EDUCAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Defendemos uma política educacional multidisciplinar integrando os conhecimentos científico, artístico, desportivo e técnico-profissional, capaz de identificar habilidade, talento, potencial e vocação. A Educação é uma bússola que orienta o caminho, minimiza dúvidas, reduz preocupações e fortalece a capacidade de conquistar oportunidades e autonomia, exercer cidadania e civismo e propiciar convivência social com qualidade, dignidade e segurança. O sucesso depende da autoridade da direção, do valor dado ao professor, do comprometimento da comunidade escolar e das condições oferecidas pelos gestores.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

NÃO MALTRATEM A EDUCAÇÃO

ZERO HORA 13 de dezembro de 2013 | N° 17643

ARTIGOS


Ricardo Russowsky*



O Brasil é mesmo um país de contrastes. Ao mesmo tempo em que quer estar entre as grandes e desenvolvidas nações, age na contramão. A má qualidade da educação brasileira é um exemplo típico. Sabe-se que educação e produtividade são irmãs siamesas. Com baixo investimento em educação, o Brasil não consegue avançar. Não se trata de uma opinião. Os números escancaram esta realidade. Entre 2002 e 2012, avançamos apenas 1% ao ano, muito abaixo dos países do Brics. E ocupamos as últimas posições no ranking geral do Pisa (principal exame internacional da educação básica que avalia estudantes de 15 e 16 anos em matemática, leitura e ciências). Dos 65 países comparados, o Brasil ficou em 58º lugar. E vem perdendo posição, porque em 2009 estava na 54ª posição.

A prova do Pisa aplicada pela OCDE (organização das nações mais desenvolvidas) acendeu o sinal vermelho no Brasil, que ficou entre os piores – mesmo que tenha evoluído levemente em matemática. Uma realidade que leva (ou deveria levar) a pensar muito mais nas soluções. Vamos ter que evoluir da maneira mais simples: começando a estudar mais e melhor.

Nossos alunos, que não sabem o básico do básico, se atrapalham na interpretação de textos da sua própria língua e tropeçam nas contas. E não é por não fazerem a lição de casa. Aliás, a lição de casa não está sendo feita por ninguém. Começa pelo governo, que não mostra qualquer interesse em mudar de página.

Diferentemente dos asiáticos, a educação verde-amarela não é valorizada. Os professores de lá são reverenciados, ganham bons salários e participam de uma carreira meritória e nobre. No Brasil, a miséria dos salários é autoexplicativa.

Sabemos que educação não se faz só com dinheiro. Se faz com prioridade, com determinação e com crença no futuro. Valorizados, professores e mestres terão o prazer de investir e multiplicar seu conhecimento através do ensino, até porque sabemos que esta classe de educadores tem vocação de sobra.

Mas aqui não é assim: um terço de nossos alunos, aqueles mesmos que foram avaliados pelo Pisa, já repetiram de série. Muitos fizeram o Ensino Fundamental em 12 e não em nove anos – uma rotina nas escolas brasileiras.

Cresce também o abismo entre escolas particulares e públicas. E a medida é mais assustadora ainda por regiões. Sul e Sudeste à frente. Norte e Nordeste entre os 10 piores lugares do planeta no ensino da matemática.

As soluções são velhas conhecidas, mas esquecidas. É preciso incluir valor no ensino, não maltratar a educação como faz o governo ao desvalorizar nossos mestres.

É fundamental acrescentar valia nesta lição. É preciso acreditar que é possível, sim, desde que tenhamos professores satisfeitos.

Temos que ganhar onde estamos perdendo feio. Caso contrário, nem é bom pensar...

