EDUCAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Defendemos uma política educacional multidisciplinar integrando os conhecimentos científico, artístico, desportivo e técnico-profissional, capaz de identificar habilidade, talento, potencial e vocação. A Educação é uma bússola que orienta o caminho, minimiza dúvidas, reduz preocupações e fortalece a capacidade de conquistar oportunidades e autonomia, exercer cidadania e civismo e propiciar convivência social com qualidade, dignidade e segurança. O sucesso depende da autoridade da direção, do valor dado ao professor, do comprometimento da comunidade escolar e das condições oferecidas pelos gestores.

sábado, 6 de agosto de 2011

O PARECER DO TCE, AS CONTAS PÚBLICAS

O PARECER DO TCE E AS CONTAS PÚBLICAS. ODIR TONOLLIER, SECRETÁRIO DE ESTADO DA FAZENDA - ZERO HORA 03/08/2011

As recomendações feitas ao governo pelo Tribunal de Contas (TCE), por ocasião da análise do exercício de 2010, decorrem dos problemas estruturais do Rio Grande do Sul. A falta de recursos para aplicação suficiente em saúde e educação está relacionada a essa situação, tendo também como reflexo a insuficiência de verbas para a segurança e outras áreas que o Estado historicamente se propõe a atender.

Já é de longa data que o TCE ressalva tais pontos para a aprovação das contas dos governadores. E, dada sua magnitude, não se pode estabelecer ou exigir uma solução de um ano para outro – é preciso que se atue nas causas que levaram a esse quadro. O governador Tarso Genro vem mostrando disposição em enfrentar os problemas e encaminhar soluções, também estruturais, em prazo factível. Mostrou que buscará a aplicação dos percentuais mínimos já no início do ano, quando elevou a remuneração do magistério e deu um passo em direção ao piso nacional.

A elevada distância entre o valor constitucional e os atuais níveis de aplicação é um desafio a ser vencido, pois representa volume de recursos de que o Estado ainda não dispõe e a sua simples realocação não é possível. Isso afetaria outras áreas deficientes e que precisam ser igualmente recuperadas para melhorar a qualidade dos serviços públicos – e sequer seria suficiente para resolver a situação.

Recentemente, o governo iniciou o programa de sustentabilidade com a aprovação da Assembleia Legislativa. Na intenção de buscar uma solução para o futuro, criou um fundo de capitalização para a previdência e tomou providências que permitem um mínimo de planejamento. Potencializamos ações em parceria com o governo federal e buscamos recursos de financiamentos para sustentação dos investimentos. Além disso, estamos apostando em um sistema de desenvolvimento econômico articulando iniciativa privada e diversas esferas de governo.

Estas iniciativas nos permitem criar um cenário estruturado para as contas estaduais a partir de novas fontes para financiar as políticas sociais e investimentos no crescimento da economia gaúcha. Sem isto, o Estado se limitará a educação, saúde e segurança, com mínimo espaço orçamentário para as demais políticas em áreas nas quais historicamente temos participação, como agricultura, assistência social e cultura, entre outros – restando somente a busca de recursos em convênios com áreas afins com o governo federal.

MERENDA - ACUSADA NEGA ENVENENAMENTO DEPOIS DE CONFESSAR, SER SOLTA E AGORA FORAGIDA.

Jovem de 23 anos é suspeita de servir almoço com veneno de rato em escola da Capital. Merendeira foi pressionada a confessar, diz advogado - Tatiane de Sousa / Rádio Guaíba e Correio do Povo, 06/08/2011 12:39

O advogado da merendeira Wanusi Mendes Machado negou que ela tenha confessado culpa na intoxicação por raticida em almoço servido na Escola de Ensino Fundamental Pacheco Prates, em Porto Alegre. Segundo Leandro Pereira, a jovem de 23 anos teria sido pressionada a confessar durante depoimento prestado na Delegacia de Homicídios do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Para ele, a Polícia Civil foi precipitada ao solicitar a prisão.

O advogado pretende reverter o pedido de prisão e não descarta acionar os Diretos Humanos diante do que qualificou como “uma grave injustiça”. Para Pereira, a vida da merendeira já foi “destruída” ao ser exposta e acusada injustamente em um inquérito que foi aberto há poucos dias.

“Talvez seja por que ela é preta e pobre”, afirmou o advogado ao lembrar que conhece a cliente há 15 anos. “Ela não vai se apresentar enquanto a prisão não for relaxada”, avisou o advogado em tom indignado. Pereira não vai cobrar pela defesa da jovem.

