O tom aterrador da matança naquela escola do Rio de Janeiro foi tão cruel e inexplicável, que nos fez perder o sentido do entendimento. Nada perturba tanto quanto os instantes seguintes às tragédias. O choque nos deixa apalermados: a cognição se esvai e entramos no delírio. Um delírio às avessas, que fantasia com o absurdo e cai no exótico do exótico.
Assim, já que é impossível explicar por que o rapazote de 23 anos foi à antiga escola para matar a esmo e matar-se, a “solução” surgiu como trovão na tontura. E os sábios de plantão proclamaram: se a arma matou, proíbam-se as armas e tudo se resolverá.
Lembram-se do motorista enlouquecido que jogou o carro contra centenas de ciclistas em Porto Alegre? E se, para evitar a repetição dessa loucura, proibíssemos os automóveis nas ruas da cidade?
Os sábios de plantão têm mais “soluções”: levar policiais às escolas, mesmo que pareçam quartéis ou fortalezas, com cadernos misturados a cassetetes e pistolas. Em vez de se educar pela compreensão e pelo amor, reprima-se pela ostentação do medo! Em vez de amar, armar-se.
Não se toca nas causas estruturais da violência. Ou simulam que não há causas e que a vida nada engendra. Ou que o violento nasce em geração espontânea, por fatalidade genética ou decisão do demônio e, assim, a violência está acima da capacidade humana de enfrentá-la.
Olhamos só a violência milenar, esquecendo que o modelo atual de sociedade faz do ato violento um bem de consumo que usamos e aplaudimos. A “nova música” é brusca nos acordes e vulgar nas letras. Os desenhos infantis na TV, com correrias, gritos, sons duros e cores berrantes, abrem caminho à aceitação futura da síntese disso tudo – a violência. Boa parte da publicidade comercial exibe conquista e violência como meta, em imagem ou linguagem de baixo calão. O hedonismo substitui a integração amorosa e rebaixa a beleza do erotismo ao nível de cloaca.
Surgem até novas igrejas que cultuam o poder do dinheiro, do “vencer na vida custe o que custar” e ignoram o amor cristão. Mas em nada disto se vê gênese alguma de violência!
A psique humana é inexplicável e oculta. Freud, Jung ou Lacan, a psicanálise ou a psiquiatria e os psicotrópicos, apontaram caminhos para equilibrar ou mudar comportamentos, mas não desvendaram os mecanismos da mente humana. A tomografia é capaz de fotografar ou filmar as funções cerebrais, mas não desvenda o que move os instintos e os desejos. Nem o que distingue a bondade da perversão. Sabemos, porém, que a mente se forma e a alma se constrói.
E, nisso, o rapazote assassino deixou vestígios de si. Engendrado pelo delírio, fantasiou-se de mártir e, antes de sair a matar (e matar-se) cortou a barba, deixou carta ordenando que “mãos impuras” não tocassem no seu cadáver e um vídeo de despedida atacando “os covardes que aniquilam inocentes”. Ao descrever os demais, descreveu-se a si mesmo.
Ao sentir-se desprezado em vida, apostou no post mortem: fez pontaria nas meninas e matou 10 delas. Acertou em dois meninos por acaso ou por desvio da bala. O alvo eram as pré-adolescentes, pois queria exterminar as fêmeas. Sentia-se macho absoluto no gatilho. Não no afeto.
Quem inventou o espelho envenenou a alma humana, dizia Fernando Pessoa. O rapazote assassino queria ser visível, espelhar-se nos machos do Big Brother Brasil. Sem TV, copiou os anônimos terroristas palestinos que, antes de puxar o fio da bomba guardada no corpo, despedem-se num vídeo pensando passar à História.
FLAVIO TAVARES, JORNALISTA E ESCRITOR - ZERO HORA 17/04/2011
Este blog mostrará as deficiências, o sucateamento, o descaso, a indisciplina, a ausência de autoridade, os baixos salários, o bullying, a insegurança e a violência que contaminam o ensino, a educação, a cultura, o civismo, a cidadania, a formação, a profissionalização e o futuro do jovem brasileiro.
