EDUCAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Defendemos uma política educacional multidisciplinar integrando os conhecimentos científico, artístico, desportivo e técnico-profissional, capaz de identificar habilidade, talento, potencial e vocação. A Educação é uma bússola que orienta o caminho, minimiza dúvidas, reduz preocupações e fortalece a capacidade de conquistar oportunidades e autonomia, exercer cidadania e civismo e propiciar convivência social com qualidade, dignidade e segurança. O sucesso depende da autoridade da direção, do valor dado ao professor, do comprometimento da comunidade escolar e das condições oferecidas pelos gestores.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O RANKING DO ANALFABETISMO

ZERO HORA 31 de janeiro de 2014 | N° 17690


EDITORIAIS



O Brasil enfrenta mais um constrangimento mundial com a divulgação do ranking de analfabetos adultos, no qual ocupa a oitava posição em números absolutos. Autoridades brasileiras já advertiram que a posição deve ser relativizada, considerando-se a população do país. Uma nação com dimensões continentais estará propensa a frequentar estudos que levem em conta o número de habitantes. Mesmo assim, esse tipo de argumentação é apenas um consolo. Sob qualquer ponto de vista, o Brasil está mal em educação, e não só em relação ao nível de aprendizado de adultos. No caso específico, o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, divulgado nesta semana pela Unesco, um órgão da ONU, apenas reafirma que as políticas públicas não vêm alcançando os resultados assumidos em compromissos, como as metas a serem perseguidas até 2015.

São mais de 10 milhões de adultos que não sabem ler e escrever, um contingente que torna sem sentido o objetivo de universalizar a alfabetização até o ano que vem, assumida em 2000. A própria Unesco admite, ao divulgar o documento, que o Brasil não conseguiu superar os desafios por ser uma nação populosa e heterogênea. É uma constatação que exige a renovação dos compromissos, até porque os países à frente em números de analfabetos – Índia, China, Paquistão, Bangladesh, Nigéria, Etiópia, Egito – poderão recorrer aos mesmos argumentos. Apesar do tamanho do país, das diferenças regionais e das disparidades de renda, o Brasil já conseguiu superar ou amenizar outros obstáculos, como os da área econômica, mas continua fracassando na educação.

Nesse contexto, merece reflexão a observação da coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, segundo a qual a alfabetização de adultos tem efeitos em cadeia, a começar pelo mais imediato, que é o da melhoria de renda. Um adulto alfabetizado, se continuar estudando, aumentará seu ganho médio em 10% a cada ano de escolaridade. O mais importante é o ganho social. Adultos que dominam a leitura e a escrita têm melhora de autoestima. Pais alfabetizados afirmam ainda mais sua autoridade diante dos filhos e se fortalecem como referência e inspiração. Especialistas têm apontado uma relação evidente: o êxito do aprendizado de crianças e adolescentes é facilitado por familiares que tenham um histórico escolar capaz de servir de exemplo.

Considerada parte essencial de programas de transferência de renda, a educação continua desafiando as políticas públicas. Mesmo com o Bolsa Família, adultos analfabetos tendem a se conformar com o mau rendimento dos filhos, até porque são incapazes de uma avaliação, e até mesmo a mantê-los fora da escola. Atacar o analfabetismo dos adultos significa, diretamente, melhorar as condições de vida das crianças que deles dependem.

BRASIL ANALFABETO

ZERO HORA 31 de janeiro de 2014 | N° 17690


PAULO SANT’ANA



Particularmente, fiquei envergonhado ao ser publicado anteontem o ranking dos países que contam com mais adultos analfabetos.

O Brasil ocupa o oitavo lugar entre os de mais analfabetos adultos, atrás apenas de Índia, China, Paquistão, Bangladesh, Nigéria, Etiópia e Egito.

A única desculpa que temos é de que estes países, quase todos, contam com grandes populações.

Mas é uma desculpa esfarrapada.

*

Segundo a Unesco, temos 10 milhões de brasileiros adultos analfabetos. É uma cifra vergonhosa.

Esse dado demonstra cabalmente que a educação no Brasil se tornou um tremendo e gigantesco fracasso.

E isso prova que nossa economia, que apresenta até um índice de desenvolvimento meio que incompatível com esse analfabetismo, seria muito mais pujante no concerto das nações se eliminássemos esse analfabetismo massivo.