O Tribunal de Justiça do Estado determinou nessa sexta-feira a prisão preventiva da merendeira. Segundo o delegado Cléber Lima dos Santos da Delegacia de Homicídios, foram feitas buscas na casa da jovem, mas ela não foi localizada. Ela já é considerada foragida. Em depoimento, a merendeira disse não ter tido motivos para cometer o crime, alegou problemas psicológicos e confirmou ter despejado dois sacos pequenos de raticida na comida.

Envenenamento de comida

Trinta e nove alunos, funcionários e professores da Escola de Ensino Fundamental Pacheco Prates foram levados para pronto atendimentos da região na última quinta-feira, depois que uma professora desconfiou de grânulos de cor rosa na comida do almoço, um estrogonofe. Algumas pessoas reclamaram de mal-estar e dores de cabeça e barriga.

A titular da Delegacia de Polícia Volante, delegada Clarissa Demartini, informou que foram encontrados pequenos sacos contendo um aparente veneno de rato e uma tesoura na cozinha da instituição. Na sexta-feira, a delegada confirmou que a substância é o raticida Nitrosin.

Segundo o setor de pediatria do Pronto Atendimento da Lomba do Pinheiro, o produto pode alterar a coagulação do sangue, gerando sangramentos de diversos níveis de gravidade.

NA VANGUARDA - ESCOLA SEM PAPEL


País com um dos melhores sistemas de ensino do mundo, a Coreia do Sul vai tirar livros e cadernos das salas de aula. Débora Rubin - N° Edição: 2178, 06.Ago.11 - 10:57

Os alunos da Coreia do Sul não precisarão carregar mais tanto peso nas costas a partir de 2015. O governo anunciou neste mês que todo o sistema de ensino será digitalizado. Para ler o conteúdo de um livro ou fazer a lição de casa, bastará ter um tablet ou até mesmo um smartphone. O conteúdo digital faz parte do programa SmartEducation (Educação Inteligente), que terá investimentos da ordem de US$ 2 bilhões. Além de eliminar o uso de livros e cadernos, o programa prevê a criação de salas multimídia com computadores e quadros eletrônicos. As aulas também serão transmitidas em tempo real – o que pode ser o fim da velha desculpa de faltar na escola quando se está doente.

A transformação digital da educação coreana é inédita. Nenhum outro país, por hora, prevê tamanha mudança em tão pouco tempo. Nem tanto pela falta de investimentos, mas sim pelo modelo educacional. “A grande maioria dos países tem uma estrutura muito menos centralizada e mais complexa, o que dificulta a padronização e a digitalização da educação”, afirma César Nunes, pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Inovação Curricular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e diretor da Oort Tecnologia, produtora de material didático digital. Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas cidades estão apostando em projetos-piloto com os tablets – a Prefeitura de Nova York comprou dois mil aparelhos. No Estado de Indiana, o ensino da letra cursiva agora é opcional.

Para o especialista César Nunes, a questão mais importante a ser debatida é como usar a tecnologia em sala de aula. “Quando falamos em cadernos e livros digitais, corremos o risco de nos ater apenas a atividades muito guiadas, mais parecidas com o sistema tradicional”, diz. “Mais interessante é pensar em como usar isso focado no desenvolvimento do pensamento e das competências do século XXI.” Encher uma sala de aula de computadores e não saber o que fazer deles é uma história recorrente no mundo educacional. Recentemente, a Espanha investiu em lousas digitais e notebooks em sua rede pública. O que parecia uma iniciativa nobre gerou uma grande confusão, já que a maioria dos professores nem sequer sabia usar o material.

No Brasil, há um ano foi lançado oficialmente o Programa Um Computador por Aluno (Prouca) pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda está na fase piloto. Dez escolas de cinco cidades receberam 1.390 máquinas para a fase de teste. A segunda etapa vai levar 150 mil laptops para três mil alunos de mais cinco municípios. Paralelamente, 600 professores universitários foram capacitados para treinar docentes da rede pública a usar o material de forma adequada.


MERENDA ESCOLAR É ENVENENADA

Merendeira de escola confessa ter colocado veneno na comida. Funcionária alegou problemas psicológicos para intoxicar 39 pessoas ontem, em Porto Alegre - Otto Herok Netto / Rádio Guaíba - CORREIO DO POVO, 05/08/2011 23:07

Uma merendeira da Escola de Ensino Fundamental Pacheco Prates, em Porto Alegre, confessou, nesta sexta-feira, ter colocado veneno de rato na refeição servida ao meio dia de ontem. Segundo o delegado Cleber Lima, da 1ª Delegacia de Homicídios e Desaparecidos, ela disse não ter motivos para o crime e alegou problemas psicológicos. A funcionária foi contratada há três semanas, em caráter emergencial, e foi uma das 39 pessoas hospitalizadas após comer a refeição.