EDUCAÇÃO MULTIDISCIPLINAR
Defendemos uma política educacional multidisciplinar integrando os conhecimentos científico, artístico, desportivo e técnico-profissional, capaz de identificar habilidade, talento, potencial e vocação. A Educação é uma bússola que orienta o caminho, minimiza dúvidas, reduz preocupações e fortalece a capacidade de conquistar oportunidades e autonomia, exercer cidadania e civismo e propiciar convivência social com qualidade, dignidade e segurança. O sucesso depende da autoridade da direção, do valor dado ao professor, do comprometimento da comunidade escolar e das condições oferecidas pelos gestores.
domingo, 17 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
À MARGEM DA ELITE
Recentemente, participei de conferência na área da estratégia, com professores de todo o mundo. Em paralelo ao relevante avanço para administração, surge uma notícia que se propagou pelo país: dos emergentes, nosso país é o único a não figurar na lista das cem melhores universidades. Rússia, Índia e China (dos emergentes Bric) conseguiram representação. Mais uma vez, ficamos de fora.
Qual será o problema? Nossos acadêmicos não têm qualidade, ou os professores são na totalidade medíocres? Certamente, não é o caso, apesar de nossa perspectiva subdesenvolvida de ensino. Quem são os responsáveis pelo problema? Creio não ser questão unidimensional, e envolve, além das pessoas, a cultura do ensino brasileiro, uma por vezes incompetente gestão governamental na educação, e muito deriva de nossas universidades, públicas e privadas. Antes mesmo, na educação fundamental e média, alunos são ensinados a decorar, fornecer respostas prontas para questões absolutas (pacto pela mediocridade). O mundo real não é compatível com livros-textos, especialmente quando estes já estão defasados.
Das universidades públicas, se observa por vezes o corporativismo velado, a disputa irresponsável das “cinderelas acadêmicas” para saber qual é mais bela, enquanto candidatos ávidos por crescimento amargam na espera por uma vaga de mestrado ou doutorado. Não se pode generalizar, pois grandes educadores estão nestas instituições, assim como nas privadas a existência da incompetência também é evidente. Como docente e pesquisador, meu maior incômodo é a falta de foco em pesquisa. A educação em muitos ambientes, inclusive nas universidades, insiste no modelo do giz, onde o computador portátil é uma pseudoameaça, como se antes problemas não ocorressem. O modelo tradicional é melhor? Não é, porque não são ferramentas, mas a maneira de utilizar suas potencialidades que determinam sucesso ou fracasso, foco ou displicência. Surpreen- do-me ao ver colegas que proíbem os computadores em sala de aula, que focam o professor na condição de depositário dos saberes e o aluno como mero receptor.
Gestão escolar míope, que acredita ser o produzir inferior ao reproduzir, infelizmente ainda é o modelo dominante, o estilo “colegião” em sala de aula. Quando na universidade há colegas de curriculum vazio, o problema se agrava, em especial quando a fragilidade está nos comandantes. Muitas coordenações de curso e seus fiéis e incompetentes escudeiros corroboram com a extinção dos professores pesquisadores, reais desenvolvedores de ciência (lembrando que incompetentes jamais andam solitários, como destacado na coluna de Paulo Sant’Ana em ZH de 25 de fevereiro). O perigo dessas culturas de ensino é que o aluno acaba por se apaixonar pelos atores, aqueles que fazem de conta na docência superior, vistos como referências apesar do blá-blá-blá vazio. Pode o docente que não cocria valor com outros acadêmicos “ensinar” alguém, se já não aprende mais? A resposta pode não ser tão simples, mas certamente o professor que pesquisa e envolve seus alunos contribui mais com o país do que aquele que apenas paga o churrasco.
Flávio Régio Brambilla, Doutor em Administração (Marketing) e pesquisador, professor titular do curso de Administração da Ulbra - À margem da elite educacional - ZERO HORA 16/04/2011
Qual será o problema? Nossos acadêmicos não têm qualidade, ou os professores são na totalidade medíocres? Certamente, não é o caso, apesar de nossa perspectiva subdesenvolvida de ensino. Quem são os responsáveis pelo problema? Creio não ser questão unidimensional, e envolve, além das pessoas, a cultura do ensino brasileiro, uma por vezes incompetente gestão governamental na educação, e muito deriva de nossas universidades, públicas e privadas. Antes mesmo, na educação fundamental e média, alunos são ensinados a decorar, fornecer respostas prontas para questões absolutas (pacto pela mediocridade). O mundo real não é compatível com livros-textos, especialmente quando estes já estão defasados.