*PRESIDENTE DA FEDERASUL

domingo, 8 de dezembro de 2013

SÓ DINHEIRO NÃO BASTA

REVISTA ISTO É N° Edição: 2299 | 06.Dez.13

Educação: só dinheiro não basta
O principal projeto do País para a área educacional é o aumento de verbas. Mas os exames internacionais mostram que isso é insuficiente

Camila Brandalise


Quando se fala em melhorar a educação no Brasil, a chave do sucesso parece sempre se concentrar na obtenção de mais verba. O País vem aumentando gradativamente os investimentos no setor – passou de 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2000 para 6,1% em 2011, último dado disponível. Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), esse percentual deve chegar a 10% em 2020. Há três meses, o Congresso Nacional aprovou com estardalhaço o repasse de 75% do dinheiro do pré-sal para a área educacional. É claro que recursos são muito importantes, mas, para o País dar o salto qualitativo de que precisa, é necessário avançar também em outras áreas. Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (o Pisa, na sigla em inglês), de 2012, divulgados na semana passada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ilustram isso.


EXEMPLO
Acima, a Escola Professor Renato José da Costa Pacheco, no Espírito Santo,
que capacita professores. Abaixo, colégio chinês: os asiáticos dominaram o Pisa



O exame, realizado de três em três anos, mede o conhecimento de alunos de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Nessa edição, o foco principal era matemática e a pontuação dos alunos brasileiros na matéria subiu 10% em relação a 2003, o maior crescimento de todos. O País ficou em segundo lugar no quesito inclusão de novos alunos – perde só para a Indonésia. Mas foi só isso a comemorar. Embora invista US$ 26.765 por aluno dos 6 aos 15 anos, o Brasil amarga a 57ª colocação entre as 65 nações participantes. Os asiáticos dominaram a prova. Salta aos olhos o caso do Vietnã, que gasta apenas US$ 6.969 por estudante e alcançou a 15ª posição (leia quadro). Os Estados Unidos, por exemplo, aplicam 115.961 per capita e estão em 29º lugar. Se não atacar problemas estruturais, o País continuará na lanterna.

Um ponto crucial é ter professores qualificados. “Daqui para a frente, o Brasil precisa atrair bons profissionais”, afirma Andreas Schleicher, diretor-adjunto da OCDE para Educação. “Pessoas talentosas devem estar em escolas com mais desafios para superar as diferenças sociais.” No topo do ranking, a província chinesa de Xangai segue à risca a proposta de colocar o foco na qualidade da docência. Com 20 milhões de habitantes, a localidade tem orçamento e planejamentos próprios e investe pesadamente em educação. “Mas a China como um todo também tem adotado políticas voltadas para o professor”, afirma Alexandre Uehara, coordenador do Grupo de Estudos sobre a Ásia do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Assim como Xangai, o gigante asiático adota uma política de forte supervisão dos métodos empregados em sala de aula.



No Brasil, as dificuldades ainda são primárias. “O problema começa quando a escola procura profissionais em áreas específicas, como química e física. Há estabelecimentos educacionais que passam o ano inteiro sem professor para uma disciplina. Já vi colégios em que um docente de filosofia dava aula de física”, diz Cleuza Repulho, presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação. Outra questão urgente é a criação de um currículo nacional. “Com uma base comum, seria possível trabalhar de maneira mais precisa a formação dos professores na faculdade”, afirma Eduardo Deschamps, vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação. Além disso, um bom projeto tem de atravessar as sucessivas administrações e não ser engavetado pelo novo governante. “Países que apresentaram evolução, como Cingapura, tiveram essa postura”, diz Andrea Bergamaschi, do movimento Todos pela Educação.

Entre os Estados brasileiros, o melhor exemplo, segundo o Pisa, é o do Espírito Santo, que passou do 6º lugar em 2009 para o primeiro em 2012. “Cerca de 85% dos alunos são de escolas públicas, isso mostra que estamos avançando”, afirma Klinger Barbosa Alves, secretário de Educação do Estado. Segundo lugar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre os colégios estaduais capixabas, a Escola Professor Renato José da Costa Pacheco, em Vitória, atribui a boa nota às sucessivas capacitações de professores. “Os docentes participam de cursos para melhorar o ensino de matemática e damos muito enfoque no envolvimento da família com a realidade escolar”, explica a diretora, Adélia Maria Dias Ramos. A hora é de se debruçar sobre bons exemplos, internos e externos. Caso o País não corra contra o tempo, levaremos 25 anos para atingir a nota mínima estabelecida pela OCDE.