Segundo o delegado, a merendeira confessou que despejou dois sacos pequenos do produto no estrogonofe enquanto preparava a comida. Ela já teve a prisão preventiva decretada e deve ser indiciada por tentativa de homicídio qualificada.

O último aluno internado por intoxicação recebeu alta pela tarde do Centro de Saúde Lomba do Pinheiro, na zona Leste. Parte dos pacientes intoxicados realiza hoje novos exames preventivos no centro da Lomba do Pinheiro e outros no centro Bom Jesus, no domingo.

A Secretaria de Educação de Porto Alegre não informou o resultado dos exames. A pasta define na próxima segunda-feira a data do retorno das aulas. Segundo a diretora da instituição, a tendência é que pais e alunos sejam preparados psicologicamente para voltar às aulas. Ela confirmou que a escola não tem câmeras de segurança.

Envenenamento de comida

Alunos, funcionários e professores da Escola de Ensino Fundamental Pacheco Prates foram levados para pronto atendimentos da região ontem, depois que uma professora desconfiou de grânulos de cor rosa na comida do almoço, um estrogonofe. Algumas pessoas reclamaram de mal-estar e dores de cabeça e barriga.

A titular da Delegacia de Polícia Volante, delegada Clarissa Demartini, informou que foram encontrados pequenos sacos contendo um aparente veneno de rato e uma tesoura na cozinha da instituição. Hoje, a delegada confirmou que a substância é o raticida Nitrosin.

Segundo o setor de pediatria do Pronto Atendimento da Lomba do Pinheiro, o produto pode alterar a coagulação do sangue, gerando sangramentos de diversos níveis de gravidade.

Justiça decreta prisão de merendeira que envenenou alunos. Funcionária de escola na zona Sul de Porto Alegre confessou ter colocado raticida na comida - Correio do Povo, 06/08/2011 08:19

O Tribunal de Justiça do Estado determinou, no fim da noite desta sexta-feira, a prisão preventiva da merendeira Wanuzi Mendes Machado, de 23 anos, que confessou ter colocado veneno para rato no almoço de 39 alunos, professores e funcionários da scola de Ensino Fundamental Pacheco Prates, no bairro Belém Velho, na zona Sul de Porto Alegre, na última quinta-feira. Segundo o delegado Cléber Lima, responsável pelo caso, a prisão deve ser feita pela manhã.

No depoimento, Wanuzi disse não ter tido motivos para cometer o crime, alegou problemas psicológicos e confirmou ter despejado dois sacos pequenos da substância raticida Nitrosin no estrogonofe servido às crianças. A funcionária foi contratada há três semanas, em caráter emergencial, e foi uma das pessoas hospitalizadas após comer a refeição. O delegado vai indiciá-la por tentativa de homicídio doloso (com intenção). Após o depoimento, ela foi liberada.

O último aluno internado por intoxicação recebeu alta na tarde de ontem do Centro de Saúde Lomba do Pinheiro, na zona Leste. Parte dos pacientes intoxicados realiza hoje novos exames preventivos no centro da Lomba do Pinheiro e outros no centro Bom Jesus, no domingo.

A Secretaria de Educação de Porto Alegre não informou o resultado dos exames. A pasta define na próxima segunda-feira a data do retorno das aulas. Segundo a diretora da instituição, a tendência é que pais e alunos sejam preparados psicologicamente para voltar às aulas. Ela confirmou que a escola não tem câmeras de segurança.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PROGRAMAS "ESQUECIDOS"

- OPINIÃO, O Estado de S.Paulo - 03/08/2011


À medida que entra na rotina, o governo da presidente Dilma Rousseff começa a deixar de lado projetos demagógicos concebidos pelo governo anterior para favorecê-la na disputa eleitoral de 2010. O último projeto "esquecido" é o programa "Educação e Qualificação para Comunidades Extrativistas", elaborado pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas e pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), com o aval pessoal do presidente Lula.

Também chamado de "Saberes da Floresta" e financiado com recursos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o projeto se destina a atender a população ribeirinha das 89 Reservas Extrativistas e de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia e sua trajetória é mais um exemplo de como a educação tem sido gerida. Com alto número de analfabetos, 60 mil famílias vivem nas reservas da exploração de seringais, da colheita de castanhas e da agricultura de subsistência.

