 5,2 e 6,7). As escolas estaduais deram um salto nesse nível de ensino (de 5,1 para 5,5), mas se mantiveram na sétima posição em comparação com os demais Estados. O resultado também foi atribuído pela secretaria a uma reformulação dos currículos.

Para a coordenadora-geral do movimento Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, é necessário ponderar que os Estados do Sul e do Sudeste se beneficiam por ter historicamente um nível mais alto.

– É um resultado que dá para nos deixar felizes, mas é preciso ressaltar que dadas as condições econômicas seria possível avançar ainda mais nessas regiões.

RESULTADOS MODESTOS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Os resultados mais modestos vieram nos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º). A meta gaúcha era um Ideb de 4,7, mas o Estado avançou muito pouco (de 4,1 para 4,2) e ficou longe de atingir o objetivo. Obteve apenas a 12ª melhor posição nacional. Nesse nível, a rede estadual, que se destacou nos outros ciclos da Educação Básica, avançou apenas 0,1 ponto, aparecendo como a nona no ranking. Azevedo disse que etapa ainda não foi possível realizar uma reformulação.

– Os anos finais do Ensino Fundamental foram totalmente esquecidos no país, não há política, está mal equacionada, as escolas têm dificuldades. Essa estrutura mal resolvida nos anos finais tem reflexo no Ensino Médio – avalia Alejandra.

No cenário nacional, o Ensino Médio e os anos finais do Fundamental não conseguiram atingir as metas previstas de qualidade. O ensino secundário, aliás, não evoluiu nada em comparação com 2011. Nos anos iniciais, o Ideb superou a meta em 0,3 ponto. O ministro da Educação, Henrique Paim, disse considerar que, futuramente, o avanço dos anos iniciais poderá ter impacto positivo nas etapas posteriores. Quanto ao Médio, disse que medidas estão em estudo:

– Precisamos ampliar a flexibilidade do currículo.

ENSINO PRIVADO DO RS PERDE PONTOS NO IDEB

ZERO HORA 05/09/2014 | 22h38

Ensino privado do Rio Grande do Sul perde pontos no Ideb. Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi divulgado na tarde desta sexta-feira pelo Ministério da Educação



Foto: Claudio Vaz / Agencia RBS


Na contramão dos avanços conquistados pela escola pública, o ensino privado gaúcho perdeu pontos no Ideb, recuando de 5,9 para 5,7 na avaliação do Ensino Médio. O presidente do Sindicato do Ensino Privado (Sinepe) no Estado, Bruno Eizerik, disse que o setor irá analisar detidamente os resultados e tirar suas conclusões.


Eizerik não quis se manifestar mais aprofundadamente sobre o balanço do Ideb, nesta sexta-feira, porque estava digerindo os dados. No entanto, de forma genérica, disse que a posição foi "boa", mas não deixou as direções dos colégios satisfeitas. O dirigente comentou que a aferição do Ministério da Educação via Ideb é feita por amostragem, o que traz dificuldades. Exemplifiou que uma escola participa numa edição, mas não continua sendo testada posteriormente. É substituída por outra.

— O Sinepe não compactua muito com rankings e comparativos, ainda mais o Ideb, que é feito por amostragem — afirmou Eizerik.

Para Fernando Becker, professor de Psicologia da Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), existem sinais que podem explicar a perda de qualidade de escolas particulares. Um deles é "o desvio perigoso" de buscar recursos na literatura de auto-ajuda, em desprestígio à ciência.

— Escola tem de ensinar o que a ciência produziu, não o senso comum, que inclui a auto-ajuda — disse.

Outra evidência é a defasagem tecnológica entre professores e alunos, a maioria de famílias abastadas, que dispõem de tablets e iPhones. Em função do descompasso, alerta Becker, as aulas são mais de auditório do que de laboratório. Deveria ser ao contrário, para que o aprendizado melhorasse.

— Essas situações estão botando o magistério do ensino privado contra a parede, e ele não está sabendo reagir — observou.