Fotos: Gabriel Lordello / Ag. IstoÉ, © Chen Cheng/Xinhua/ZUMAPRESS.com

sábado, 7 de dezembro de 2013

QUALIDADE EM DEBATE


ZERO HORA 07 de dezembro de 2013 | N° 17637


EDUCAÇÃO | ÂNGELA RAVAZZOLO


A divulgação dos índices de avaliação de cursos e instituições trouxe boas notícias ao Rio Grande do Sul. Além de universidades e centros de Ensino Superior no topo da lista das melhores, o Estado não teve nenhum curso suspenso pelo MEC por baixo desempenho. A qualidade das instituições gaúchas, embora não seja uma novidade (no ano passado, a UFRGS e outras universidades também ficaram bem colocadas), deve ser mantida e celebrada. Mas esses números favoráveis também podem encaminhar outro debate, relacionado à Educação Básica, que ainda amarga problemas de qualidade, em todo o país.

Escolas e universidades são espaços de aprendizagem diferentes, o Ensino Superior tem uma mecânica própria de funcionamento, mas talvez seja preciso investigar por que as salas de aula das escolas públicas ainda enfrentam dificuldade com a qualidade. No início desta semana, a divulgação dos números do Pisa, um dos mais importantes levantamentos internacionais, apontou crescimento do Brasil em matemática, mas o país ainda segue abaixo de um desempenho desejável.

É preciso investir em qualidade desde os primeiros anos, para que futuros universitários possam deixar as avaliações ainda mais positivas e para que mais pessoas tenham condições de chegar ao Ensino Superior.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Só podemos afirmar se o ensino é de qualidade se o aluno formando estiver em condições de sobreviver com autonomia. Caso contrário é uma falácia. Eis aí a questão já que é alta a evasão de alunos dos cursos menos atrativos, justamente por falta de oportunidades, remuneração digna e motivação não fornecida durante o período de curso quando o aluno pega amor pela atividade escolhida. Como não há custo e o ensino é gratuíto para os alunos em universidades públicas, sou defensor de contrapartidas para o dinheiro público empregado, através de maior rigor na média das notas e a contrapartida social com o aluno realizando tarefas comunitárias obrigatórias em estágios nas várias áreas do serviço público.

RS NO TOPO DO ENSINO SUPERIOR


ZERO HORA 07 de dezembro de 2013 | N° 17637

TAÍS SEIBT*

ENSINO SUPERIOR. RS no topo do país

Indicadores divulgados pelo MEC põem a UFRGS, pelo segundo ano consecutivo, em primeiro lugar entre as universidades



As instituições gaúchas de Ensino Superior fecham o ano letivo com motivos para comemorar. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi considerada a melhor universidade brasileira pelo segundo ano consecutivo, e o Rio Grande do Sul foi o único Estado a não ter nenhum curso suspenso pelo Ministério da Educação. Os indicadores, publicados ontem no Diário Oficial da União, apontam ainda para o crescimento da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), que entrou no grupo das 10 melhores do país.

Na avaliação do reitor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto, embora a universidade figure com bons resultados em diferentes rankings, inclusive internacionais, a avaliação nacional do MEC é importante porque proporciona uma comparação mais contextualizada dos níveis de excelência da educação superior no país, além de servir como instrumento de gestão para guiar novas políticas acadêmicas.

Instituição da Capital atinge nível máximo de qualidade

A reitora da UFCSPA, Miriam da Costa Oliveira, também comemora o aumento do índice da universidade, que passou de 3,92 em 2011 para 4 em 2012, chegando à faixa 5, nível máximo de qualidade na classificação do MEC (confira tabelas com as avaliações ao lado).

– Estou muito mais contente do que surpresa porque nós já vínhamos numa trajetória de crescimento, e a tendência é de melhoria contínua, uma vez que há cursos que ainda não se submeteram ao Enade – projeta Miriam.