Tanto que na relação que publiquei acima, dos outros sete países que nos acompanham nesse desastroso ranking, somente a China se poderia considerar que não é um país pobre, ainda que se possa considerá-la uma potência econômica com profundas desigualdades sociais.

Os outros seis companheiros que beiram conosco são paupérrimos, o que quer dizer que podemos arriscar em dizer que analfabetismo é sinônimo de pobreza.

sábado, 25 de janeiro de 2014

FALTA EDUCAÇÃO SEXUAL NA ESCOLA E EM CASA

REVISTA ÉPOCA- BLOG DO JAIRO BOUER, 23/01/2014 07h30


A conduta sexual precoce e muitas vezes inapropriada de crianças e jovens tem chamado a atenção no mundo todo. A agência de notícias britânica Press Association registrou mais de 2 mil problemas em escolas do país ocorridos entre janeiro de 2010 e setembro de 2013. Os números podem estar subestimados, já que muitas escolas preferem não notificar as autoridades.

Embora a maior parte dos problemas tenha ocorrido com jovens de 13 a 15 anos, até crianças de 5 anos foram afastadas ou punidas por comportamentos considerados inadequados como bullying, assédio, abuso, divulgação de pornografia ou sexting (envio de textos com conteú­dos sexuais). Os episódios foram dez vezes mais comuns entre garotos.

O fenômeno também tem sido visto por aqui. As escolas têm de lidar com questões cotidianas de comportamento sexual inapropriado de seus alunos. Entre os mais novos, parece haver dificuldade para perceber limites e de entender a repercussão que algumas condutas podem ter na relação com o outro.

As crianças são precocemente expostas, principalmente por causa da internet, a conteúdos que, talvez, não tenham maturidade para decodificar. Na ausência de um olhar mais atento de muitos pais, influenciadas pelo comportamento do grupo e com acesso rápido a toda sorte de imagens, elas passam a ver com naturalidade algumas atitudes. Enviar fotos com conteúdo erótico e escrever mensagens picantes podem fazer com que a barreira ao contato físico ou sexual diminua, tornando esses atos comuns.

A tendência aponta para a necessidade de a escola trabalhar mais cedo questões como corporalidade, sexualidade e limites. Em casa, a participação mais efetiva dos pais ajudaria as crianças a entender até onde podem chegar e o que pode ser considerado um comportamento inadequado ou abusivo.

Entre os adolescentes, a situação também preocupa. Recentemente, no Brasil, algumas situações que culminaram em tragédias (suicídio de algumas jovens) podem ter relação direta com a exposição pública da intimidade em redes sociais. O que muitos não percebem é que, no calor das emoções e do desejo, os jovens se exibem mais do que deveriam. O fato de perceberem menos risco no ambiente virtual contribui para isso. Imagens guardadas de comum acordo ou, ainda, captadas sem o conhecimento e o consentimento de quem se expõe podem vazar para a rede no momento em que o casal briga ou quando alguém se sente preterido. O resultado é devastador. Sem habilidade para lidar com uma crise dessa dimensão ou com vergonha de pedir ajuda, o jovem pode escolher um caminho sem volta.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O IMPOSTO DA CANETA


ZERO HORA 22 de janeiro de 2014 | N° 17681

EDITORIAIS



Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário mostra que o peso dos impostos sobre materiais essenciais à atividade escolar, como canetas, réguas e apontadores, chega a quase metade do preço cobrado ao consumidor. Uma simples caneta leva 47% de seu valor em tributos um verdadeiro absurdo num país que luta para colocar todas as crianças na escola e para dar-lhes condições de aprendizagem. No momento em que as famílias brasileiras preparam-se para o início de mais um ano letivo, este é um tema que merece atenção dos governantes, das lideranças políticas do país e de todos os envolvidos no processo educacional.

Embora tramitem no Congresso algumas propostas de redução de tributos que poderiam provocar queda significativa nos preços do material escolar, não se observa por parte do Planalto qualquer interesse em aprová-las. O projeto de lei 6.705 de 2009, por exemplo, já está há quatro anos no Legislativo e, embora tenha sido aprovado pelo Senado, ainda não foi analisado pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, na qual se encontra parado. Oportunidades para tocá-lo não faltam. Agora mesmo, a anunciada mudança no comando do Ministério da Educação poderia ser marcada pela retomada do interesse do governo em facilitar a vida dos estudantes e de suas famílias.