O objetivo da SAE era desenvolver estratégias e ações voltadas para o ensino de crianças e jovens que moram na área, onde a rede pública só mantém escolas até a 4.ª série do ensino fundamental. Para continuar os estudos, os jovens têm de se mudar para as cidades.

Essa mudança gera dois graves problemas. O primeiro é o esvaziamento das comunidades, onde só permanecem velhos, mulheres e crianças. O segundo problema está na dificuldade que esses jovens têm para se adaptar à vida urbana. Com uma vida até então inteiramente voltada à família e à natureza, os rapazes começam a beber e a se envolver em brigas, enquanto as meninas são atraídas pela prostituição. Dos que completam o ensino básico, poucos retornam à comunidade - e, quando o fazem, trazem hábitos que levam à desagregação de suas famílias.

Além de ignorar a gravidade desses problemas, o programa "Educação e Qualificação para Comunidades Extrativistas" se destaca pelo simplismo de suas propostas e pelo uso abusivo de jargões políticos - um vício dos movimentos sociais e do PT. Em seu documento de apresentação, por exemplo, o programa se propunha a elaborar "produtos síntese" - entre eles a construção de uma "política de educação na floresta" que expresse a visão que as populações extrativistas têm sobre educação e profissionalização. "Nós temos que ter uma educação diferenciada, onde o meu filho saiba que tem, hoje, uma condição de vida mais favorável por causa de toda uma luta que houve, dos que enfrentaram o sistema de governo e as situações que existiam, para poder trazer a qualidade de vida. Ele precisa se tornar parte e continuar carregando essa bandeira; senão, essa bandeira, daqui uns dias, vai deixar de existir, porque você não dá valor às coisas que você não conhece - você precisa conhecer para dar valor", diz Manuel Cunha, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Entre outras "prioridades", o projeto repetia recomendações do 1.º Encontro Nacional de Seringueiros da Amazônia, realizado em 1985, como "a divulgação de histórias, poesias, músicas, receitas e objetos fabricados por seringueiros" e a inclusão na merenda escolar de "produtos oferecidos pela região". Ele também propunha um elenco de dez princípios - quase todos tautológicos. Um deles afirmava que "a criança precisa saber que é parte da vida na floresta e nas águas". Outro enfatizava que "as pessoas da floresta estão conectadas e que não é possível desplugá-las". Em matéria de "encaminhamentos", o projeto tecia considerações óbvias sobre qualidade da educação e capacitação docente e propunha a busca de "apoio financeiro direto" da União.

Custa crer que uma iniciativa tão simplória e demagógica como essa tenha consumido recursos humanos do governo e dinheiro do Pnud - além de ter sido anunciada espalhafatosamente pela rede pública de comunicação do governo Lula. Agora a presidente Dilma Rousseff faz a coisa certa, engavetando - com a devida discrição - programas que jamais deveriam ter sido apresentados como projetos de governo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

UMA LIÇÃO INSOFISMÁVEL

Arlete Gudolle Lopes, professora - Zero Hora 02/08/2011


Quando os nossos filhos nascem, de atores principais, passamos a coadjuvantes no intrincado e temperamental cenário que é a vida. No convívio com eles, passamos a interpretar os mais variados papéis, de acordo com as circunstâncias. No alvorecer de suas escaladas, somos os guardiões incansáveis de seu desenvolvimento. De nós depende a satisfação de suas mais rudimentares necessidades: alimentamos, protegemos, amamos, ensinamos a eles os primeiros passos e palavras. São nossos reféns. Se falharmos, sucumbirão.

À medida que vão crescendo, criando asas, cedo procuram espaços mais amplos para se consti-tuírem e alçarem voos tímidos e incipientes, sem a nossa proteção. Antes, senhores exclusivos de seu crescimento, começamos a exercer um papel secundaríssimo. A escola, os professores (se ótimos) e os amigos nos eclipsam e se tornam o seu centro de atenção e de afetividade. É então que exercitamos o papel de pagadores, taxistas gratuitos, seres insones e rezadores à espera de que retornem sãos e salvos a casa, após show musical ou algum animado festim em clubes noturnos ou em casa de amigos.

Crescidos, sentindo-se independentes, ganhando força e fôlego, anseiam por novos horizontes e voam para mais longe. Passamos, então, de coadjuvantes a seres subalternos em seu mundo de afeição. Transformamo-nos de agentes protetores a seres cativos de um telefonema ou de uma mensagem eletrônica, que possam acalmar nossa ansiedade por notícias deles. Sem nos darmos conta, somos substituídos por novos amores, capazes de induzi-los a formar um novo lar. Ao se casarem, tácita ou oficialmente, constituem a sua família, da qual passamos à condição de parentes ou de visitantes esporádicos.