Segundo a reitora da instituição, que ficou em nono lugar no levantamento, a avaliação do MEC tem importância particular para a UFCSPA, que, devido ao pequeno volume de alunos e por contemplar uma área específica do conhecimento, não tem a oportunidade de concorrer com outras instituições em ranqueamentos internacionais.

*Colaboraram André Mags, Roberto Azambuja e Thiago Tieze


Instituições mal avaliadas sujeitas a supervisão

Além das duas universidades na faixa 5, o nível máximo, o número de instituições gaúchas na faixa 4 subiu de 27 em 2011 para 31 em 2012. A classificação do Ministério da Educação tem por base o Índice Geral de Cursos (IGC), que inclui a média ponderada do Conceito Preliminar de Curso (CPC) e os conceitos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável por avaliar os programas de pós-graduação.

Tanto no IGC quanto no CPC, as instituições recebem notas de 1 a 5 e são classificadas em uma escala também de 1 a 5, sendo que as faixas 1 e 2 são consideradas insatisfatórias, e as unidades de ensino ficam sujeitas a medidas de regulação e supervisão. Foi o caso de 270 cursos que tiveram o ingresso de novos alunos no próximo ano letivo suspenso pelo MEC – nenhum deles no Rio Grande do Sul.


O DESMONTE DAS ESCOLAS TÉCNICAS

ZERO HORA 07 de dezembro de 2013 | N° 17637

ARTIGOS

 Ernani Polo*



Esta para ser votado na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei nº 294/2013, do governo do Estado, em meio a outros mais de 90 PLs que ingressaram no parlamento gaúcho em regime de urgência, que extingue a Suepro, Superintendência da Educação Profissional, a fim de colocar o ensino técnico sob a tutela de um departamento. Considero tal proposta um retrocesso, tendo em vista que a Suepro foi criada em 1998, nasceu da vontade das escolas técnicas gaúchas e sempre tratou especificamente dessas instituições, proporcionando autonomia financeira e agilidade no atendimento das demandas. Com esse projeto do governo, as escolas técnicas serão mais outras a fazer parte do ensino normal vigente da Secretaria da Educação. São 165 escolas no RS, sendo 28 agrícolas, que possuem laboratórios vivos, necessitando de atendimento rápido e específico em demandas.

Discutimos a intenção do governo em extinguir a Suepro em audiência pública na Assembleia, na Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia. Reunimos representantes de escolas técnicas, especialmente as agrícolas, que reiteraram a importância da superintendência. Reforçaram a necessidade de aumento de repasses para as instituições, que vivem um processo de sucateamento, medida que foi prometida pela Secretaria de Educação, mas que não chegou a contemplar as necessidades da maioria das escolas. Defendo a manutenção da estrutura da Suepro, com investimentos em gestão e qualidade do ensino, fundamentais para a profissionalização. Sem uma visão empreen- dedora, as escolas técnicas não teriam tanta relevância em países como os Estados Unidos.

O fim da Suepro é uma iniciativa de esvaziar instituições já consolidadas no meio rural, como as escolas técnicas agrícolas. Essa superintendência sempre foi responsável pelo fomento de ações para formação especializada ao setor produtivo. Os docentes das escolas presentes à audiência que realizamos reiteraram que não houve um processo de discussão, e sim uma decisão unilateral por parte do Estado. Entendo como fundamental este alerta, e uma ampliação do debate em torno do tema, com a retirada deste projeto do regime de urgência.

A substituição de uma superintendência por um departamento é uma ação reducionista. Os professores são favoráveis aos avanços e à inovação, porém qual a necessidade em se mudar uma estrutura e a quem interessa? As escolas técnicas agrícolas, que fazem trabalho exemplar, estão ameaçadas com uma proposta de centralismo.