Das universidades públicas, se observa por vezes o corporativismo velado, a disputa irresponsável das “cinderelas acadêmicas” para saber qual é mais bela, enquanto candidatos ávidos por crescimento amargam na espera por uma vaga de mestrado ou doutorado. Não se pode generalizar, pois grandes educadores estão nestas instituições, assim como nas privadas a existência da incompetência também é evidente. Como docente e pesquisador, meu maior incômodo é a falta de foco em pesquisa. A educação em muitos ambientes, inclusive nas universidades, insiste no modelo do giz, onde o computador portátil é uma pseudoameaça, como se antes problemas não ocorressem. O modelo tradicional é melhor? Não é, porque não são ferramentas, mas a maneira de utilizar suas potencialidades que determinam sucesso ou fracasso, foco ou displicência. Surpreen- do-me ao ver colegas que proíbem os computadores em sala de aula, que focam o professor na condição de depositário dos saberes e o aluno como mero receptor.
Gestão escolar míope, que acredita ser o produzir inferior ao reproduzir, infelizmente ainda é o modelo dominante, o estilo “colegião” em sala de aula. Quando na universidade há colegas de curriculum vazio, o problema se agrava, em especial quando a fragilidade está nos comandantes. Muitas coordenações de curso e seus fiéis e incompetentes escudeiros corroboram com a extinção dos professores pesquisadores, reais desenvolvedores de ciência (lembrando que incompetentes jamais andam solitários, como destacado na coluna de Paulo Sant’Ana em ZH de 25 de fevereiro). O perigo dessas culturas de ensino é que o aluno acaba por se apaixonar pelos atores, aqueles que fazem de conta na docência superior, vistos como referências apesar do blá-blá-blá vazio. Pode o docente que não cocria valor com outros acadêmicos “ensinar” alguém, se já não aprende mais? A resposta pode não ser tão simples, mas certamente o professor que pesquisa e envolve seus alunos contribui mais com o país do que aquele que apenas paga o churrasco.
Flávio Régio Brambilla, Doutor em Administração (Marketing) e pesquisador, professor titular do curso de Administração da Ulbra - À margem da elite educacional - ZERO HORA 16/04/2011
VIOLÊNCIA NA ESCOLA
EDITORIAL ZERO HORA 16/04/2011
É ampla, e por isso não deve se restringir à rede pública estadual, a tarefa civilizadora dos comitês comunitários criados para combater a violência no meio escolar. Idealizados pelo governo do Estado, os comitês têm a missão de finalmente pôr em prática medidas debatidas à exaustão, mas nem sempre transformadas em ações concretas. Como a iniciativa é adotada num momento em que, ainda traumatizado, o país tenta compreender a chacina ocorrida na escola do bairro de Realengo, no Rio, espera-se que a capacidade de mobilização dos gaúchos não se esgote depois de passado o impacto provocado pela tragédia.
O esforço integrado é a grande virtude da ideia dos comitês, que corrige uma falha notada não só no Rio Grande do Sul. Providências no sentido de evitar especialmente o bullying nos colégios são da responsabilidade de todos. O Executivo, não só como mantenedor de redes escolares, mas como executor de políticas públicas que interferem em todo o entorno do meio colegial, deve disponibilizar quadros e recursos nesse esforço. Os educandários, nem sempre preparados para lidar com a questão da violência, também são desafiados a enfrentar um problema que não se restringe à rede pública e ocorre sem distinção de classes sociais. Ambos devem atuar em conjunto com as comunidades, representadas por pais e lideranças, e outras instituições, ou qualquer iniciativa será condenada ao fracasso.
Todos os envolvidos serão obrigados a reconhecer a omissão quase generalizada no combate aos maus-tratos, que se tornaram parte da rotina dos colégios, na maioria das vezes por serem encarados com indiferença pela direção, pelos professores e, principalmente, pelos próprios pais dos estudantes. O que importa é a ação concreta no sentido de reparar essa letargia, abalada pelo episódio de Realengo. Espera-se que as deliberações levem em conta não apenas as ameaças externas, como as drogas, e internas, como o famigerado bullying, mas todos os aspectos envolvidos na violência e nas mais variadas formas de indisciplina escolar, e que as decisões privilegiem o envolvimento comunitário e a prevenção.
É ampla, e por isso não deve se restringir à rede pública estadual, a tarefa civilizadora dos comitês comunitários criados para combater a violência no meio escolar. Idealizados pelo governo do Estado, os comitês têm a missão de finalmente pôr em prática medidas debatidas à exaustão, mas nem sempre transformadas em ações concretas. Como a iniciativa é adotada num momento em que, ainda traumatizado, o país tenta compreender a chacina ocorrida na escola do bairro de Realengo, no Rio, espera-se que a capacidade de mobilização dos gaúchos não se esgote depois de passado o impacto provocado pela tragédia.