Independentemente das articulações políticas, porém, os cidadãos devem fazer o que está ao seu alcance para não serem explorados na compra do material solicitado pelas escolas. A Associação Brasileira de Defesa dos Consumidores alerta para uma legislação recente que proíbe os estabelecimentos escolares de incluírem na lista itens de uso coletivo, como copos descartáveis, papel higiênico, álcool, material de escritório e produtos de limpeza. Segundo a Lei Federal 12.886/13, que entrou em vigor há cerca de um mês, cabe à escola custear tais artigos. Também é dever dos pais e responsáveis conferir para que a taxa de material escolar, que muitas instituições cobram, seja acompanhada da relação dos itens que serão efetivamente adquiridos. Conforme o Código de Defesa do Consumidor, as famílias têm o direito de conhecer a lista atualizada de material ou mesmo a relação do ano anterior, para poder planejar os seus gastos. De outra parte, a escola não pode obrigar alunos a adquirirem produtos de determinada marca.

Há, portanto, dois aspectos a serem observados: a ganância tributária do governo, que pode ser atenuada com pressão sobre o Congresso para que dê andamento aos projetos de desoneração, e as exigências descabidas de algumas escolas, que também podem ser questionadas pelos pais e adequadas aos interesses dos estudantes. Só não pode é faltar caneta para que o país escreva o seu futuro.



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

GOTEIRAS NO SAGUÃO E NOS BANHEIROS

ZERO HORA 20 de janeiro de 2014 | N° 17679


ESCOLAS PÚBLICAS


Durante anos, a escola Otávio Mangabeira, localizada em Porto Alegre, sofreu com falhas no sistema elétrico – que impediam a utilização de ventiladores em salas de aula –, problemas de infiltração no telhado e comprometimento estrutural.

Depois de uma reforma iniciada em setembro do ano passado e muita insistência com a empresa responsável para atender a todas as necessidades do colégio conforme o esperado, continua chovendo no saguão que separa o prédio principal dos banheiros e nos próprios sanitários.

O problema é que o telhado sobre essa área do colégio não foi reformado pela empresa contratada, para decepção da diretora Simone Biscaino:

– É a única área que temos para reunir pais e alunos fora do prédio principal, em dias de chuva. Mas cai água ali quando chove. O problema é que só recebi o memorial descrevendo tudo o que deveria ser feito quando a obra estava no fim. Toda a cobertura deveria ser reformada.

Ela afirma, ainda, que áreas deterioradas do colégio, como os banheiros utilizados pelos alunos, não foram incluídas no contrato de obra pelo governo. O local cheira mal o tempo todo e precisa de uma ampla renovação. Assim, logo depois de terminada uma reforma, já é necessária outra na escola localizada no bairro Camaquã. Além de mais gastos, a nova obra vai representar mais trabalho burocrático para a contratação da prestadora de serviços.

– Temos de começar toda a luta de novo – desabafa a diretora.


FICHA TÉCNICA
Escola Otávio Mangabeira

- Alunos: 500
- A obra: reforma da rede elétrica, recuperação estrutural, reforma da cobertura e do passeio
- Custo: R$ 391 mil
- Tempo de serviço: setembro a dezembro de 2013
- Empresa: Chiagon Engenharia

CONTRAPONTO
O que diz a Chiagon Engenharia - 
Engenheiro da Chiagon, Carlos Chiaradia afirma que a empresa executou a obra seguindo o contrato. Segundo ele, a parte do telhado que segue apresentando problemas não foi contemplada na licitação por não fazer parte do prédio principal nem do pavilhão de madeira. Chiaradia sustenta que a empresa não poderia mexer nesta parte sem respaldo do contrato.

SERVIÇO MALFEITO, PROBLEMA EXTRA


ZERO HORA 20 de janeiro de 2014 | N° 17679

ESCOLAS PÚBLICAS


Mesmo com diversos engenheiros no quadro de professores, a Escola Técnica Parobé, na Capital, não escapou dos dissabores de obras malfeitas. A reforma de um pavilhão para a construção de 16 salas é um exemplo de projeto que virou frustração.

– Algumas salas são insalubres – diz a diretora Carmen Angela Straliotto de Andrade.

Apesar de ter menos de dois anos de uso, multiplicam-se as rachaduras. Quando chove, verte água pelas paredes. Com a umidade, a pintura cai e o mofo toma conta até do piso. Uma das salas, a 407, inunda.