Como agravante, observamos que há um processo praticado pelo governo em que faz-se todo um esforço para não reprovar alunos na rede estadual, a fim de melhorar os índices de educação. Promover alunos sem aprendizagem efetiva penaliza a continuidade dos estudos e a inserção no mercado. Para fortalecer as escolas técnicas, não é necessária a alteração da estrutura da Suepro, e sim a valorização do órgão, de sua gestão, das escolas, dos professores e alunos. Investir em educação é ouvir quem dela vive e quem nela trabalha.

*Deputado estadual titular da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

MAL NA PROVA

















ZERO HORA 04 de dezembro de 2013 | N° 17634


KAMILA ALMEIDA


Ranking expõe baixo desempenho do país


Classificação do programa Internacional de Avaliação de Alunos aponta Brasil em uma modesta 57ª posição, resultado de desempenhos não menos discretos – para não dizer fracos – em matemática (58º lugar), ciências (59º) e leitura (55º). Para os gaúchos, resta ao menos um consolo: entre os Estados brasileiros, o Rio Grande do Sul aparece na terceira posição, atrás apenas de Espírito Santo e Distrito Federal.

Ajulgar pelos dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2012, divulgados ontem, o avanço do Brasil em educação está mais para um engatinhar do que para um caminhar. Apesar de ter melhorado a nota em matemática desde 2003, saindo dos 356 pontos daquele ano e atingindo 391 pontos em 2012, o relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que o Brasil ficou em 58º lugar neste quesito entre os 65 países ranqueados. O estudo analisa o desempenho de jovens de 15 anos, a partir da 7ª série. Na classificação geral, considerando as três áreas avaliadas, o Brasil ficou na 57ª posição.

Sobre o desempenho ruim, especialistas apontam conclusões preocupantes. Por exemplo: partindo do pressuposto de que a prova testa não apenas os conteúdos dominados em sala de aula, mas também de que forma o aprendizado prepara o estudante para a vida e para o mercado de trabalho, os jovens brasileiros estão entre os mais despreparados do mundo.

– A maioria não consegue ir além de resolver um problema básico. Em leitura, conseguem apenas localizar uma informação explícita em um texto que lhes é familiar. É preocupante, já que estamos falando de jovens de 15 anos que acumulam defasagens ao longo dos anos – diz a pedagoga Suely Nercessian Corradini, que estudou o Pisa em sua tese de doutorado em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). – Com estes resultados, estamos fazendo com que os nossos jovens sejam privados de um convívio social mais efetivo no futuro.

Avanço depende de investimento

Os resultados de 2012 mostram ainda que o Brasil ficou na média da América Latina. Superior à Colômbia e ao Peru, a pontuação do país foi muito inferior às de Chile e Uruguai.

Mas nem tudo é má notícia: o Brasil teve a melhor evolução no desempenho de matemática entre os 65 países analisados e reduziu a repetência escolar, ao mesmo tempo em que ampliou o número de estudantes na faixa etária de 15 anos. Para a gerente de projetos do Movimento Todos Pela Educação, Andrea Bergamaschi, a inclusão de 420 mil alunos nesta faixa etária teria sido um dos fatores responsáveis por puxar a média para baixo.

A desigualdade de saberes, bastante influenciada pela questão socioeconômica, também foi apresentada no relatório. Do total de estudantes que fizeram a prova, 26% vêm de famílias de baixa renda. Em países como Coreia e Cingapura, mais da metade dos estudantes nestas condições consegue ter aprendizado adequado, resultado que no Brasil é de 1,9%.

– Já foi um avanço. Colocar criança na escola é o primeiro passo para uma educação de qualidade. Mas boa parte desses jovens chega com uma defasagem que a escola não está conseguindo suprir – diz Andrea.

Mozart Ramos, do Conselho Nacional de Educação (CNE), lembra que os países que mais avançaram foram aqueles que investiram na formação e na valorização da carreira de professor:

– Só conseguiremos dar uma melhorada na magnitude que o país precisa quando tiver jovens querendo ser professores por aqui.