O esforço integrado é a grande virtude da ideia dos comitês, que corrige uma falha notada não só no Rio Grande do Sul. Providências no sentido de evitar especialmente o bullying nos colégios são da responsabilidade de todos. O Executivo, não só como mantenedor de redes escolares, mas como executor de políticas públicas que interferem em todo o entorno do meio colegial, deve disponibilizar quadros e recursos nesse esforço. Os educandários, nem sempre preparados para lidar com a questão da violência, também são desafiados a enfrentar um problema que não se restringe à rede pública e ocorre sem distinção de classes sociais. Ambos devem atuar em conjunto com as comunidades, representadas por pais e lideranças, e outras instituições, ou qualquer iniciativa será condenada ao fracasso.
Todos os envolvidos serão obrigados a reconhecer a omissão quase generalizada no combate aos maus-tratos, que se tornaram parte da rotina dos colégios, na maioria das vezes por serem encarados com indiferença pela direção, pelos professores e, principalmente, pelos próprios pais dos estudantes. O que importa é a ação concreta no sentido de reparar essa letargia, abalada pelo episódio de Realengo. Espera-se que as deliberações levem em conta não apenas as ameaças externas, como as drogas, e internas, como o famigerado bullying, mas todos os aspectos envolvidos na violência e nas mais variadas formas de indisciplina escolar, e que as decisões privilegiem o envolvimento comunitário e a prevenção.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
DESVIO DE R$ 11 MIL DA EDUCAÇÃO
PF faz operação para investigar desvio de R$ 11 mi da educação - KÁTIA BRASIL, DE MANAUS -FOLHA ONLINE, 14/04/2011
A Polícia Federal do Amazonas informou nesta quinta-feira que cumpre dez mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Tefé e na sua representação em Manaus para tentar obter provas de um suposto desvio de recursos de convênios do Fundeb.
A estimativa é que o tenham sido desviados R$ 11 milhões.
Segundo a PF, a ação, chamada de Operação Imperador, tem o apoio de auditores da Controladoria Geral da União e de 50 agentes federais. Nesta fase da operação, não haverá prisões.
Os convênios com o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) foram assinados com a Prefeitura de Tefé em 2008 e 2009. Neste período, a prefeitura era administrada pelo ex-prefeito Sidônio Trindade Gonçalves (PHS), que foi afastado do cargo pela Justiça Eleitoral por inelegibilidade, em 2010.
Gonçalves exerceu dois mandatos de prefeito de Alvarães (AM), entre 1997 e 2004, quando transferiu seu domicílio eleitoral e se desincompatibilizou a tempo de concorrer ao cargo de prefeito de Tefé, para o qual foi eleito em 2004.
Gonçalves concorreu à reeleição em 2008. Dois anos depois, a Justiça Eleitoral aplicou a inelegibilidade prevista na Constituição Federal. Ele recorreu da decisão, mas não obteve sucesso na contestação.
Em janeiro, a Justiça Eleitoral promoveu nova eleição no município de Tefé. Assumiu o cargo de prefeito, Jucimar Veloso (PMDB).
A Polícia Federal do Amazonas informou nesta quinta-feira que cumpre dez mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Tefé e na sua representação em Manaus para tentar obter provas de um suposto desvio de recursos de convênios do Fundeb.
A estimativa é que o tenham sido desviados R$ 11 milhões.
Segundo a PF, a ação, chamada de Operação Imperador, tem o apoio de auditores da Controladoria Geral da União e de 50 agentes federais. Nesta fase da operação, não haverá prisões.
Os convênios com o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) foram assinados com a Prefeitura de Tefé em 2008 e 2009. Neste período, a prefeitura era administrada pelo ex-prefeito Sidônio Trindade Gonçalves (PHS), que foi afastado do cargo pela Justiça Eleitoral por inelegibilidade, em 2010.
Gonçalves exerceu dois mandatos de prefeito de Alvarães (AM), entre 1997 e 2004, quando transferiu seu domicílio eleitoral e se desincompatibilizou a tempo de concorrer ao cargo de prefeito de Tefé, para o qual foi eleito em 2004.