A coordenadora geral do movimento Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, disse que a queda na performance da rede privada merece atenção, por interessar a sociedade. Sugeriu que as secretarias estaduais se preocupem, mesmo não sendo responsáveis pela prestação do serviço.



http://infogr.am/rede-privada-no-ideb?src=web

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

ENSINO SUPERIOR NA MIRA DA JUSTIÇA


ZH 03 de setembro de 2014 | N° 17911


JÚLIA OTERO 


PELOTAS. Concessão de bolsas de pesquisa está sob suspeita no sul do Estado. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL investiga suposta fraude envolvendo distribuição de verbase funções gratificadas a pessoas próximas ao reitor da Universidade Federal de Pelotas

Um suposto esquema de distribuição de bolsas de pesquisa na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e suas fundações de apoio está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF), revelou ontem reportagem da Rádio Gaúcha.

Conforme apuração do MPF, as bolsas que deveriam ter sido divulgadas para toda a universidade eram, na realidade, direcionadas a pessoas próximas ao reitor, Mauro del Pino. Os favorecidos teriam recebido funções gratificadas logo após a posse do reitor, e não teriam qualquer envolvimento com as áreas que supostamente estudariam.

Um dos casos suspeitos envolveria Gilberto Luis da Silva Carvalho, cujo nome aparece no Portal da Transparência com o cargo de servente de limpeza da universidade. Carvalho teria recebido R$ 12 mil para um estudo sobre vitivinicultura.

Outro caso que chamou a atenção do MPF foi o de Cristiano Guedes Pinheiro, que presidia as fundações de apoio – órgãos que recebiam verbas para estudo –, e se beneficiava de duas bolsas, sendo uma também para vitivinicultura, a mesma concedida ao servente de limpeza. O MPF vai investigar se as pesquisas realmente foram feitas.

– O presidente das fundações era também bolsista dessas instituições. Recebia valores que eram o dobro do que um bolsista de doutorado recebe geralmente. Na UFPel, há um total descontrole das bolsas – afirmou o procurador da República, Max Palombo.

Pinheiro, doutorando em Educação, teria recebido R$ 36 mil para ministrar 180 palestras em inspeção agropecuária, em 120 dias. Palombo também avisou que deverá pedir a restituição dos valores que teriam sido distribuídos indevidamente.

Sindicância da UFPel vai apurar denúncias


A concessão de bolsas de pesquisas não é ilegal, mas depende de critérios. O beneficiado tem de ter um mínimo de afinidade com o assunto a ser estudado e, se for professor, a bolsa prevê carga horária máxima de 20 horas semanais e valor limite de 50% do salário.

A investigação constatou que essa proporcionalidade não foi cumprida em alguns casos, como do pesquisador com pós-doutorado em Harvard, Luiz Augusto Facchini. Apesar de não ter cargo comissionado, a remuneração que recebia, somada ao salário, resultava em um valor superior aos ganhos de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

– É ilegal. Ninguém pode receber mais do que o teto constitucional. Todo servidor público deveria saber disso. Eu não considero que seja uma boa prática a pessoa que não tem nenhuma afinidade com o objeto do convênio se beneficie de bolsa – diz o chefe da unidade de auditoria interna da UFPel, Elias Medeiros Vieira.

Outro item que surpreendeu os investigadores foi a solicitação de diárias feita por Facchini neste ano. Ele teria gasto R$ 8 mil com 40 diárias no hotel Praiamar, em Natal (RN), que, em página na internet, informa estar localizado na melhor área da cidade, perto dos melhores bares e do mar.

A oposição ao reitor Mauro del Pino critica a nomeação de assessores, por alguns terem sido da comissão eleitoral que o elegeu. Um dos nomes apontados é o de Hemerson Luis Pase, professor adjunto que integrou a comissão eleitoral agraciado com uma função gratificada de assessor, tendo recebido mais de R$ 30 mil para projetos e, posteriormente, ter sido promovido a coordenador de convênios de toda a universidade.

A UFPel abriu uma sindicância para apurar os casos denunciados.


CONTRAPONTOS


LUIZ AUGUSTO FACCHINI - Disse que não passou 40 dias em Natal e que emitiu nota falsa para cobrir gastos de uma defesa de conclusão de curso. Afirmou que a fundação de apoio teria se esquecido de reservar o local – a emissão da nota falsa teria sido a maneira encontrada para manter o evento. Em relação à remuneração, defende que não há jurisprudência que defina com rigor o teto ser alcançado com bolsas.