Nos melhores colocados, professor é valorizado


Quatro distritos da China – Xangai, Hong Kong, Taipé e Macau – estão no topo do ranking do estudo divulgado pela OCDE. A Finlândia, que aparecia em terceiro na classificação geral em 2009, caiu para 12º lugar, em razão do investimento intensivo em educação da China nos últimos anos.

As boas práticas adotadas nessas localidades incluem um processo de seleção para a contratação dos professores com foco na competência técnica. Também são levados em conta outros fatores importantes, como a gestão do tempo e o uso de táticas eficazes de ensino, que permitem constituir uma estrutura mais sólida de ensino. Avalia-se também a capacidade de gestão em sala de aula, como a habilidade de se comunicar e organizar o tempo.

Em geral, nesses países, os professores recebem altos salários e são valorizados na sociedade. Também fazem trabalho colaborativo: um professor assiste à aula do outro e as melhores práticas são socializadas.

Em regra, os países melhor colocados valorizam a educação, com investimento financeiro e formação de professores, que têm, no mínimo, mestrado. Na Finlândia, por exemplo, por meio de uma entrevista, o candidato é avaliado se tem habilidade e motivação para ensinar, além de saber se tem inteligência emocional e habilidade interpessoal.


Pontuação menor, mesma posição


O Rio Grande do Sul manteve a mesma posição de 2009, porém, com nota geral mais baixa – caiu de 424 para 420. A diretora de projetos do Movimento Todos pela Educação, Andrea Bergamaschi diz que o ranking dos Estados reflete os parâmetros para uma educação de qualidade. Unidades do Norte e Nordeste, regiões com a maior quantidade de professores sem nível superior, aparecem nas últimas posições.

– Professores sem qualificação adequada não possuem condições de desafiar o aluno – disse Andrea.


O QUE FALTA?

As iniciativas em educação que não foram suficientes para mudar a situação no Brasil

MAIS ALUNOS MATRICULADOS - Entre 2003 e 2012, o país expandiu a matrícula nas escolas primárias e secundárias, com crescimento de 65% em 2003 para 78% em 2012. No mesmo período, o Brasil foi o segundo país que mais incluiu estudantes na faixa etária de 15 anos: mais de 420 mil. Este é o segundo maior aumento, depois da Indonésia.

CLIMA MELHOR - O clima disciplinar nas escolas brasileiras foi melhor em 2012 do que em 2003, e as escolas foram capazes de atrair e reter professores qualificados com mais facilidade. Cerca de 85% dos alunos no Brasil informaram que se sentem felizes na escola, e cerca de 73% deles estão satisfeitos com as instituições de ensino. No entanto, apenas 39% acreditam que as condições são ideais para a sua escola. 

INVESTIMENTO - O Brasil gasta o equivalente a R$ 63 mil na educação por aluno entre as idades de seis e 15 anos – cerca de um terço das despesas médias dos países da OCDE (R$ 196,3 mil). 


O QUE DEU ERRADO?

 - Segundo Andrea Bergamaschi, do Todos pela Educação, o país tem de entender a necessidade de aprendizado do aluno para que consiga reformular um currículo, criando uma unidade nacional e, com isso, modificando a formação dos professores. - Enquanto a educação não for de qualidade, apenas a inclusão de mais estudantes no sistema não vai adiantar. Um percentual alto desses jovens (67,1%) só consegue atingir o nível 1 em matemática, por exemplo, em uma escala que vai de 1 a 6.

- Apesar de investir em projetos, não se faz um acompanhamento constante e qualitativo deles, o que faz com que se percam no meio do caminho.

- O investimento também não é suficiente. O relatório mostrou que em todos os níveis de despesas, os países que tiveram os melhores desempenhos distribuem recursos educativos de forma mais equitativa entre as escolas socioeconomicamente favorecidas e desfavorecidas.


O TESTE - Saiba mais sobre a avaliação realizada pela OCDE

 O que é a prova? - Chamada de Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), avalia a cada três anos estudantes na faixa dos 15 anos de países membros da OCDE e convidados, com o Brasil.