Se desempenharmos muito bem o nosso papel enquanto pais, poderemos ser lembrados por eles como seres diferenciados, que merecem determinadas regalias e um bom legado do afeto que ainda resta em corações sensíveis. Se formos pais cuja nota não ultrapasse o regular ou o médio, seremos considerados como estorvos descartáveis, malas pesadas demais para serem carregadas e que devem ser jogadas em algum lugar distante deles.

A lição insofismável e cíclica que a vida ensina, e que demoramos muito a assimilar, é a de que agimos exatamente assim com os nossos pais.

Muitas vezes, somos valorizados por nossos descendentes e damos o devido valor a nossos genitores depois que os primeiros e nós também tivermos morrido.

Se os ensinamentos aos filhos forem bem ministrados e na dosagem mensurada pela razão e pelo coração, teremos a convicção de que lhes estaremos ofertando um cenário onde transitarão com ética, honestidade e aptos para construir um Brasil muito melhor. Se todos os pais se conscientizarem da importância do papel a ser desempenhado junto aos seus filhos com amor e competência, provavelmente teremos um país sem corrupção e criminalidade.

DESCASO GERA DESCASO

NYLZA OSÓRIO JORGENS BERTOLDI, ESCRITORA E EDUCADORA EMÉRITA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL- ZERO HORA 02/08/2011

Se bem entendo pela experiência vivida, a educação começa pela formação de atitudes, tantas vezes ausente na esfera familiar. A observância das relações interpessoais neutralizando as discriminações, o desrespeito, o individualismo, remete-nos à certeza de que uma outra educação é possível. O lado emocional do professor desempenha papel significativo no ofício de educar, por isso nem sempre a qualidade do ensino está atrelada às metodologias pedagógicas, mas certamente transcende os limites da razão e do emocional. Ninguém pode oferecer o que tem de melhor quando a angústia bate às suas portas pela desvalorização do seu “eu”, enquanto o descrédito aos seus méritos são questionados e leiloados em pregões.

Méritos, todos os mestres têm. Tanto aqueles com formação acadêmica mais qualificada exigida pela profissão quanto aqueles que ainda não tiveram a oportunidade para alcançá-la plenamente. A obra de Paulo Freire nos fala de “uma compreensão integral do ser humano, sua história, suas possibilidades, suas condições econômicas, sua emancipação social e cultural”. Quando existe conhecimento, mas faltam autoestima e valorização, os conflitos, a incompreensão, os desenganos, geram a derrocada dos sentimentos por mais puros que sejam.

E o que vemos agora? Os rumos da qualidade do ensino, em discussão por quem desconhece o regulamento das escolas; por quem nunca pisou numa sala de aula de escola pública; por quem se capacita a debater as questões de educação, aleatoriamente, porque nunca foram professores. Educação e ensino são tarefas do professor. Se é que existe um consenso sobre a relação “baixa qualidade de desempenho escolar versus recursos para as exigências da educação”, por que as históricas mudanças não acontecem? Afinal, a educação é prioridade dos governos ou discursos, temas e promessas de campanhas eleitorais? Acredito na segunda hipótese.

O argumento financeiro é um mero jogo de cena de quem descumpre a constitucionalidade do piso nacional para docentes, votado pelos juízes do Supremo Tribunal Federal, mais alta instância jurídica do país. Arcar com essa consequência terá um preço bem mais alto do que o piso nacional. Melhorar a educação significa abrir novos caminhos ou reconhecer os espaços pelos quais o Rio Grande do Sul, com muito orgulho, já conquistou em passadas épocas.

A construção do conhecimento é coletiva, pertence à história, é produto da cultura, mas a construção dos valores morais é individual e pertence à formação do caráter na dimensão de suas experiências. Volte para as escolas públicas o uso do uniforme, ora jogado no baú, para que nossos jovens frequentem as aulas dignamente vestidos e as meninas cubram os seios e os umbigos de fora, em sala de aula. Voltem as exigências de conduta que orientem esses jovens a construir uma formação para a cidadania.

São inúmeras as escolas particulares que se alinham nestes conceitos, independentemente de suas orientações e crenças, mas protagonistas de um processo educativo de formação moral. Essa é uma visão possível de transformação cultural de compreender a educação como perspectiva de um “salto de qualidade” que certamente acontecerá para privilégio de uma sociedade que espera pela mudança de mentalidades.