Gonçalves concorreu à reeleição em 2008. Dois anos depois, a Justiça Eleitoral aplicou a inelegibilidade prevista na Constituição Federal. Ele recorreu da decisão, mas não obteve sucesso na contestação.
Em janeiro, a Justiça Eleitoral promoveu nova eleição no município de Tefé. Assumiu o cargo de prefeito, Jucimar Veloso (PMDB).
O STF E O ENSINO BÁSICO
- OPINIÃO, O Estado de S.Paulo - 14/04/2011
Os secretários estaduais de Educação se mobilizaram para tentar evitar mais uma derrota judicial no Supremo Tribunal Federal (STF), que nos próximos dias deverá encerrar o julgamento da ação direta de inconstitucionalidade (Adin) movida pelos governos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará contra a Lei 11.738, que unificou os vencimentos dos professores da rede pública de ensino básico. Os secretários chamam a atenção do Supremo para os custos em que incorrerão os Estados, caso não saiam vitoriosos no último ponto que ainda resta para ser discutido. Quando a lei foi aprovada, há três anos, 37% dos professores recebiam menos do que o piso.
Na semana passada, o Supremo derrubou duas das três principais questões suscitadas na Adin patrocinada pelos governos estaduais. A Corte considerou a Lei 11.738 constitucional e decidiu que as gratificações e benefícios funcionais - como anuênios, quinquênios e bônus de produtividade - não podem ser usados pelas Prefeituras e Estados para compor o valor do piso nacional. Para o Supremo, o piso corresponde ao vencimento básico do cargo de professor, não podendo ser interpretado como remuneração global.
A terceira questão - relativa ao dispositivo da lei que obriga os professores a dedicar um terço de sua carga horária para planejamento e aperfeiçoamento profissional - não foi decidida por causa do avançado da hora e pela ausência dos ministros Cezar Peluso e José Antônio Toffoli. Quando foi suspenso, o julgamento estava com 5 votos favoráveis à tese de que a determinação é constitucional e 4 votos contrários. O STF aguarda as manifestações desses dois magistrados, para encerrar o caso em caráter definitivo.
Para os secretários estaduais de Educação, o aumento da atividade extraclasse do professorado da rede pública dos atuais 20% para 33% - no caso dos docentes que cumprem 40 horas semanais - não representa garantia de melhora da qualidade do ensino e ainda eleva drasticamente os gastos com pessoal, comprometendo o planejamento orçamentário. Segundo os secretários de Educação, se o STF não derrubar esse dispositivo, os Estados e os municípios precisarão contratar mais professores para completar o tempo reservado às aulas.
"Basicamente, para cada cinco professores será necessário contratar mais um. Temos 18 mil professores e as novas contratações aumentariam em R$ 4,8 milhões mensais a folha de pagamento", diz Maria Nilene da Costa, secretária de Educação de Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, o professor com jornada de 40 horas semanais tem 7 horas para atividade extraclasse - 6 a menos do que as exigidas pela Lei 11.738 e o governo estadual - que conta com 243 mil professores - teria de contratar mais 80 mil. No Rio Grande do Sul, que tem 83 mil docentes, seriam necessários mais 27,4 mil.
A maior oposição ao aumento das horas de atividade extraclasse vem de Estados cujos gastos com pessoal estão próximos do teto fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Pela LRF, a folha de pagamentos do funcionalismo não pode ultrapassar 49% da receita corrente líquida - em Santa Catarina, ela já corresponde a 48%. Os governadores alegam que, se o STF não derrubar o aumento da atividade extraclasse, eles ficarão num impasse jurídico. Para cumprir o que manda a Lei 11.738, terão de descumprir a LRF. Se cumprirem a LRF, cujas sanções por descumprimento são severas, terão de desobedecer a Lei 11.738.
Quando esta lei foi sancionada, dois meses antes do início da campanha eleitoral municipal de 2008, governadores e prefeitos acusaram o MEC de, com as novas medidas, ter angariado prestígio político junto às entidades de docentes, deixando aos municípios e Estados pesados encargos financeiros. Três anos depois, cabe ao Supremo decidir um problema que poderia ter sido evitado, caso governos federal, estaduais e municipais tivessem discutido melhor e com mais racionalidade como aplicar uma lei de fundamental importância para a modernização do ensino básico.