O que é avaliado? - Leitura, matemática e ciências. Em cada edição, o foco é em uma área. Neste ano, foi a matemática. A última vez que esta habilidade esteve em foco foi na avaliação de 2003.

Quem organiza e aplica a prova? - A prova é organizada pela OCDE e aplicada por órgãos nacionais. No Brasil, foi aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação.

Como ela é feita? - A prova dura duas horas e é formada por questões de múltipla escolha e perguntas abertas. Além disso, os estudantes respondem a questionários sobre a família e aspectos ligados ao aprendizado.




segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

RESPOSTAS ANIMADORAS

zero hora 02 de dezembro de 2013 | N° 17632

EDITORIAL




O Grupo RBS e a Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho começam a cumprir nesta segunda-feira o último dos seis compromissos assumidos publicamente há um ano, no lançamento da segunda fase da campanha institucional A Educação Precisa de Respostas, destinada a contribuir para a qualificação do ensino no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Na ocasião, todos os veículos e profissionais do grupo assumiram os seguintes desafios: 1) Divulgar temas relacionados ao ensino com foco prioritário no interesse dos estudantes; 2) Valorizar a escola como centro de saber e espaço para o desenvolvimento individual e coletivo dos alunos; 3) Dar visibilidade aos indicadores de qualidade da educação, especialmente às avaliações das escolas; 4) Defender a valorização dos profissionais do ensino; 5) Mobilizar a sociedade para participar ativamente no processo educacional, estimulando os pais a se tornarem agentes fiscalizadores da qualidade da aprendizagem; 6) Destacar e premiar iniciativas inovadoras e positivas de ensino, para que sirvam como referência de qualificação.

Pois hoje, com todas essas metas em pleno andamento, a RBS entrega o 1º Prêmio RBS de Educação – Para Entender o Mundo, aos finalistas e vencedores do concurso de projetos voltados para a mediação de leitura. De um total de 936 trabalhos inscritos nos dois Estados, foram selecionados 18 relacionados a experiências inovadoras que estão sendo feitas em escolas públicas, privadas e nas comunidades onde atuam os educadores. Os projetos foram cuidadosamente avaliados pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), que dá apoio técnico à Fundação Maurício Sirotsky.

Amplamente divulgados pelos veículos de comunicação do Grupo RBS nas últimas semanas, esses projetos podem ser interpretados como respostas muito animadoras para os questionamentos que fizemos no lançamento do prêmio: Por que a educação brasileira ocupa colocações tão constrangedoras nos rankings internacionais? Por que um percentual elevado de estudantes não está na série correspondente à idade? Por que pouquíssimos querem seguir a carreira de professor? Por que tantos chegam ao final do Ensino Médio sem aprender matemática? Por que a maioria dos alunos brasileiros não aprende o esperado para a sua idade? Por que muitos pais não participam da vida escolar de seus filhos?

Essas questões estão sendo bem equacionadas por professores e educadores que ousam, saem da rotina e conquistam a atenção dos estudantes com conteúdos atraentes e consistentes. Eles estão dando as melhores respostas para os desafios da educação. Por isso seus trabalhos estão sendo valorizados e premiados, com o propósito prioritário de que sirvam de exemplo e se multipliquem pelo universo do ensino.

O Grupo RBS acredita que a educação é um dos mais poderosos instrumentos para transformar as pessoas e tornar o mundo melhor. Entende, ainda, que uma empresa de comunicação socialmente responsável tem o dever de contribuir para o desenvolvimento econômico e social das comunidades onde atua. E estas crenças se fortalecem ainda mais com a excelente receptividade que o público está conferindo às iniciativas referidas.

O prêmio que será entregue hoje, em Florianópolis, consolida a nossa principal crença: a educação precisa não apenas de respostas, mas também precisa de estímulos e reconhecimentos. Essas questões estão sendo bem equacionadas por professores e educadores que ousam, saem da rotina e conquistam a atenção dos estudantes com conteúdos atraentes e consistentes.