GILBERTO LUIS DA SILVA CARVALHO - Não quis se pronunciar.

HEMERSON LUIS PASE - Disse que não contrariou qualquer legislação.

CRISTIANO GUEDES PINHEIRO - Não retornou as ligações feitas pela reportagem.

REITOR MAURO DEL PINO - Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, disse que já afastou os quatro servidores que receberam as bolsas. Eles também teriam perdido as funções gratificadas e ficarão sem exercer suas funções até que o caso seja apurado. Afirmou que ficou definido que quem havia recebido mais do que o teto constitucional teria de devolver o dinheiro.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

ALUNOS PROTESTAM POR SEGURANÇA NO ENTORNO DE ESCOLAS

DIÁRIO GAÚCHO 01/09/2014 | 17h43

Cristiane Bazilio

Alunos protestam por segurança no entorno de escolas do Rubem Berta. Estudantes da Escola Técnica Estadual José Feijó fecharam parcialmente a Avenida Baltazar de Oliveira Garcia, na Zona Norte da Capital. Eles se queixam da rotina de assaltos e violência na região



Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS


Amedrontados pela violência e cansados da rotina de assaltos, alunos da Escola Técnica Estadual José Feijó, localizada na Rua Enéas Flores, no Bairro Rubem Berta, na Capital, realizaram um protesto no final da manhã desta segunda-feira, pedindo mais segurança.

Cerca de 50 estudantes, munidos com cartazes, bandeiras e megafone reuniram-se em frente à escola, de onde partiram em caminhada até a Avenida Baltazar de Oliveira Garcia, a alguns metros dali, onde, segundo eles, ocorre o maior número de abordagens dos criminosos.

- Já contamos pelo menos dezesseis assaltos em duas semanas. Já aconteceu de quatro alunos serem atacados no mesmo dia. Levam, principalmente, tênis e celular. Tem gente com medo de vir pra escola, alunos faltando aula. Queremos que alguém nos escute e nos ajude. Só estamos pedindo segurança para podermos ir a aula tranquilamente - explica a estudante Taís Jardim, organizadora da manifestação.

Comandante do 20ª BPM, o tenente-coronel Marcelo Pitta se disse surpreso com os relatos do alto índice de assaltos no entorno escolar, uma vez que não têm chegado até ele registros de ocorrência destas situações.

- Me causa estranheza esta informação, porque temos uma patrulha escolar diariamente circulando na região, das 7h às 23h, e que fica em contato direto com os representantes das escolas. Os diretores têm, inclusive, o celular do patrulheiro para acioná-lo sempre que necessário - afirma.

Para o vice-diretor da instituição de ensino, Jorge Luis Oliveira Coelho, no entanto, a atenção dispensada pela Brigada Militar às escolas da região é insuficiente, tendo em vista o número reduzido de efetivo nas ruas.

- Existe uma patrulha escolar que faz a segurança das escolas da região, mas é insuficiente, porque é uma viatura para atender muitas escolas. Do portão para dentro, eu faço a minha parte para garantir a segurança dos alunos, mas quando eles saem para a rua não tenho como protegê-los - lamenta.

Segundo Jorge Luis, uma reunião com o comando da Brigada Militar deve ser marcada para os próximos dias para tratar a questão da segurança na região. Ele admite e concorda com uma queixa recorrente da polícia no que diz respeito às queixas de assaltos: a de que as pessoas não registram boletim de ocorrência, o que dificulta a ação policial ostensiva, como explica o comandante do 20º BPM.

- Não temos registros destes assaltos, portanto, não temos como saber desta situação e da necessidade de uma ação específica em determinada escola. É importante que as pessoas que estão sofrendo estes ataques façam os registros de ocorrência para que isso possa gerar uma demanda - orienta.

Nas proximidades da José Feijó, estão localizadas ainda, pelo menos, outras três escolas: Ginásio Estadual Padre Leo, escola Estadual de 1º Grau Professora Luíza Teixeira Lauffer e Instituto de Educação São Francisco. Contatadas pelo Diário Gaúcho, todas admitiram ter conhecimento de casos de alunos que já foram assaltados na chegada ou saída das aulas.