Os secretários estaduais de Educação se mobilizaram para tentar evitar mais uma derrota judicial no Supremo Tribunal Federal (STF), que nos próximos dias deverá encerrar o julgamento da ação direta de inconstitucionalidade (Adin) movida pelos governos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará contra a Lei 11.738, que unificou os vencimentos dos professores da rede pública de ensino básico. Os secretários chamam a atenção do Supremo para os custos em que incorrerão os Estados, caso não saiam vitoriosos no último ponto que ainda resta para ser discutido. Quando a lei foi aprovada, há três anos, 37% dos professores recebiam menos do que o piso.
Na semana passada, o Supremo derrubou duas das três principais questões suscitadas na Adin patrocinada pelos governos estaduais. A Corte considerou a Lei 11.738 constitucional e decidiu que as gratificações e benefícios funcionais - como anuênios, quinquênios e bônus de produtividade - não podem ser usados pelas Prefeituras e Estados para compor o valor do piso nacional. Para o Supremo, o piso corresponde ao vencimento básico do cargo de professor, não podendo ser interpretado como remuneração global.
A terceira questão - relativa ao dispositivo da lei que obriga os professores a dedicar um terço de sua carga horária para planejamento e aperfeiçoamento profissional - não foi decidida por causa do avançado da hora e pela ausência dos ministros Cezar Peluso e José Antônio Toffoli. Quando foi suspenso, o julgamento estava com 5 votos favoráveis à tese de que a determinação é constitucional e 4 votos contrários. O STF aguarda as manifestações desses dois magistrados, para encerrar o caso em caráter definitivo.
Para os secretários estaduais de Educação, o aumento da atividade extraclasse do professorado da rede pública dos atuais 20% para 33% - no caso dos docentes que cumprem 40 horas semanais - não representa garantia de melhora da qualidade do ensino e ainda eleva drasticamente os gastos com pessoal, comprometendo o planejamento orçamentário. Segundo os secretários de Educação, se o STF não derrubar esse dispositivo, os Estados e os municípios precisarão contratar mais professores para completar o tempo reservado às aulas.
"Basicamente, para cada cinco professores será necessário contratar mais um. Temos 18 mil professores e as novas contratações aumentariam em R$ 4,8 milhões mensais a folha de pagamento", diz Maria Nilene da Costa, secretária de Educação de Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, o professor com jornada de 40 horas semanais tem 7 horas para atividade extraclasse - 6 a menos do que as exigidas pela Lei 11.738 e o governo estadual - que conta com 243 mil professores - teria de contratar mais 80 mil. No Rio Grande do Sul, que tem 83 mil docentes, seriam necessários mais 27,4 mil.
A maior oposição ao aumento das horas de atividade extraclasse vem de Estados cujos gastos com pessoal estão próximos do teto fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Pela LRF, a folha de pagamentos do funcionalismo não pode ultrapassar 49% da receita corrente líquida - em Santa Catarina, ela já corresponde a 48%. Os governadores alegam que, se o STF não derrubar o aumento da atividade extraclasse, eles ficarão num impasse jurídico. Para cumprir o que manda a Lei 11.738, terão de descumprir a LRF. Se cumprirem a LRF, cujas sanções por descumprimento são severas, terão de desobedecer a Lei 11.738.
Quando esta lei foi sancionada, dois meses antes do início da campanha eleitoral municipal de 2008, governadores e prefeitos acusaram o MEC de, com as novas medidas, ter angariado prestígio político junto às entidades de docentes, deixando aos municípios e Estados pesados encargos financeiros. Três anos depois, cabe ao Supremo decidir um problema que poderia ter sido evitado, caso governos federal, estaduais e municipais tivessem discutido melhor e com mais racionalidade como aplicar uma lei de fundamental importância para a modernização do ensino básico.
CONFLITO EM AULA ENTRE PROFESSOR E ALUNA
CONFLITO EM AULA. Mãe registra queixa contra professor por agressão à filha. Colega da estudante registrou imagens do episódio com o telefone celular - LEANDRO BECKER E MATEUS RODIGHERO, ZERO HORA 14/03/2011
Uma suposta agressão em sala de aula virou caso de polícia em Passo Fundo, no norte gaúcho. A mãe de uma aluna registrou ocorrência contra o professor de ciências que teria agredido a filha de 11 anos. Um estudante registrou com o celular o momento em que o educador segura pelo braço e força a menina a voltar à classe.