No prédio principal, o serviço de pintura, feito no ano passado, acabou em prejuízo para a escola e para os alunos. A empresa que foi executar o serviço arrancou parte do telhado para prender os cabos que sustentavam os andaimes e não fez o reparo após finalizar o trabalho. Como resultado, entre o final de setembro e dezembro de 2013 parte do prédio inundava cada vez que chovia.

Devido à invasão da água, os laboratórios de química e física foram interditados e os alunos deixaram de ter aula práticas durante todo o último trimestre. Equipamentos de informática, TVs e splits for foram salvos pela agilidade de professores e funcionários, que demoraram a perceber a origem das inundações. O resultado é que a própria escola teve de desembolsar R$ 10 mil para o conserto.


FICHA TÉCNICA
Escola Técnica Estadual Parobé

- Alunos: 4 mil
- A primeira obra: duplicação de pavilhão para construção de 16 novas salas
- Tempo de serviço: durante 2011
- Custo: cerca de R$ 497 mil
- Empresa: Minussi e Zanini Construtora Ltda
- A segunda obra: pintura, muramento lateral, drenagem de parte do pátio e reforma de auditório
- Tempo de serviço: começou em 2012 e prossegue
- Custo: R$ 480 mil
- Empresa: Construtora Odaq

CONTRAPONTOS

O que diz a Construtora Minussi e Zanini - 
Sócio da construtora, Carlos Minussi afirma que, como a obra está sob garantia de cinco anos, basta a empresa ser notificada para realizar reparos na estrutura do prédio. Segundo ele, a companhia já realizou consertos, mas o problema das infiltrações estaria no telhado antigo do pavilhão que não foi feito pela construtora.

O que diz a Construtora Odaq - ZH não conseguiu contato. A reportagem foi na sexta ao endereço da construtora, mas ninguém foi encontrado.

UMA CENTRAL DE GÁS NOVA, E DESNECESSÁRIA

ZERO HORA 20 de janeiro de 2014 | N° 17679


ESCOLAS PÚBLICAS



A diretora da escola Dona Luiza Aranha, Maria Lucia Pereira de Lima, tomou um susto quando viu que estava sendo construída uma ampla central de gás no pátio da instituição, localizada na Capital.

Por uma razão singela: o colégio já conta com uma central de gás – que até precisa de uma reforma, mas funciona bem. Apesar do alerta, o local com capacidade para receber quatro botijões de 45 quilos foi entregue (um cilindro mais comprido, comum em prédios e estabelecimentos comerciais).

Porém, como se localiza a cerca de 50 metros da cozinha e não foi feita qualquer canalização, serve de abrigo para uma máquina de lavar, bicicleta e outros apetrechos do policial militar que mora no terreno da escola.

– Talvez tenha havido alguma confusão, porque a casa do policial precisava de um abrigo para o gás, mas que também já havia sido providenciado. Fizeram uma central a um custo de R$ 7 mil que não tem serventia nenhuma – diz Maria Lucia.

Ainda não há certeza sobre qual setor do Estado incluiu esse item entre a lista de demandas. Enquanto a escola recebeu um abrigo para o gás que serve como despensa, a estrutura realmente utilizada para armazenar os botijões segue necessitando de uma nova porta metálica e reparos em pontos quebrados.

Além desse problema insólito, a previsão de que a cerca da escola contaria com uma segunda abertura com portão de correr (citada no memorial descritivo da obra entregue à escola) não saiu do papel.

– Temos só uma entrada, o que é ruim, até por razões de segurança – lamenta a diretora.



FICHA TÉCNICA
Escola Dona Luiza Freitas Vale Aranha
- Alunos: 430
- A obra: cercamento da escola com reconstrução do pórtico central, cercamento da quadra de esportes, construção de estrutura de gás central
- Custo: R$ 403,9 mil
- Tempo de serviço: outubro e novembro de 2013
- Empresa: Cidade Projetos e Construções

CONTRAPONTO
O que diz a Cidade Projetos e Construções - O engenheiro Renato Tosi, da construtora, afirma que a empresa seguiu as condições estabelecidas no contrato firmado com o governo estadual. Sustenta que o documento previa a construção da central de gás sem ligação com a cozinha e a reconstrução da entrada principal, sem segundo acesso.