O fato ocorreu por volta das 10h de ontem, minutos antes do recreio, na turma da 5ª série da Escola Estadual Anna Luísa Teixeira. Enquanto a aluna disse ter apenas ido levar um chiclete ao lixo, o professor afirmou que perdeu o controle após ter sido provocado pela estudante.
Rosali Facco, 38 anos, disse que ficou sabendo da suposta agressão à filha quando a mãe de uma colega da menina lhe mostrou o vídeo. Assustada com as imagens, ela decidiu procurar a polícia e revelou que a menina já havia tido problemas de relacionamento com o professor há cerca de um mês.
– Na primeira vez, ela disse ter tomado um tapa no rosto, mas não havia prova. Dessa vez, a agressão foi registrada – ressalta.
A direção da escola admitiu que o professor se excedeu e disse que ele deveria ter saído da sala e buscado apoio para que fosse tomada uma atitude e a aula pudesse prosseguir normalmente. O caso foi comunicado à 7ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), e o professor pode ser afastado.
– Faremos uma avaliação pedagógica sobre o que houve e, depois, trabalharemos o episódio – destaca Gláucia da Veiga, diretora da escola.
Uma suposta agressão em sala de aula virou caso de polícia em Passo Fundo, no norte gaúcho. A mãe de uma aluna registrou ocorrência contra o professor de ciências que teria agredido a filha de 11 anos. Um estudante registrou com o celular o momento em que o educador segura pelo braço e força a menina a voltar à classe.
O fato ocorreu por volta das 10h de ontem, minutos antes do recreio, na turma da 5ª série da Escola Estadual Anna Luísa Teixeira. Enquanto a aluna disse ter apenas ido levar um chiclete ao lixo, o professor afirmou que perdeu o controle após ter sido provocado pela estudante.
Rosali Facco, 38 anos, disse que ficou sabendo da suposta agressão à filha quando a mãe de uma colega da menina lhe mostrou o vídeo. Assustada com as imagens, ela decidiu procurar a polícia e revelou que a menina já havia tido problemas de relacionamento com o professor há cerca de um mês.
– Na primeira vez, ela disse ter tomado um tapa no rosto, mas não havia prova. Dessa vez, a agressão foi registrada – ressalta.
A direção da escola admitiu que o professor se excedeu e disse que ele deveria ter saído da sala e buscado apoio para que fosse tomada uma atitude e a aula pudesse prosseguir normalmente. O caso foi comunicado à 7ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), e o professor pode ser afastado.
– Faremos uma avaliação pedagógica sobre o que houve e, depois, trabalharemos o episódio – destaca Gláucia da Veiga, diretora da escola.
INSEGURANÇA - REDE DE DROGAS PERTO DE COLÉGIO
REDE DA DROGA - Traficantes agiam perto de colégio - ZERO HORA 14/04/2011
A BM desmontou ontem um ponto de tráfico de drogas que funcionava em uma casa vizinha ao Colégio Cristo Rei, em Erechim.
Nos fundos da casa, há uma cerca com uma abertura que dá acesso à escola. Foram apreendidas quatro pedras de crack e R$ 500. A dona da casa, uma mulher de 29 anos, foi presa em flagrante por tráfico de drogas.
AULAS SUSPENSAS. Zelador de escola é morto a facadas
Um homem foi morto a facadas ontem em Alegrete. Francisco Munhoz Baddo, 60 anos, trabalhava como zelador na Escola Municipal de Educação Básica Silvestre Gonçalves. Por volta das 8h, a vítima foi surpreendida por um homem a cavalo.
O matador desferiu sete golpes de facão. O motivo seria um desavença. As aulas na escola foram suspensas nos dois turnos até segunda-feira.
A BM desmontou ontem um ponto de tráfico de drogas que funcionava em uma casa vizinha ao Colégio Cristo Rei, em Erechim.
Nos fundos da casa, há uma cerca com uma abertura que dá acesso à escola. Foram apreendidas quatro pedras de crack e R$ 500. A dona da casa, uma mulher de 29 anos, foi presa em flagrante por tráfico de drogas.
AULAS SUSPENSAS. Zelador de escola é morto a facadas
Um homem foi morto a facadas ontem em Alegrete. Francisco Munhoz Baddo, 60 anos, trabalhava como zelador na Escola Municipal de Educação Básica Silvestre Gonçalves. Por volta das 8h, a vítima foi surpreendida por um homem a cavalo.
O matador desferiu sete golpes de facão. O motivo seria um desavença. As aulas na escola foram suspensas nos dois turnos até segunda-feira.
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